Vejam esta maravilha de cenário
É um episódio relicário
Em que o artista
Num sonho genial
Escolheu para este carnaval
E o asfalto como passarela
Será aquela
O Brasil em forma de aquarela
Caminhando pelas cercanias do Amazonas
Conheci vastos seringais
E no Pará, na ilha de Marajó
E a velha cabana do Timbó
Caminhando ainda um pouco mais
Deparei com lindos coqueirais
Estava no Ceará
Terra de Irapuã, de Iracema, e Tupã
Fiquei radiante de alegria
Quando cheguei à Bahia
Bahia de Castro Alves e do acarajé
Das noites de magia
Do Candomblé
E pude atravessar
As matas do Imbú
Assisti em Pernambuco
A festa do frevo e do maracatu
Brasília tem o seu destaque
Na arte, na beleza e arquitetura
Feitiços de garoa pela serra
São Paulo engrandece a nossa terra
Do Leste por todo Centro-Oeste
Tudo é belo, e tem lindo matiz
E o Rio
O Rio de sambas e batucadas
De malandros e mulatas
De requebros febris
Brasil, essas nossas verdes matas
Cachoeiras e cascatas
De colorido sutil
E neste lindo céu azul de anil
Emolduram aquarela
Meu Brasil
Lá, lá, lá, lá, iá
compositor: Silas de Oliveira
Mulher preguiçosa
Mulher dengosa, mulher
Você não passa de uma mulher, ai mulher
Mulher tão bacana e cheia de grana
Mulher, você não passa de uma mulher
Olha que moça bonita
Olhando pra moça, mimosa e faceira
Olhar dispersivo, anquinhas maneiras
Um prato feitinho pra garfo e colher
Eu lhe entendo menina
Buscando carinho de um modo qualquer
Porém, lhe afirmo que apesar de tudo
Você não passa de uma mulher, ai mulher
Olha moça inteligente
Que tem no batente um trabalho mental
Q.I. elevado e pós graduada
Psicanalizada e intelectual
Vive a procura de um mito
Pois não se adapta a um tipo qualquer
Porém, lhe afirmo que apesar de tudo
Você não passa de uma mulher, ai mulher …
Menina moça também é mulher, ai mulher
Pra ficar comigo tem que ser mulher
Fazer meu almoço e também meu café
E não há nada melhor do que uma mulher
Bem mulher
compositor: Martinho da Vila
No meu tempo de menino
Eu não passei vida boa
Não freqüentava a escola
Só porque andava à toa
E pra não perder meu tempo
Eu ficava na esquina
No jogo de cara e crôa
Cara e crôa cara e crôa
Cara e crôa cara e coroa
Naquele tempo existia
Derréis, vintém e tostão
Eu soltava o papagaio
E jogava meu pião
No domingo de manhã
Lá no sítio da Mangueira
Eu caçava passarinho
Armando baleeira
Baleeira, baleeira
Baleeira, atiradeira
Eu que fui menino pobre
E me criei na estrada
Carreguei frete na feira
Joguei lebre na calçada
Levei bilhete do rapaz pra namorada
Só não fui guia de cego
Ai ai oi oi
Mas fui craque na pelada
Na pelada, na pelada
Na pelada, na pelada
compositor: Edgar Ferreira
E ontem deu no jornal
Que a cachaça aumentou
Tiraram bosque de lá
Um prédio se levantou
Agora o sonho acabou
O som ficou devagar
A voz do Siro acabou
E a banda não vai tocar
A dor do mundo me bate, rebate
E foi só em mim que ela achou de doer
Inconstitucionalissimamente
Você foi embora sem que nem porque
E me coloco andando de banda
Batendo uma bola
Pagando pra ver
Só você me daria a dica
Da vida, sem grilo
Pra me socorrer
Nega, quero dengo
Pra mim
Só você me daria a dica
Da vida sem grilo
Pra me socorrer
compositores: Rildo Hora / Sérgio Cabral
Bendito, louvado seja
Bendito, louvado seja
Lá na roça, no mês de Maria (Bendito, louvado seja)
Festejamos de noite e de dia
Na barraca do Zebedeu
O leiloeiro sou eu
Então quando é noite de luar
Se ouve o cantador a cantar
E todo mês de Maria
Na roça temos alegria
Festejamos em todo o arraiá
Cantador cantando,
Crianças brincando,
Outros na capela de joelhos rezando
Vamos levando a vida
Que Deus do céu mandou
Agradecendo a vida
Que Deus do céu mandou
Que Deus do céu mandou, ô ô ô ô
Que Deus do céu mandou, ô ô ô ô
Que Deus do céu mandou, ô ô ô ô
Que Deus do céu mandou
Vou me embora já desta cidade
Vou pra roça buscar liberdade
Aqui nem posso respirar
Ai, que saudade de lá
Aqui se mata até por dinheiro
O povo da roça é mais maneiro
Lá a gente é mais gente
E a felicidade
Lá é total e permanente
Cantador cantando,
Violeiros tocando,
Outros na capela de joelhos rezando
Agradecendo a vida
Que Deus do céu mandou
Vamos levando a vida
Que Deus do céu mandou
Que Deus do céu mandou, ô ô ô ô
Que Deus do céu mandou, ô ô ô ô
Que Deus do céu mandou, ô ô ô ô
Que Deus do céu mandou
compositores: Candeia / Alvarenga
Pode sorrir se quiser
Eu não vou incomodar
Sei que contra a maré
A gente não pode remar
Agora sei a dor de uma ingratidão
Mas, a maré vai levar as mágoas
Do meu coração
Remo no barco da vida
Água bate, não me cansa
Sempre com a maré pesada
Sonhando com a maré mansa
Pescador já não se assusta
Com sorriso de sereia
E depois de maré baixa
Sempre vem a maré cheia
compositores: Paulinho da Viola / Martinho da Vila
Ô Vanina
Vanina bonita, bonita Vanina
Gente boa, gente fina
Vanina, queres saber
Vou te dizer
Minha bisavó era purinha bem limpinha
De Angola
O meu bisavô também purinho, bem limpinho
De Moçambique
Eu não sou branquinho, nem pretinho
A minha dona é moreninha
Eu tenho muitos mulatinhos
Salve! Salve!
