Ah! Meu samba
Se tu és nosso é nosso o samba
Se é nosso samba o samba é nosso
Pra que prisões dentro de ti?
Sai meu samba
Pois sei que tens claustrofobia
É tua a noite, a noite e o dia
Vá se espalhar pelo país
Vai meu samba
Sem fadiga, estafa ou stress
Não precisas de reza, quermesse
Passaporte de padre ou juiz
Já se abriu a janela do mundo
E agora não podes parar
Tu tens que conquistar
Tu tens que encantar
E te fazer cantar
Com teu lararara
Com teu lararara
Com teu lararara
Com teu lararara
compositor: Martinho da Vila
Ô João, ô João
Seu chará batizou Cristo
Cristo batizou João
Lá no Rio de Jordão… lá no Rio de Jordão
Se João também soubesse
Quando em junho é seu dia
Viria do céu pra Terra
Todo cheio de alegria
Soltando foguetes joão
Fazendo festejos
E tanta fogueira
Que queimava o mundo
Diz a lenda
Que queimava o mundo
Por falar em mundo João
Como vai o mundo João
Esse nosso mundo João
Que é de todo mundo João
Anda João, vamos João, diga João
Fala
Não tá mole não, José
Esse mundo louco
A televisão mostra sempre um pouco
Bala de canhão e bomba de troco
Bem pertinho irmão lá do Rio Jordão
Bem pertinho irmão lá do Rio Jordão
Mas a salvação José, é nossa Rosa do Povo
Que dá ao povão
Horizonte novo
Jogo de Barão é Rosa do Povo
O nosso sambão é Rosa do Povo
Esse seu sorriso, José, é Rosa do Povo
O Vasco, o Mengão, é Rosa do Povo
Rosa do violão, é Rosa do Povo
– Então que seria João, do povo sem rosa?
– É, nem haveria José
Essa nossa prosa
É José, é João, é Drummond, é paixão
É o irmão, é o amor, linda flor
Em botão
compositores: Martinho da Vila / João Nogueira
Não tenha medo amigo
Não tenha medo
É
Como falou o poetinha Vinicius
“São demais os perigos dessa vida”
Mas o sangue brobulha nas veias
E eu tenho que andar na rua
Gosto de enfrentar o mundo cara-a-cara
Olhar as pessoas no olho
Tenho que estar nos botequins, nas favelas
Nos palcos, nas platéias
Nos campos, nas cidades, nos sertões
Aqui e acolá, como gente
Pés no chão, no meio do povo
Cautelosamente sem cautela
Receiosamente sem receio
Distraidamente distraído
Mas sem medo
Não tenha medo meu amigo, não tenha medo
Porque o medo é o seu maior inimigo
Admiro medrosos sem medo
Desesto valentes
De heróis desconfio
Do mundo eu não tenho medo
Mas viver a vida é um desafio
Não tenha medo
Não tenha medo amigo
É amigo
A vida é um segmento de reta sinuoso
Um vai e vem
Todo mundo tem que ser viandante
Pois “barco parado não faz frete”
– Tá lá nos caminhões
Fé em Deus e pé na tábua
Seguindo o destino
Moldando o destino, transando com ele
Sem medo do que você tem e do que você pode ter
Do que você é e do que você será
Vá em frente amigo
Amando a mulher amada
Dando amor a muitas mulheres
Caminhando em busca do infinito
Sem mitos, sem metas
Sem medo
Não tenha medo
Porque o medo é o seu maior inimigo
Não tenha medo de ficar doente
De ser impotente
Ou de levar um chifre
Confie no amor da amante
E na honestidade da mulher de casa
Não é mais tempo do duelo nobre
Ou de lavar a honra com florete ou sabre
Não tenha medo do clamor divino
E nem do capeta e seu inferno em brasa
compositor: Martinho da Vila
Ilhado na imaginação
Que mar de fantasia!
