Eu não vou porque eu não sou de ir
Meu negócio foi sempre ficar
Mas não sou de ficar só aqui
Fico aqui e acolá
Meu coração é sulamericano
Mas eu tenho os meus pés no além-mar
Vai ou não vai…
Se tiver que ir, vou pro Nordeste
Me banhar em João Pessoa
Dar um cheiro na paraibinha
Feminina sim sinhô
Muito meiga, muito boa
Toda cheia de amor
Vai ou não vai…
Minha alma só quer voar
Nas asas da gaivota
Minha amiga é uma estrela
Meu amigo é um qualquer
Uma bíblia é Fernão Capelo
Minha deusa é uma mulher
Vai ou não vai…
Eu sou um cidadão pernambucano
Da cidade de Jaboatão
Bibarrense do Rio de Janeiro
Não preciso de auto-afirmação
Já passei da idade de Cristo
J”a estou na idade da razão
Meu negócio é um samba merengado
“Butiquim” e batida de limão
compositor: Martinho da Vila
Desperta do seu dique num mar de amor
E toma conta dp seu povo sofredor
Que oriundo das grandes nações do além-mar
Trouxeram tanta crendice pra cá
Trouxeram a cultura popular
Eu sei que você mora na Bahia
Mas cuida desse Rio de Janeiro
Que tem gente colorida
Se exibindo pro turista
Gente que mesmo sofrida
Cai no samba a noite inteira
Você conhece a mentalidade brasileira
Iemanjá! Iemanjá!
Iemanjá! Iemanjá!
Já mandei preparar o saveiro
Pra no dia dois de fevereiro
Lhe mandar presentes
Também muitas flores
Além de perfumes
Com muitos adores
E vai ter batuque pra lhe cultuar
Iemanjá
Iemanjá, desperta!
compositor: Martinho da Vila
Em Mangueira
Tristeza não faz moradia
O mangueirense não sabe
O que é a nostalgia
Ser mangueira
É uma tranquilidade
É o mesmo
Que empunhar uma bandeira
E viver a vida inteira
Cheia de felicidade
Ser mangueira é um prazer
Faz a gente envaidecer
Quem mora lá em Mangueira podes crer
É feliz eu lhe explico porque
Cantamos assim
Mangueira
Berço da poesia
O mundo inteiro canta
A sua melodia
compositor: Zagaia / Moacyr
Não sei se vou, não sei se fico
Se eu fico aqui, se eu fico lá
Se estou lá tenho que vir
Se estou aqui eu tenho que voltar
Oh! Meu São Paulo que progride tanto
Eu já te amo quase como o Rio
Porque tu sabes entender meu samba
E eu já gosto de sentir teu frio
Não sei se vou, não sei se fico
Se eu fico aqui, se eu fico lá
Se estou lá tenho que vir
Se estou aqui eu tenho que voltar
Em ti eu tenho um aliado certo
Na minha luta pra subsistir
Mas lá eu vejo o sol nascer de perto
E canto samba pra me divertir
Só a saudade é que me faz seguir
Estrada longa em dia de regresso
Vou lá pra Vila onde o samba é quente
Vou ver a mina lá em Bonsucesso
Vou pra Pilares rever minha gente
Depois eu volto correndo pra ti
Daqui pra li, dali pra qui
Daqui pra lá, de lá pra cá
De avião é daqui pra li
Pela estrada é de lá pra cá
Não sei se vou, não sei se fico
Se eu fico aqui, se eu fico lá
Se estou lá tenho que vir
Se estou aqui eu tenho que voltar
compositor: Martinho da Vila
Viu! Mamãe
Porque não posso assumir
Meu descaminho?
Viu! Papai
Porque não posso reencontrar
O meu caminho, ai
Pra que as cordas e correntes
Se eu já sei aonde tenho meu nariz
Tantos amigos e parentes
E eu assim tão infeliz
Vocês só pensam em noivado, casamento
Que tormento…
Vivem sonhando com aliança no meu dedo
Tenho medo, ai
Se bem lá dentro do meu ser
Há uma vontade muito grande
De viver
Viu papai?
Viu mamãe?
compositor: Martinho da Vila
Quero, quero, quero
Ah!
Quero, quero quero
Quero amar, quero amar
Quero ter um amor na vida
Com chegança, esperança
Sem desdita e sem partida
Ih!
Pra amar, pra amar
Pra amar essa mulher
Essa mulher é uma flor
Eu tenho os braços mais abertos
Que o Cristo Redentor
Ih!
