Canta, canta minha gente
Deixa a tristeza pra lá
Canta forte, canta alto
Que a vida vai melhorar
Cantem o samba de roda
O samba-canção e o samba rasgado
Cantem o samba de breque
O samba moderno e o samba quadrado
Cantem ciranda e frevo
O coco, maxixe, baião e xaxado
Mas não cantem essa moça bonita
Porque ela está com o marido do lado
Quem canta seus males espanta
Lá em cima do morro ou sambando no asfalto
Eu canto o samba-enredo
Um sambinha lento ou um partido alto
Há muito tempo não ouço
O tal do samba sincopado
Só não dá pra cantar mesmo
É vendo o sol nascer quadrado
compositor: Martinho da Vila
Eu quero
Me esconder debaixo
Dessa sua saia
Pra fugir do mundo
Pretendo
Também me embrenhar
No emaranhado
Desses seus cabelos
Preciso transfundir seu sangue
Pro meu coração que é tão vagabundo
Me deixa
Te trazer num dengo
Pra num cafuné
Fazer os meus apelos
Eu quero
Ser exorcizado
Pela água benta
Desse olhar infindo
Que bom é ser fotografado
Mas pelas retinas
Desses olhos lindos
Me deixe hipnotizado
Pra acabar de vez
Com essa disritmia
Vem logo
Vem curar seu nego
Que chegou de porre
Lá da boemia
compositor: Martinho da Vila
Este sambinha que eu fiz
Numa noite que eu vinha bastante feliz
Pois havia passado umas horas ao seu lado
E a nossa saudade havia se escasseado
O nosso amor ninguém entende
É um fogo cruzado, é um dente por dente
Uma chama que a cada dia se acende
É um peso pesado, é a força da mente
Um amor descontraído
Como o qual ninguém viveu
É a façanha de cúpido
Que pra seu alvo nos escolheu
Mas juro
Pela nossa amizade pelo criador
Minha força em seus braços
Se torna em fracasso
Quando eu passo contigo umas horas de amor
Este sambinha…
compositor: Martinho da Vila
Tribo dos carajás
Noite de lua cheia
Aruanã!
Menina moça é que manda na aldeia
A tribo dança e o grande chefe pensa
Em sua gente
Que era dona deste imenso continente
Onde sonhou sempre viver da natureza
Respeitando o céu
Respirando o ar
Pescando nos rios
E com medo do mar
Estranhamente o homem branco chegou
Pra construir, pra progredir, pra desbravar
E o índio cantou
O seu canto de guerra
Não se escravizou
Mas está sumindo da face da Terra
Aruanã! Aruanã açu
É a grande festa
De um povo do alto – Xigu
compositor: Martinho da Vila
A lua vem surgindo cor de prata
No alto da montanha verdejante
A lira do cantor em serenata
Reclama da janela a sua amante
Ao som da melodia apaixonada
Das cordas do sonoro violão
Confessa o seresteiro à sua amada
O que dentro lhe dita o coração
Ó; linda imagem de mulher
Que me seduz
Ah! Se eu pudesse
Tu estarias num altar
És a rainha dos meus sonhos
És a luz
És malandrinha, não precisas trabalhar
Acorda, minha bela namorada
A lua nos convida a passear
Seus raios iluminam toda a estrada
Por onde nós havemos de passar
A rua está deserta, ó vem querida
Ouvir bem junto a mim
O som do pinho
E quando a madrugada já surgida
Os pombos voltarão para os seus ninhos
compositor: Freire Junior
Vamos renascer das cinzas
Plantar de novo o arvoredo
Bom calor nas mãos unidas
Na cabeça de um grande enredo
Ala de compositores
Mandando o samba no terreiro
Cabrocha sambando
Cuíca roncando
Viola e pandeiro
No meio da quadra
Pela madrugada
Um senhor partideiro
Sambar na avenida
De azul e branco
É o nosso papel
Mostrando pro povo
Que o berço do samba
É em Vila Isabel
Tão bonita a nossa escola!
