Instrumental
(Martinho da Vila e Família Musical)
Eu quero você na minha veia
Porque você é meu sangue
Desejo você sem engodo
Ser o vegetal do seu lodo
E você a flor do meu mangue
Você é uma lua cheia
Que lá no meu céu descamba
Porém, não é só minha musa
Na minha cabeça cafuza
Você é o meu próprio samba
Riqueza da minha rima
O verso da poesia
Gostosa gastronomia
A minha ideologia
E de Olorum obra-prima
Gostosa gastronomia
A minha ideologia
E de Olorum obra-prima
De Orunmilá obra-prima
E de Oxalá obra-prima…
Meu Deus, como eu quero você!
compositores: Martinho da Vila / Zé Catimba
Vou viver a vida
Sempre amando tanto
Com esses dois olhos
Que quando os abro
Defeitos distingo
Do negro e do branco
E nos altos céus
Seu fundo estrelado
E nas multidões
Vejo a mulher que eu amo
Gracias a la vida
Que me ha dado tanto
Tenho dois ouvidos
O que eu quero, escuto
Gravo noites, dias
Grilos e canários
Martelos, turbinas
Ruídos, chocalhos
E a voz tão terna
De um amor amado
Gracias a la vida
Que me ha dado tanto
Tenho o sentido do abecedário
Com simples palavras
Eu penso e declaro
Pai, amigo, mano
E os que eu tô criando
Labutando n’alma
Do que tô amando
Agradeço à vida
Que me tem dado tanto
Me dá sempre força
Pra meus pés cansados
Com eles descubro
Cidades e charcos
Praias e desertos
Montanhas e lagos
E na sua casa
A sala e o quarto
Gracias a la vida
Que sempre fez tanto
Fez o coração
Que agita o sangue
Pra regar as flores
Do cérebro humano
Cérebros fecundos
Que dão frutos raros
Que eu vejo no fundo
Dos seus olhos claros
Gracias a la vida
Que sempre deu tanto
Dá panos pra vista
Enxugar o pranto
E assim se distingue
Feitiços, quebrantos
E descubro as coisas
Que formam meu canto
O canto do povo
É um soberano canto
E o canto dos povos
Lamentosos prantos
E o canto de todos
É o meu próprio canto
Gracias a la vida
Que me ha dado
Agradeço a Deus
Que me tem dado tanto
Violeta Parra – versão Martinho da Vila
compositores: Paula Tribuzy e Martinho da Vila
Ah, que maravilha o dia amanhecendo
E como é suave a brisa me beijando
Que extasiante o meu corpo molhado
Quão excitante o sol me possuindo
Um peixe frito, um chope gelado
Há tanta ternura numa tarde noite
E como é romântico o som de um piano
Sim,
Estou curtindo a fina comidinha
E nas cabeças só caipirinha
Vinhos chilenos e Remy Martin
Sei,
Que a minha alma só está cantando
Os meus sentidos só estão sentindo
Porque você está aqui me amando
Martinho da Vila
Gabriel de Aquino e Martinho da Vila
Criei uns acordes jobinianos
Saudosos ao piano
E fui lentamente harmonizando
Nas pretas, nas brancas
No “Samba de uma nota só”
Botei notas do coração
Depois de um bem dissonante dó
Então eu fiz um ré maior
Lembrei de outras lindas canções
E até do “Orfeu da Conceição”
Brindei com “A felicidade”
Mas agora vou te contar
Chorei ao tocar “Chega de saudade”
E se meu amor quer cantar
Eu sigo e “Vivo sonhando”
Jobiniando
“Eu sei que vou te amar”
Martinho da Vila / Ivan Lins
Maíra Freitas e Martinho da Vila
Lara, Lara, Lara… Ivone
Quando pega no cavaco
Sai divina criação
Vai brotando na garganta
O que vem do coração
Criou tanta obra-prima
Pra se cantar com prazer
O Império, a Serrinha
E o canto do tiê
Tiê, tiê, tiê, tiê
Tiê, tiê, canta pra Ivone
Com a luz da poesia
Maravilhosas canções
Uma fonte de emoções
Samba, tá ginga, tá na mente
Ela é o chão e a semente
É importante dizer
Com certeza faço parte desses que amam você
Dona Ivone…
Lara, Lara, Lara… Ivone
compositores: Martinho da Vila / Zé Catimba
O amor da gente é o samba que eu queria
Eu faço a letra, você faz a melodia
Os nossos passos são compassos, sintonias
É comovente esta nossa parceria
É a nossa parceria
Assim que é
É a nossa parceria
Para os reversos, rimas ricas na cachola
Metrificamos nossos versos na medida
Nos afinamos como piano e viola
E os nossos toques são de prima e bordão
Vamos tocando alegremente a nossa vida
Soltando os corpos na batida do sambão
Vamos tocando alegremente a nossa vida
Soltando os corpos na batida do sambão
Na batida do sambão
Na batida do sambão, bão, bão, bão
Na batida do sambão
Vou mudar essa onda…
O amor da gente é o samba que eu queria
Você faz a letra que eu faço a melodia
Os nossos passos são compassos, sintonias
É comovente essa nossa parceria
É a nossa parceria
É a nossa parceria
Para os reversos, rimas ricas na cachola
Metrificamos nossos versos na medida
Nos afinamos como piano e viola
E os nossos toques são de prima e bordão
Vamos tocando alegremente a nossa vida
Soltando os corpos na batida do sambão
Vamos tocando alegremente a nossa vida
Soltando os corpos na batida do sambão
Na batida do sambão
Na batida do sambão, bão, bão, bão
Na batida do sambão
Vou mudar!
