Meu destino eu moldei
Qualquer um pode moldar
Deixo o mundo me rumar
Para onde quero ir
Dor passada não me dói
E nem curto nostalgia
Eu só quero o que preciso
Pra viver meu dia a dia
Pra que reclamar de algo que não mereço
A minha razão é a fé que me guia
Nenhuma inveja me causa tropeço
Creio em deus e na virgem Maria
Encaro sem medo os problemas da vida
Não fico sentado de pernas pro ar
Não há contratempo sem uma saída
Pra quem leva a vida devagar
Meu destino eu moldei
Qualquer um pode moldar
Deixo o mundo me rumar
Para onde eu quero ir
Dor passada não me dói
E nem curto nostalgia
Eu só quero o que preciso
Pra viver meu dia a dia
Que o supérfluo
Nunca nos falte
Básico para
Quem tem carestia
Não quero mais do que necessito
Pra transmitir minha alegria
compositores: Martinho da Vila, Marcelinho Moreira e Fred Camacho
Eu nasci numa fazenda
E fui criado na favela
Namorei mulher casada
E fui homem de moça donzela
Treze anos de caserna
Me deram boa lição
Sou formado lá na Vila
Fiz do samba profissão
O meu pai era colono
E meeiro muito bom
Calangueava a noite inteira
Não perdia verso não
Mãe Teresa é rezadeira
Fez por mim muita oração
A Zezé é a macumbeira
Pó em mim não pega não
compositor: Martinho da Vila
Menina moça vai passear
Vai passear iá, iá
Quer rapaizinho pra acompanhar
Pra acompanhar, iá, iá
Tá passeando já quer flertar
Já quer flertar iá, iá
Quem tá flertando quer namorar
Quer namorar iá, iá
Tá namorando já quer noivar
Já quer noivar iá, iá
Moça esta noiva quer se casar
Quer se casar iá, iá
Se está casada só quer brigar
Só quer brigar iá, iá
Quem tá brigando quer desquitar
Quer desquitar iá, iá
Tá desquitada quer se amigar
Quer se amigar iá, iá
Tá amigada quer separar
Quer separar iá, iá
Tá separada não quer amar
Não quer amar iá, iá
Não tá amando só quer chorar
Só quer chorar, chorar
Mas não chora menina, para que chorar
Levante a cabeça a cabeça vai se consolar
essa vida é comprida e você tão querida
eu preciso do amor que você tem pra dar
Vamos cantar, cantar
Vamos cantar, cantar
compositor: Martinho da Vila
Na minha casa todo mundo é bamba
todo mundo bebe todo mundo samba
Na minha casa não tem bola pra vizinha
não se fala do alheio, nem se liga pra candinha
Na minha casa todo mundo é bamba
todo mundo bebe todo mundo samba
Na minha casa ninguém liga pra intriga
todo mundo xinga, todo mundo briga
Macumba lá na minha casa
tem galinha preta, azeite de dendê
mas ladainha lá na minha casa
tem reza bonitinha e canjiquinha pra comer
Se tem alguém aflito
Todo mundo chora, todo mundo sofre
Mas logo se reza pra são benedito
Pra nossa senhora e pra santo onofre
Mas se tem alguém cantando
Todo mundo canta, todo mundo dança
Todo mundo samba e ninguém se cansa
Pois minha casa é casa de bamba
Na minha casa todo mundo é bamba
Todo mundo bebe todo mundo samba
compositor: Martinho da Vila
Dinheiro pra que dinheiro
Se ela não me dá bola
Em casa de batuqueiro
Só quem fala alto é viola
Mas dinheiro…
Aquela mina não quis me dar bola
Eu tinha tanta grana pra lhe dá
Chegou um cara com uma viola
E ela logo começa bolar
Mas dinheiro, pra que dinheiro…
Eu era um cara muito solitário
Não tinha mina pra me namorar
Depois que eu comprei uma viola
Arranjo nega de qualquer lugar
Dinheiro pra que dinheiro…
compositor: Martinho da Vila
Felicidade, passei no vestibular
Mas a faculdade é particular
Particular, ela é particular
Particular, ela é particular
Livros tão caros tantas taxas pra pagar
Meu dinheiro muito raro,
Alguém teve que emprestar
O meu dinheiro, alguém teve que emprestar
O meu dinheiro, alguém teve que emprestar
Morei no subúrbio, andei de trem atrasado
