Meu destino eu moldei
Qualquer um pode moldar
Deixo o mundo me rumar
Para onde quero ir
Dor passada não me dói
E nem curto nostalgia
Eu só quero o que preciso
Pra viver meu dia a dia
Pra que reclamar de algo que não mereço
A minha razão é a fé que me guia
Nenhuma inveja me causa tropeço
Creio em deus e na virgem Maria
Encaro sem medo os problemas da vida
Não fico sentado de pernas pro ar
Não há contratempo sem uma saída
Pra quem leva a vida devagar
Meu destino eu moldei
Qualquer um pode moldar
Deixo o mundo me rumar
Para onde eu quero ir
Dor passada não me dói
E nem curto nostalgia
Eu só quero o que preciso
Pra viver meu dia a dia
Que o supérfluo
Nunca nos falte
Básico para
Quem tem carestia
Não quero mais do que necessito
Pra transmitir minha alegria
compositores: Martinho da Vila, Marcelinho Moreira e Fred Camacho
Felicidade, passei no vestibular
Mas a faculdade é particular
Particular, ela é particular
Particular, ela é particular
Livros tão caros tantas taxas pra pagar
Meu dinheiro muito raro,
Alguém teve que emprestar
O meu dinheiro, alguém teve que emprestar
O meu dinheiro, alguém teve que emprestar
Morei no subúrbio, andei de trem atrasado
Do trabalho ia pra aula, sem
jantar e bem cansado
Mas lá em casa à meia-noite tinha
sempre a me esperar
Um punhado de problemas e criança pra criar
Para criar, só criança pra criar
Para criar, só criança pra criar
Mas felizmente eu consegui me formar
Mas da minha formatura, nem cheguei participar
Faltou dinheiro pra beca e também pro meu anel
Nem o diretor careca entregou o meu papel
O meu papel, meu canudo de papel
O meu papel, meu canudo de papel
E depois de tantos anos,
Só decepções, desenganos
Dizem que sou um burguês muito privilegiado
Mas burgueses são vocês
Eu não passo de um pobre-coitado
E quem quiser ser como eu,
Vai ter é que penar um bocado
Um bom bocado, vai penar um bom bocado
compositor: Martinho da Vila
Ó nega, vai trocar esse baton
Porque assim não estás em bom tom
Combina com o esmalte da unha
Mas esse vermelho encarnado
Esconde as virtudes que tens
Também está excessivo o perfume
Juro não é só ciúme
Me orgulho de te verem bem
Oh chérie, vas changer ce bâton à lèvres
Parce qu´ainsi le ton n´est pas bon
Combines avec l´émail de l´ongle
Mais ce rouge est incarné
Cache les vertues que tu as
Le parfum est aussi excessif
Je jure que ce n´est pas à peine de la jalousie
Je m´ennorgueillie qu´ils te trouvent bien
Não fala muito quem sabe falar
Não compra tudo quem sabe comprar
Não bebe muito quem sabe beber
Não come de tudo quem sabe comer
Mas ama muito quem tem só um amor
E tu és a minha única flor
Mais celui qui n’a qu’un amour aime beaucoup
Et tu es ma fleur unique
É forte a tua atração pessoal 2x
Discreta como tu és sensual
Elle est forte ton attraction personnelle
Discrète comme tu es sensuelle
compositor: Martinho da Vila
(Part. especial: Sally Nyolo –Gentilmente cedida por Lusafrica)
Direto
Tô cantando nesta linha
Que é a linha do ão
Já dancei samba-de-roda
Já briguei muito na mão
Eu nasci numa fazenda
E fui criado na favela
Namorei mulher casada
E fui homem de moça donzela
Treze anos de caserna
Me deram boa lição
Sou formado lá na Vila
Fiz do samba profissão
O meu pai era colono
E meeiro muito bom
Calangueava a noite inteira
Não perdia verso não
Mãe Teresa é rezadeira
E faz por mim muita oração
A Zezé é a macumbeira
Pó em mim não pega não
compositor: Martinho da Vila
Nos arredores, Cantagalo, Teresópolis
Nova Friburgo e Bom Jardim, bem no caminho
Meu off Rio tem um clima de montanha
E os bons ares vêm da serra de Petrópolis
É um lugar especial
Para quem é sentimental
E aprecia um gostoso bacalhau
O galo canta de madrugada
E a bandinha toca na praça
Na entrada há um vale
Que é encantado
Tem cavalgada, tem procissão