Vou amar, vou amar
Vou amar essa menina
Nem que chova canivete
Nem que falte gasolina
Quero, quero
Quero, quero, quero
Quero cantar
Quero curtir e construir
Quero criar
Participar e discutir
Pra me desabafar
Sou errado, sou perfeito
Imperfeito, sou humano
Sou um cidadão dereito
Meu direito é soberano
compositor: Martinho da Vila
Pois é… pois é
Eu só sei dizer
Que o amor é lindo
Tão pequena e tão grande
Tão moderna e tão pura
Tão bonita
Tão perdida, tão segura
Tão negrice, tão brancura
Esquisita
Você é um som africano
Você é calor cuiabano
Vai e vem do mar sergipano
Você é a brisa
Você é vento batendo
Lá na Praia do Calhau
São Luiz do Maranhão
Você é pimenta
Quiabo e cachaça
Manteiga de garrafa
Carne-seca e pão
Pois é… pois é
Eu só sei dizer
Que o amor é lindo
Eu não vou ficar tão longe
Tão distante dos seus pelos
Vou voar pros seus cabelos
E vou lhe dar mamadeira
E então me banhar na lava
Do vulcão que existe em você
Eu quero lhe transar
Eu quero lhe curtir
Eu quero lhe entender
Pois é… pois é
Eu só sei dizer
Que o amor é lindo
compositor: Martinho da Vila
As festas, as festas…
Levam todo meu dinheiro,
As festas que existem o ano inteiro
A fraternidade universal
Mas depois vem fevereiro
E também gasto o meu dinheiro
Comprando a fantasia para o carnaval
As festas…
Depois do carnaval respeito também a quaresma
Vem o domingo Pascoal
E chega o mês de maio
Mês de Maria, com a comemoração
Do consagrado dia das mães
Aquela que é amor, ternura e abnegação
As festas…
Pra terminar o mês de maio
Ainda tenho a festa da coroação
E chego ao mês de junho
Com Santo Antonio, São João, São Pedro
E eu mantenho a tradição
Terminam as festas juninas, julho vai…
Em agosto eu dou de cara com o dia do papai
As festas…
No decorrer do mês de agosto
Eu tenho outras festas
Mas não gasto um tostão
Dizem que ele é o mês dos desgostos
Mas pra mim não traz desgostos não
Depois vem o mês de setembro
E das criancinhas me lembro
Eu dou doces para Cosme e Damião
As festas…
Depois do dia das crianças
Eu tenho um descanso afinal
Vejo a minha situação
Dou um balanço no meu capital
Depois vem o mês de dezembro
E de muitos presentes me lembro
É chegado o dia de Natal
As festas…
As festas, as festas
Levaram também o meu décimo terceiro
As festas que eu fiz durante
O ano inteiro
Por isso ando duro companheiro
compositor: Anezio
Madrugada
Brilha a aurora com afã
Bem gelada
Nasce alegre a manhã
Surge a chuva
Vem o vento
Um sol fosco
Eu lamento
Anoitece e depois
Vem um novo dia
Permanece em nós dois
A triste nostalgia
Como estranhos
Numa mesma rua
Que se cruzam
Sem falar
Como o sol
E a meiga lua
Que não podem
Se encontrar
Eu te vejo
Tu me vês
No lampejo
De um olhar
E a maldita timidez
Sempre a nos dominar
compositor: Martinho da Vila
Ngandalami ngandalami
Ku ngitombami
Ondofua-eu topia uá vulu kia
Ngala ni minami
Muene uala ni moné
Ngandalami topia
Mukonda ngalami
Ni mivu je
Eme nga kuka kia
Nga toba kana
Ki ngi kuata ngo
Ngondo benka mu manhero
O drama dos velhos
Para com a juventude
Atrevida e irriquieta
Nas peripécias
Condenam o ultrapassado
Cada velho a seu tempo
compositores: Bonga / Landa
Meu passado dá novela
Meu futuro dá enredo
Já joguei faca de ponta
Um segredo, um segredo
O passado causa medo
Ê Ceará, ê Fortaleza
Ê Morro Branco
Iracema, que beleza!
Eu nasci lá na Prainha
Onde a jangada vira
É lugar de cabra macho
E Afonso é testemunha
Testemunha
O Afonso é testemunha
Pois é velho companheiro
Ê Ceará, ê Fortaleza
Ê Iracema
Meu Iguape, que beleza!
Na Prainha só dá coco
E muita pimenta de cheiro
E no meio dos “coqueiro”
Moram os “home” verdadeiro
Companheiro
Menino no pé de coco
Tá cheirando a jangadeiro
Ê Ceará, ê Fortaleza
Ê meu Iguape
Iracema, que beleza!
Eu fui batizado em Aquiraz
Que já foi capital do Ceará
Batizado e não registrado
E meu nome não sei mais
Não sei mais
Não sei mais, Aquiraz
Não sei mais
Ê Cacheado, ê Cacheado, ê Cacheado!
O teu nome é Cacheado
Nesse nosso Mucuripe
Você foi rebatizado
Ê Cacheado
O teu nome é Cacheado