E é tão bom cantarolar
La, la, iá, iá, iá, iá, ra iá
La, ra, iá
compositor: Martinho da Vila
Ô patrão
Ô patrão
Ô patrão, prenda seu gado
Na lavra tem um ditado
Quem mata gado é jurado
Missa de padra é latim
Rapaz solteiro é letrado
Em vim preso da Bahia
Só porque era namorado
Madame Diê, lalá
Samba ioiô, samba iaiá
Que o dia e vem, doná
Eu bem sei
Eu bem sei
Eu bem sei que fui culpado
De vir preso da Bahia
Só porque fui namorado
Vou tirar meu passaporte
Meu camarote de proa
Eu aqui não vou ficar
Vou-me embora pra Lisboa
Senhorita vai ver, doná
Samba ioiô, samba iaiá
Que o dia e vem, doná
Ô, Joana, ô Maria,
Saruê pra que trabalha
No pescoço da cutia
No pavilhão, da atalaia
Era hoje, era ontem, era donte
Era donte, era ontem, era hoje
Sinhazinha mandou me chamá
Corri quatro cantos
Balão de iaiá
Balão ê, balão á
compositor: Donga / Pixinguinha / João da Baiana
Nesta praia de sol tão intenso
Tanta gente a se bronzear
Onde há branco querendo ser preto
E mulato querendo esnobar
Eu olhando pra onda que vai
Penso logo nas praias de além-mar
De além-mar, de além mar
Vem, vem, vem
Nego
Vem pra minha terra
Ser igual a branco
Em qualquer cidade
Vem tentar um banco
De universidade
Vem, vem
Trabalhar nos campos
Ver os pirilampos
E tocar viola abessa
Vem, vem
Lutar pela vida
Sambar na avenida
Ah! Nego
Vem depressa
Vem, vem
Lutar pela vida
Sambar na avenida
Ah, nego
Vem depressa
compositor: Martinho da Vila
Eu quis namorar a pobre
Pobretão não quis deixar
Só queria moço rico
Pra com ela namorar
Eu quis namorar a rica
Henricão não quis deixar
Pois sonhou com moço nobre
Pra com ela se casar
Tentei namorar a preta
O negão não quis deixar
Tinha que ser moço louro
Pra poder chegar pra lá
Tentei namorar a loira
Seu loiro não quis deixar
Tinha que ser bem moreno
Pra poder miscigenar
Tô sem consolo
Ninguém vem me consolar
Vou cantando meu calango
Que é pra vida melhorar
O meu calango
Até a vida melhorar
E minha única alegria é ver o Vasco jogar
Minha alegria
É ver o Vasco jogar
Eu tô cansado da derrota
Mas não vou me entregar
É de derrota
Mas não vou me entregar
E se a morte é um descanso
Eu não quero descansar
compositor: Martinho da Vila
Já caçou bem-te-vi
Insitiu no sofrê
É o diabo
Gaiolou curió
E calou o mainá
É o diabo
Segurou com o visgo da jaca
Cambaxirra, coleiro cantor
Tal e qual me prendeu a morena dendê
No amor…
São Francisco, amigo da mata
Justiceiro, viveiro quebrou
Mas não viu que a morena maltrata e me faz sofredor
Minha terra tem sapê, arueira
Onde canta o sabiá
E a morena quer me ver na poeira
E sem asa prá voar
compositores: Rildo Hora / Sergio Cabral
Viajando
Em grandes alturas
Uma nuvem
Traz você a mim
Chegando
Em lugar distante
No primeiro instante
Fica logo assim
Assim, assim
Com saudades
Me lembrando
Vou sempre amando você
Me lembrando, me lembrando
Vou sempre amando você
Você, você
Lhe beijo
Onde amor eu faço
Lhe vejo
No primeiro olhar
Lhe abraço
Em qualquer abraço
Lhe sinto
Em tudo que há
Que há, que há
Eu vou
Me lembrando, me lembrando
Vou sempre amando você
Me lembrando, me lembrando
Vou sempre amando você
Você… você
compositor: Martinho da Vila
O sino da Igrejinha
Faz belém blem blam
Deu meia-noite
O galo já cantou
Seu tranca rua
Que é dono da gira
Oi corre gira
Que ogum mandou
Tem pena dele
Benedito tenha dó
Ele é filho de Zambi
Ô São Benedito tenha dó
Tem pena dele Nanã
Tenha dó
Ele é filho de Zambi
Ô Zambi tenha dó
Foi numa tarde serena
Lá nas matas da Jurema
Que eu vi o caboclo bradar
Quiô
Quiô, quiô, quiô, quiera
Sua mata está em festa
Saravá seu mata virgem
Que ele é rei da floresta
Quiô
Quiô, quiô, quiô, quiera
Sua mata está em festa
Saravá seu cachoeira
Que ele é rei da floresta
Vestimenta de caboclo
É samambaia
É samambaia, é samambaia
Saia caboclo
Não me atrapalha
Saia do meio
Da samambaia