As cachoeiras principais de lá são duas
E a barra é limpa porque lá não tem ladrão
Tomo cachaça com os amigos
Lám em Cachoeira Alta
E na Queda do Tadeu, churrasco ao lago
Pra ir pro Carmo
Tem muita curva
E a preguiça então me faz ficar na praça
Eu nem preciso trancar o carro
A chave fica na ignição
A minha Vila fica meio enciumada
Se eu pego estrada e vou correndo para lá
Se alguém pergunta, eu não digo
Onde fica o tal lugar
Mas canto um samba para quem adivinhar
compositor: Martinho da Vila
Coração de mãe não se engana
É a voz do povo que fala emana
É a própria energia que emana
É o perfume que exala
É a caixa e o segredo
Segredo
O clarão que mais clareia
Clareia
É a bomba que bombeia
Seu sangue pra minha veia
Foi a mão de Deus
Que te lapidou
Pra amar seu Filho
Do jeito que for
As suas mãos são moldadas
Pra coser, lavar e passar
A sua boca talhada
Pra cantar canções de ninar
Seu peito, leito, aconchego
Por cansaço se libertar
Seu colo é um paraiso
Pra se dormir e sonhar
Foi a mão de Deus…
compositores: Martinho da Vila e Beto Sembraço
Eu bolei
Com as tranças da Calumba
Shinguilei
Vendo Calumba trançar
Eu sonhei
Que era rei numa macumba
E Calumba a rainha do gongá
Ela lá em Luanda
Que é a terra da Kianda
Eu no Itororó
O roncó de Iemanjá
Numa transa que trança
O samba de roda com a roda de semba
Ninguém segura a pemba quando a saia dela vai pro ar
Quero ver Calumba dançar, quero ver Calumba dançar
Quero ver Calumba dançar, quero ver Calumba dançar
Quero ver Calumba dançar, quero ver
Ó que moça bonita
Quero ver Calumba dançar, quero ver
Sua trança balança
Quero ver Calumba dançar
Sua saia de chita
Quero ver
Ela gira e me trança
Quero ver Calumba dançar
Elias Dia Kimuezo -Versão: Martinho da Vila
Vou viajar! Vou trabalhar! To indo já!
Contigo no meu coração
E dentro da minha cabeça
Sinto muito te deixar
Enquanto eu estiver por lá
Pense em mim, não me esqueça
Fantasie relações
Em que a gente se enlouqueça
Cuidado com as tentações
Por favor não me entristeça
Tu podes se distrair
Privilegiando a conduta
Só vou porque tenho que ir
Longe é a minha labuta
Prometo vou me guardar
Podes crer, tenhas certeza
Na volta muitos presentes
Fartura pra nossa mesa
compositores: Arlindo Cruz/ Martinho da Vila
No castelo
Ponho o cotovelo
Em Alfama
Descansa o olha
E assim desfaz-se o novelo
De azul e mar
À ribeira encosto a cabeça
Almofada
Na cama do Tejo
Com lençóis bordados à pressa
Na cambraia de um beijo
Lisboa menina moça, menina
Da luz que meus olhos vêem tão pura
Teus seios são colinas, varina
Pregão que me traz a porta, ternura
Cidade a ponto-luz bordada
Toalha a beira-mar estendida
Lisboa menina e moça, amada
Cidade mulher da minha vida
No terreiro eu passo por ti
Mas da graça eu vejo-te nua
Quando um pombo te olha, sorri
És mulher da rua
E no bairro mais alto do sonho
Ponho fado que soube inventar
Aguardente de vida e medronho
Que me faz cantar
Lisboa menina e moça, menina
Da luz que meus olhos vêem tão pura
Teus seios são colinas, varina
Pregão que me traz a porta, ternura
Lisboa do meu amor deitada
Cidade por minhas mãos despida
Lisboa menina e moça, amada
Cidade mulher da minha vida
Na praça da Figueira
Ou no jardim da estrela
Num fogareiro aceso é que ela arde
Ao canto do outono
À esquina do inverno
O homem das castanhas é eterno
Não tem eira nem beira nem guarida
E apregoa como um desafio
É um cartucho pardo a sua vida
E se não mata a fome mata o frio
Um carro que se empurra
Um chapéu esburacado
No peito uma castanha que não arde
Cai a chuva nos olhos
E te um ar cansado
O homem que apregoa ao fim da tarde
Ao pé de um candeeiro acaba o dia
Voz rouca como o trapo da pobreza
Apregoa pedaços de alegria
E à noite vai dormir com a tristeza
Quem quer quentes e boas quentinhas
A estalarem cinzentas, na brasa?