Do trabalho ia pra aula, sem
jantar e bem cansado
Mas lá em casa à meia-noite tinha
sempre a me esperar
Um punhado de problemas e criança pra criar
Para criar, só criança pra criar
Para criar, só criança pra criar
Mas felizmente eu consegui me formar
Mas da minha formatura, nem cheguei participar
Faltou dinheiro pra beca e também pro meu anel
Nem o diretor careca entregou o meu papel
O meu papel, meu canudo de papel
O meu papel, meu canudo de papel
E depois de tantos anos,
Só decepções, desenganos
Dizem que sou um burguês muito privilegiado
Mas burgueses são vocês
Eu não passo de um pobre-coitado
E quem quiser ser como eu,
Vai ter é que penar um bocado
Um bom bocado, vai penar um bom bocado
compositor: Martinho da Vila
A Vila desce colorida
Para mostrar no carnaval
Quatro séculos de modas e costumes
O moderno e o tradicional
Negros, brancos, índios
Eis a miscigenação
Ditando moda
Fixando os costumes
Os rituais e a tradição
E surgem tipos brasileiros
Saveiros e bateador
O carioca e o gaúcho
Jangadeiro e cantador
Lá vem o negro
Vejam as mucamas
Também vem com o branco
Elegantes damas
Desfilam modas no Rio
Costumes do norte
E a dança do sul
Capoeiras, desafios
Frevos e maracatu
Laiaraiá, ô
Laiaraiá
Festa da menina-moça
Na tribo dos carajás
Candomblés lá da Bahia
Onde baixam os orixás
Laiaraiá, ô
Laiaraiá
Festa da menina-moça
Na tribo dos carajás
Candomblés lá da Bahia
Onde baixam os orixás
compositor: Martinho da Vila
Cai a chuva no asfalto da avenida
E a escola, já começa a desfilar
Molha o surdo, molha o enredo, molha a vida
Do sambista cujo o sonho é triunfar
Cai o brilho do sapato do passista
Mas o samba tem é que continuar
Carnaval, madrugada
Madrugada de carnaval
Os destaques se desmancham na avenida
E o esforço já é sobrenatural
Mas a turma permanece reunida
Um apito incentiva o pessoal
E a escola já avança destemida
É o samba enfrentando o temporal
Carnaval, madrugada
Madrugada de carnaval
Madrugada, vai embora, vem o dia
E o sambista pensa em outro carnaval
E a todos novamente desafia
A vitória do seu samba é o ideal
Chama o surdo e o pandeiro pra folia
Alegria, alegria pessoal
Carnaval, carnaval, carnaval
Volta o surdo pra folia
Alegria pessoal
Esse ano vai ser quente, alegria pessoal
compositor: Martinho da Vila
No cais dourado da velha Bahia
Onde estava o capoeira
A iaiá também se via
Juntos na feira ou na romaria
No banho de cachoeira
E também na pescaria
Dançavam juntos
Em todo fandango e festinha
E no reisado
Contra mestre e pastorinha
Cantavam, iaiaralaiá, iaiá
Nas festas do alto do cantuá
Mas loucamente
A iaiá do cais dourado trocou seu amor
Ardente por um moço requintado
E foi-se embora
Passear de barco à vela
Desfilando em carruagem
Já não era mais aquela
E o capoeira
Que era valente chorou
Até que um dia a mulata
Iá no cais apareceu
Ao ver o seu capoeira
Pra ele logo correu
Pediu guarida
Mas o capoeira não deu
Desesperada
E o capoeira
Caiu no mundo a vagar
Ficou com o seu povo a cantar…
laiá, iaiá, iaiá iaiá
laiá, iaiá, iaiá iaiá
compositor: Martinho da Vila
Chegou
Desvirginando a minha mente
E em mim se faz presente
Com seu jeito sedutor
Plantou em mim
Plantou em si e floresceu
Um grande amor
Igual já mais aconteceu
Fêmea felina que lambe meu suor
Minha caça perseguida
Meu sentimento maior
Minha canção preferida
Meu acorde em tom menor
Eu sei que é
Esse tal de amor que fica
É pequenina e gostosa
Como banana nanica
Uma mistura cheirosa
Carvalho, rosa e arnica
Me bebe como cachaça
Me come como canjica
Quem ela é?
É minha Jaguatirica
Quem ela é ?
É minha Jaguatirica
Parece gata selvagem
Me arranha e me complica
Quem ela é?