Vou me transferir pra casa…
Na minha casa todo mundo é bamba
Todo mundo bebe, todo mundo samba
Na minha casa ninguém liga pra intriga
Todo mundo xinga e todo mundo briga
Macumba lá minha casa
Tem galinha preta e azeite de dendê
Mas ladainha lá minha casa
Tem reza bonitinha e canjiquinha pra comer, falei…
Se tem alguém aflito
Todo mundo chora, todo mundo sofre
Mas logo reza pra São Benedito
Pra Nossa Senhora e pra Santo Onofre
Mas se tem cantando
Todo mundo canta, todo mundo dança
Todo mundo samba e ninguém se cansa
Pois minha casa é casa de bamba
Na minha casa todo mundo é bamba
Todo mundo bebe, todo mundo samba
Martinho da Vila / Roque Ferreira – Martinho da Vila
Juju Ferreira
Fiquei com medo de apagar a luz
Ficar de perto só na boa com você
Sentir seu corpo, vi o mundo azul
Fiquei de um jeito que explodiu meu coração de amor
Fiquei com medo de te seduzir
E de repente tá na pista sem você
E descobrir que vivo por um triz
De te amar e ser amado por você
Mais, sempre mais
Todo o meu amor vou te dar
Toda a minha vida é te amar demais
Sempre mais
Para ter motivo de viver
Todo o meu amor pra você
Vivo pra sentir seu prazer
Demais, é bom demais
E nem penso um dia te perder
Todo meu amor vou te dar
Toda a minha vida é te amar demais
Sempre mais
Para ter motivo de viver
Todo o meu amor pra você
Vivo pra sentir seu prazer
Demais, é bom demais
E nem penso um dia te perder
Te perder, jamais…
Tunico Ferreira
Tunico Ferreira
Que bom que eu posso cair na farra
Tô livre agora pra me esbaldar
Sair na Banda da Barra
Pular no Bloco da Kizomba
E na minha escola vou desfilar
Que bom!
Eu quero esquecer o amor
Que me sufocava demais
Agia como um feitor
Que oprimia meus ancestrais
Com a minha emoção reprimida
Eu achava o sufoco legal
Hoje só amizade colorida
E amor de carnaval
Que bom!
Martinho da Vila / Dudu Nobre
Analimar Ventapane
O Bloco dos Cachaças adverte:
Volante com cachaça não combina!
Seu taxista, eis aqui meu endereço
Eu já tomei umas e outras, sim, senhor
Volante com cachaça não combina
E a vida não tem preço, não, senhor!
Sou um cachaça
Mas não sou burro, não
Se eu bebo, eu não pego a direção
E se não tem ninguém pra me levar
Eu dou um tempo até a coisa melhorar!
Eu bebo pinga, bebo cerveja
Eu bebo tudo que tiver na mesa
Pra não contrariar minha mulher
Eu largo o carro e vou andando a pé!
Cláudio Jorge / Mauro Diniz
Cláudio Jorge
Ô, Xavier! Eu tô a pé!
Faz tanto tempo que eu não ganho uma mulher!
Na Mealhada o leitão é bem assado
Bacalhau pra todo lado
Tem sardinha pra valer
Vem do Alentejo
Aquele tinto fresquinho
Já estou barrigudinho
Tô comendo pra valer
Ê, Portugal!
É mole, não
As raparigas só dão mesmo coração
Eu fico assim
Na solidão
Já tô cansado de abusar da minha mão
Vem lá do norte a famosa feijoada
Em Setúbal, a caldeirada
Está sempre a ferver
Lá em Lisboa tem aquele pastelzinho
Só me falta um amorzinho
Estou farto de comer
Ô, Xavier, ô, Xavier
Faz tanto tempo que eu não ganho uma mulher
Ai, meu Deus
E tem cada portuguesinha
Tem razão!
Que situação, hein?
É, acho que não estou a cortejá-las bem…
Martinho da Vila / Wanderson Martins
Wanderson Martins e Paulinho Black
É, Zé
Minha cuca maluca computa!