Quem quer quentes e boas quentinhas ?
Quem compra leva mais amor pra casa
A mágoa que transporta
É miséria ambulante
Passeia pela cidade o dia inteiro
É como se empurrasse o outono adiante
É como se empurrasse o nevoeiro
Quem sabe a desventura do seu fado?
Quem olha para o homem das castanhas ?
Nunca ninguém pensou que ali ao lado
Ardem no fogareiro dores tamanhas
compositores: Paulo de Carvalho / Fernando Tordo / Joaquim Pessoa / Ary dos Santos
Madalena, madalena
você é meu bem querer
eu vou falar pra todo mundo
vou falar pra todo mundo
que eu só quero é você
minha mãe não quer que eu vá
na casa do meu amor
eu vou perguntar a ela
eu vou perguntar a ela
se ela nunca namorou
madalena…
O meu pai não quer que eu case
mas me quer namorador
eu vou perguntar a ele
eu vou perguntar a ele
porque ele se casou
madalena…
Eu fui lá pra vila velha
direto do grajau
só pra ver a madalena
e ouvir tambor de congo
lá na barra do jucú
Ass. das Bandas do Congo da Serra -Adaptação de Martinho da Vila
Bmg Publishing
Vejam esta maravilha de cenário
É um episódio relicário
Em que o artista
Num sonho genial
Escolheu para este carnaval
E o asfalto como passarela
Será aquela
O Brasil em forma de aquarela
Caminhando pelas cercanias do Amazonas
Conheci vastos seringais
E no Pará, na ilha de Marajó
E a velha cabana do Timbó
Caminhando ainda um pouco mais
Deparei com lindos coqueirais
Estava no Ceará
Terra de Irapuã, de Iracema, e Tupã
Fiquei radiante de alegria
Quando cheguei à Bahia
Bahia de Castro Alves e do acarajé
Das noites de magia
Do Candomblé
E pude atravessar
As matas do Imbú
Assisti em Pernambuco
A festa do frevo e do maracatu
Brasília tem o seu destaque
Na arte, na beleza e arquitetura
Feitiços de garoa pela serra
São Paulo engrandece a nossa terra
Do Leste por todo Centro-Oeste
Tudo é belo, e tem lindo matiz
E o Rio
O Rio de sambas e batucadas
De malandros e mulatas
De requebros febris
Brasil, essas nossas verdes matas
Cachoeiras e cascatas
De colorido sutil
E neste lindo céu azul de anil
Emolduram aquarela
Meu Brasil
Lá, lá, lá, lá, iá
compositor: Silas de Oliveira
Eu quero
Me esconder debaixo
Dessa sua saia
Pra fugir do mundo
Pretendo
Também me embrenhar
No emaranhado
Desses seus cabelos
Preciso transfundir seu sangue
Pro meu coração que é tão vagabundo
Me deixa
Te trazer num dengo
Pra num cafuné
Fazer os meus apelos
Eu quero
Ser exorcizado
Pela água benta
Desse olhar infindo
Que bom é ser fotografado
Mas pelas retinas
Desses olhos lindos
Me deixe hipnotizado
Pra acabar de vez
Com essa disritmia
Vem logo
Vem curar seu nego
Que chegou de porre
Lá da boemia
compositor: Martinho da Vila
Meu destino eu moldei
Qualquer um pode moldar
Deixo o mundo me rumar
Para onde quero ir
Dor passada não me dói
E nem curto nostalgia
Eu só quero o que preciso
Pra viver meu dia a dia
Pra que reclamar de algo que não mereço
A minha razão é a fé que me guia
Nenhuma inveja me causa tropeço
Creio em deus e na virgem Maria
Encaro sem medo os problemas da vida
Não fico sentado de pernas pro ar
Não há contratempo sem uma saída
Pra quem leva a vida devagar
Meu destino eu moldei
Qualquer um pode moldar
Deixo o mundo me rumar
Para onde eu quero ir
Dor passada não me dói
E nem curto nostalgia
Eu só quero o que preciso
Pra viver meu dia a dia
Que o supérfluo
Nunca nos falte
Básico para
Quem tem carestia
Não quero mais do que necessito
Pra transmitir minha alegria
compositores: Martinho da Vila, Marcelinho Moreira e Fred Camacho