É minha Jaguatirica
Pois é, Pois é…
Eu só sei dizer que o amor é lindo
Eu só sei dizer que o amor é lindo
Violão: Gabriel de Aquino
compositores: Martinho da Vila e Ze Catimba
Na aba do meu chapéu
Você não pode ficar
Porque, meu chapéu tem aba curta
Você vai cair e vai se machucar
Na aba…
Como vai se machucar
Eu compro a cerveja, você pede um copo
E bebe logo
Eu puxo cigarro, você pede um
Como você pede um
Mando vir um salgado, o senhor come tudo
Parece que nem comeu
Pede tudo que vê, tu e um 171
Um tremendo 171
Eu não nasci pra coronel.
Coronel
Saia da aba do meu chapéu
Não nasci pra conronel…
Na aba do meu chapéu
Você não pode ficar
Porque, meu chapéu tem aba curta
Você vai cair e vai se machucar
Na aba…
Como vai se machucar
Vai lá vendinha do zé do caroço
Será que o senhor não se lembra ?
Paguei a despesa e ficaste com o troco
Até hoje não me devolveu
Olhe bem que a massa está te sacando
Como está
De repentemente o bicho tá pegando
Como o bicho tá pegando
É que sou do bairro de noel
Seu nome é vila isabel
Vai saindo da aba do meu chapéu
Agora é moda, lá no bairro de noel
Todo mundo quer ficar na aba do meu chapéu
Quer comer beber de graça
Com direito a saideira
Cigarro pra fazer fumaça
Pendurar no prego do seu Ferreira
E o comentário…
O comentário é que eu nasci pra coronel
Subi o Morro, fui lá no pau da bandeira
Na tendinha do Caroço pra tomar uma saideira
Já é o segundo troco, que eu deixo nessa brincadeira
Já é o segundo troco, que eu deixo nessa brincadeira
Paulino da Aba, Ney Silva e Trambique / Dunga e Serginho Tonelada
É no embalo do meu samba que eu vou
Levando a vida do jeito que Deus mandou
Foi no balanço do cavaco do Mané
Que o meu samba devagar foi dando pé
Ai que saudade da Rosinha de Valença
Seu suingue e seu sorriso
Dedilhando o violão
É no embalo do meu samba que eu vou
Levando a vida do jeito que Deus mandou
Simplicidade do Darci lá da Mangueira
Com o balanço do Mané de Sapucaia
Que foi o grande professor do Alceu Maia
E não tem adversário
Com seu cavaco na mão
Depois chegou o Manoel da Conceição
E foi aí que o meu samba ficou bom
É no embalo do meu samba que eu vou
Levando a vida do jeito que Deus mandou
É no embalo do meu samba que eu vou
Levando a vida do jeito que Deus mandou
Foi no balanço do cavaco do Mané
Que o meu samba devagar foi dando pé
Ai que saudade da Rosinha de Valença
Seu suingue e seu sorriso
Dedilhando o violão
Depois chegou o Manoel da Conceição
E foi aí que o meu samba ficou bom
É no embalo do meu samba que eu vou
Levando a vida do jeito que Deus mandou
compositores: Martinho da Vila e Mane do Cavaco
Meu país
Tipicamente é tropical
Dizem que plantando tudo aqui dá
E impera o carnaval
Futebol
É a maior diversão
O ano inteiro muito sol
Pra pegar uma cor
Violão
Viola no calango
Sanfona no xaxado
Cuíca no meu samba
Zabumba no baião
E cachaça na batida
Motel pra transação
E feitiço na macumba
Um amor…
Favelas, palafitas
Mocambos e musseques
E cabeças de porco
Curtiços e vielas
Assaltos, contrabandos
O jogo nas esquinas
E o papo tão furado
Que bom
E pra melhorar
Falta só mesmo é votar pra presidente
Sem participar
Não vou ficar sempre assim
Tão sorridente
compositores: Martinho da Vila e Rildo Hora
Está em você
O que o amor gerou
Ele vai nascer, e há de ser sem dor
Ah! Eu hei de ver
Você ninar e ele dormir
Hei de vê-lo andar
Falar, sorrir
Ah! Eu hei de ver
Você ninar e ele dormir
Fazê-lo andar
Falar, cantar, sorrir
E então quando ele crescer
Vai ter que ser homem de bem
Vou ensina-lo a viver
Onde ninguém é de ninguém
Vai ter que amar a liberdade
Só vai cantar em Tom Maior
Vai ter a felicidade de
Ver um Brasil melhor
Ah! Eu hei de ver
Você ninar e ele dormir
Fazê-lo andar
Falar, cantar, sorrir
E então quando ele crescer
Vai ter que ser homem de bem
Vou ensina-lo a viver
Onde ninguém é de ninguém
Vai ter que amar a liberdade
Só vai cantar em Tom Maior
Vai ter a felicidade de
Ver um Brasil melhor
compositor: Martinho da Vila