Quando minha cuca maluca computa você
É um tal do meu peito doer
É um tal do meu peito doer, doer, doer
É que nele mora um coração
Que já sofreu por amor
E tem medo da solidão
Entre quatro paredes
Com porta e janela fechadas na escuridão
Eu apanhei da saudade
Fiquei com trauma na minha emoção
É um tal do meu peito doer
É um tal do meu peito doer
Até provar que sapo não é jacaré
Vou ser escravo dessa mulher
Gracia do Salgueiro
Ovídio Brito
Essa é a filosofia da Família Musical
Saúde!
Meu destino eu moldei
Qualquer um pode moldar
Deixo o mundo me rumar
Para onde eu quero ir
Dor passada não me dói
E nem curto nostalgia
Eu só quero o que preciso
Pra viver meu dia a dia
Pra que reclamar de algo que não mereço
A minha razão é a fé que me guia
Nenhuma inveja me causa tropeço
Creio em Deus e na Virgem Maria
Encaro sem medo os problemas da vida
Não fico sentado de pernas pro ar
Não há contratempo sem uma saída
Pra quem leva a vida devagar
Meu destino eu moldei
Qualquer um pode moldar
Deixo o mundo me rumar
Para onde eu quero ir
Dor passada não me dói
E nem curto nostalgia
Eu só quero o que preciso
Pra viver meu dia a dia
Que o supérfluo
Nunca nos falte
Básico para
Quem tem carestia
Não quero mais do que necessito
Pra transmitir nossa alegria
Martinho da Vila / Marcelinho Moreira / Fred Camacho
Marcelinho Moreira
Tô cantando nesta linha
Que é a linha do ão
Já dancei samba de roda
Já briguei muito na mão
Já dancei samba de roda
Já briguei muito na mão
Eu não…
Vai, Kiko Horta, meu irmão!
Eu não…
Martinho da Vila
Kiko Horta e Victor Neto
Alô, Noel!
Alô, Noel!
Se um dia na orgia me chamassem
Com saudades perguntassem: Por onde anda Noel?
Com toda minha fé responderia
Vaga na noite e no dia, vive na terra e no céu
Seus sambas muito curti
Com a cabeça ao léu
Sua presença senti
No ar de Vila Isabel
Com o sedutor não bebi
Nem fui com ele a bordel
Mas sei que está presente
Com a gente neste laurel
Veio ao planeta com os auspícios de um cometa
Naquele ano da Revolta da Chibata
A sua vida foi de notas musicais
Seus lindos sambas animavam carnavais
Brincava em blocos com boêmios e mulatas
Subia morros sem preconceitos sociais
Foi um grande!
Foi um grande chororô
Quando o gênio descansou
Todo o samba lamentou
Ô, ô, ô
Que enorme dissabor
Foi-se o nosso professor
A Lindaura soluçou
E a Dama do Cabaré não dançou
Fez a passagem pro espaço sideral
Mas está vivo neste nosso carnaval
Também presentes Cartola
Araci e os Tangarás
Lamartine, Ismael e outros mais
E a fantasia que se usa
Pra sambar com o menestrel
Tem a energia da nossa Vila Isabel
Tem a energia da nossa Vila Isabel!
compositor: Martinho da Vila
Nego
Nego, não, pai, preto!
Preto foi Cruz e Souza!
E quem foi Cruz e Souza?
Negro poeta
Era um esteta
Toda a sua cria
O negro lambia
O negro lambia
Toda a sua cria
Era um esteta
O negro poeta
Aqui vai a minha homenagem ao expoente do Simbolismo
Um poeta sofrido que lutou contra o ortodoxismo na poesia brasileira
Modernista
Poeta
O simbolista foi uma cria lambida por Carolina Conceição
Lavadeira como Leopoldina de Assis e Tereza de Jesus
Nas tinas, nos tanques, nas lajes
Na fonte
Carolina
Tereza
Leopoldina
Nas fontes
Nas lajes
Nas tinas
A fonte de águas cristalinas corre
Chamalotes de prata levantando
E através de arvoredos murmurando
Entre arvoredos murmurando morre
No ocaso, o sol, a luz no oceano escorre
E sempre vejo as sombras afrontando
Uma mulher que canta e ri, lavando
Mesmo que o sol muito abrasado jorre
É verde o campo, deleitável e ermo
Pássaros cortam vastidões sem termo
Borboletas azuis roçam nas águas
E cantando, a mulher, a rir a face
Lava cantando como se lavasse
As suas grandes e profundas mágoas
João da Cruz e Souza
Veio a este mundo
Sem eira nem beira
Foi cria lambida
Por mãe lavadeira
O negro poeta
Era um esteta
Toda a sua cria
O negro lambia
O negro lambia
Toda a sua cria
Era um esteta
O negro poeta
Viva Cruz e Souza!
Vivaaaaa!
Martinho da Vila
Martinho da Vila (Part. Preto Ferreira)