Salve a mulatada brasileira!
Salve a mulatada brasileira, salve! salve!
Salve a mulatada brasileira!
José do Patrocínio
Aleijadinho
Machado de Assis que também era mulatinho
Salve a mulatada brasileira!
Salve a mulatada brasileira, salve! salve!
Salve a mulatada brasileira!
Je ne sais pás parle français
I don`t speak english even
Se é portunhol, se é criole ou Tupi
Aí ninguém entende nada
Eu só não entendo gente brigando
Se odiando depois do amor
É tão estranho, Vanina
Esse pavor que a vida traz
Gente com medo de Jesus e adorando o Satanás
Se o amor é lindo
A flor é bela
E a natureza sempre sorrindo
Vivo no mundo pra aprender
E nada sei pra ensinar
Só o que eu sei
Que eu sei fazer
É te querer, te sublimar
E te deixar em paz
Vanina linda, vanina linda
Lisboa linda
E a Porto infinda
Luanda é linda, ô Vanina, ô Vanina
Também Cabinda
E lá Dili, timor Leste
Serás bem – vinda ou bem – ida
Maputo é fina, ô Vanina, ô Vanina
E Petrolina, ô Vanina
E a nossa Rio de Janeiro, tão bonita
Maravilhinda
Serei menino só pra ti, menina
Nina, nina, nina, nina
Às vezes eu te vejo tão felina
Linda Vanina, ô divina, ô divina
Olinda é linda, ô Vanina, ô Vanina
Diamantina, ô Vanina
E a minha limpa Duas Barras pequenina
É mais que linda
Luanda é linda, ô Vanina, ô Vanina
Também Cabinda, ô Vanina
E lá Dili, Timor Leste
Serás bem – vinda ou bem – ida
Maputo é fina, ô Vanina
E Petrolina
E a nossa Rio de Janeiro, tão bonita
Maravilhinda
Salve a mulatada brasileira. . .
compositor: Martinho da Vila
O homem não é um animal
Mas é irracional
A verdade é verdadeira
E a mentira é mentirosa
Mentirosa
A mentira é mentirosa
Toda rosa é uma flor
Mas nem toda flor é uma rosa
Uma rosa
Só a rosa é uma rosa
E o homem não é animal
Mas é irracional
O homem não é um animal
Mas é irracional
Em terra de cego
Quem tem um olho é caolho
É caolho
Não é caolha, é caolho
E pra quem sabe ler
Um pingo é um pingo, não é letra
Não é letra
Pingo é pingo e letra é letra
E um homem não é um animal
Mas é irracional
O homem não é um animal
Mas é irracional
compositor: Martinho da Vila
Eu cresci no morro
E me criei na cidade
Saí do submundo
E penetrei no seio
Da alta sociedade
E Já hoje em dia
Pego o meu carro
E vou à boate
Banquete, coquetel
Não sou tatibitate
Tenho argumento
Pra qualquer bacharel
Mas, quando eu chego no morro
Calço o meu charlote
Dou o braço à escurinha
Tomo uma bebida quente
Na tendinha
No jogo de roda, eu esqueço da vida
Não é mole não, mas eu sou considerado
Pela turma que descamba
Pego o pandeiro e caio logo no samba
Já me disseram que eu sou um malandrão
Mas trabalho como um leão
compositor: Martinho da Vila
Eu quero entrar na folia
Meu bem
Você sabe lá o que é isto
Batutas de São José
Isto é parece que tem feitiço
Batutas tem atração que
Ninguém pode resistir
Um frevo desses que faz
Demais a gente se distinguir
Deixa o frevo rolar
Eu só quero saber
Se você vai ficar
Ai meu bem sem você
Não há carnaval
Vamos cair no passo
E a vida gozar
compositor: João Santiago
Se algum dia
Antes de dormir
Ao fumar um cigarro
Você refletir
E pensar no romance feliz
Que com você vivi
A cantar e a sorrir
Se na mente vier a melancolia
Que eu vivia sempre a murmurar
Se lembrar dos beijinhos no rosto
E de um gosto, o gosto de amar
Se a saudade invadir o seu peito
Jamais deve chorar ou sofrer
Foi o nosso romance desfeito
Mas terás um consolo ao saber
Que uma noite antes de dormir
Quando meu cigarro eu fumei
Uma grande saudade eu senti
E do nosso romance lembrei
compositor: Martinho da Vila
Desfila a Vila novamente incrementada
Desta vez tem Rio Grande na jogada
Com suas glórias e tradições
Suas histórias e seus brazões
Tem gaúcho lá dos pampas
Que não é de brincadeira
Estadista de renome
Lá nos deu esse torrão
Foi rainha da beleza
Farroupilha hospitaleira
É a terra da videira
Do churrasco e chimarrão
Vamos cantar
Gentes do meridião
Caminhando pela estrada
Sem espora e sem gibão
Toma conta do rebanho
Neguinho do pastoreiro
Sonha e canta o teu sonho
Na viola, o violeiro
E o gaúcho forasteiro
Contemplando um céu azul
Até o norte brasileiro
Vai cantando uma canção do sul
Vou-me embora, vou-me embora, prenda minha
Tenho muito o que fazer
Vou partir pra bem longe, prenda minha
Pro campo do bem-querer
compositor: Martinho da Vila