O poeta vai cantando
Estórias tão sem história
Da tristeza e da alegria
No seu veleiro sem vela
Peixe que voa
Ave que é proa
Tem o Barão
Triste Barão
Um homem sem reinado
Tem girassóis reluzentes
Tem leão rei coroado
Navegando, navegando
Navegando sem parar
Dedilhando sua lira
Fazendo o vento cantar
Em seu devaneio
Imagens diferentes
Cavalo todo de fogo
Mulheres metade serpente
Nessa ilha inventada
Procurando sua amada
Seu candelabro, astro-rei
E a mulher imaginada
Desperta então o poeta
Clamando Orfeu, clamando Orfeu
Uma luz nas trevas se acendeu
Mentira pra quem não crê
Milagre pra quem sofreu
compositores: Rodolpho / Paulo Brazão / Irany
Quem por acaso for folhear a história do Brasil
Verá um povo cheio de esperança
Desde criança
Lutando para ser livre e varonil
Do nobre Amadeu Ribeira
O homem não quis ser rei
A Monoel, o “Bequimão”
Que no Maranhão
Fez aquilo tudo que fez
Nos Palmares
Zumbi, um grande herói
Chefia o povo a lutar
Só pra um dia alcançar
Liberdade
Quem não se lembra
Do combate aos Emboabas
E da chacina dos mascates
O amor que identifica
O herói de Vila Rica
Na Bahia, são os alfaiates
Escrevem com destemor
Com sangue, suor e dor
A mensagem que encerra o destino
De um bom menino
Tiradentes, Tiradentes
O herói inconfidente, inconfidente
Domingos José Martins
Abraça o mesmo ideal
E veio o Fico, triunfal
Contrariando toda a corte em Portugal
Era a liberdade que crescia
Engatinhando a cada dia
Até que o nosso imperador
A Independência proclamou
Oba! Iarararara
Fre Caneca
Mais um bravo que partiu
Em seguida veio o 7 de abril
No dia 13 de maio
Negro deixou de ter senhor
Graças a Princesa Isabel
Abolindo com a Lei Áurea
O cativeiro tão cruel
Liberdade
Liberdade afinal
Deodoro acenou
Está chegando a hora
E assim
Quando a aurora raiou
Cortejando a República
O povo aclamou
compositor: Aurinho da Ilha
Que coisa louca… que coisa louca
Que coisa louca… que coisa louca
Que lindos cabelos, que olhso bonitos, que queixo!
Mas o gostoso-gostoso eu sinto é na sua boca
Na sua boca… na sua boca
Na sua boca… na sua boca
Tão aconchegante o colo perfeito
E o umbigo bem feito
Mas o brilhante-brilhante eu vejo é lá na sua boca
Na sua boca… na sua boca mulher
Na sua boca mulher… na sua boca
Que cintura curva, que uva, que luva!
Que coxa!
Mas a beleza-beleza só está na sua boca
Mulher… mulher
Mulher… ai, ai, ai, mulher
Os lindos joelhos
Equilibram o corpo
E os tornozelos
Adoram seus pés
Umas batatinhas gordinhas
Enfeitando as pernas
E essas curvinhas de cima…
Nem fala… nem fala
Nem fala
Todinha atraente
Costinha bem quente
Que nuca! Que cuca!
Deixa a cabeça maluca
Deixa a cabeça maluca
Fecho os olhos e vejo a lua redonda
Brilhando
E também uma estrela cadente
Riscando o céu da sua boca
De sua boca… se sua boca, mulher
De sua boca mulher… de sua boca
Eu sonhava nadar
Na saliva do mar de sua boca
Mas entendi que me basta
O sorriso que vem de sua boca
Que coisa louca… que coisa louca
Que coisa louca… que coisa louca
compositor: Martinho da Vila
Chorar não cabe agora
Você se descuidou
De se cuidar
De se guardar
Por isso fracassou
E eu também me descuidei
De lhe cuidar
De lhe guardar
Não magoar
E aí fracassei
E a nossa vida
Tão bem transada
Estruturada
Foi definhando…
Está tão certa como a incerteza
Está tão pura como a impureza
Está tão rica como a pobreza
Está tão alegre como a solidão
E não sabemos
O que sentimos
Porque estamos?
Porque não vamos?
O pensamento que me ocorre agora
É que chorar não é solução
compositor: Leci Brandão / Martinho da Vila
Num ambiente de animação
Do cais se distanciava
Uma embarcação
Cortando as ondas fortes da baia
A Paquetá ela se dirigia
Lararara… lararara
Era um domingo cheio de sol
E um poeta cantava como um rouxinol
Um samba quente
Batido na mão
Com o balanço da embarcação
Do outro lado do cais
Uma charrete transportava casais
Já ia alta a manhãzinha
Todos se destinavam
À Praia da Moreninha
No clube, num bar
Muita bebida
Samba na batida
Animada palestra
Casais apertados ao som
De uma grande orquestra
Na volta
Uma gaivota voando
Todo mundo cantando
A maresia…
E eu apertava nos braços
Meu bem que dormia
compositor: Martinho da Vila
Dizem que em quatro paredes se guardam segredos
Mas quem amou e sofreu, do amor não tem medo
Cicatrizes tão profundas deixam ingratidão
E resumem um grande amor numa separação
Pois o ciúme
No amor o ódio gera
Batendo dilacera
Um coração que apanha
Quem me dera ser a sombra que te acompanha
E ao teu lado viver pra sempre
Quem me dera
Sonhando teu corpo desejo
Delírio na ânsia de um beijo
Quem me dera que esse amor tivesse um valor
Assim como uma flor
Tem para a primavera
compositor: Candeia
Sim
Estou chorando
Neste choro bem chorado
Meu chorinho apaixonado
Como é meu machucado coração
Se estou zangado eu não choro
Mimado sou chorozinho
Emocionado sou chorão
Você só chora
Se desprezada
Depreciada
Na despedida
E eu só choro
Pela vitória
Pale beleza
E quando estou feliz da vida