Aluguei a casa um da vila
Meu amigo mora em frente
E a mulher desse amigo
Anda arranjando tempo quente
Senta a me provocar
Olha a me conquistar
Sorri a me convidar
Até um cego pode notar
Eu sinto sede
Eu sinto fome
Mas, mulher de amigo meu
Pra mim é homem
Nega sai do meu pé
Vá quando quiser
Pra você não falta homem
Pra mim não falta mulher
Essa nega pra ser minha
Vai ter muito que sofrer
Apanhar quando merece
Apanhar sem merecer
Quero essa mulher
Assim mesmo
Mal falada, embriagada
Se você não me queria
Na devia me procurar
Não devia me iludir
Nem deixar eu me apaixonar
Eu vou lhe dar a decisão
Botei na balança você
Não pesou
Passei na peneira
Você não passou
Mora na filosofia
Pra que rimar
Amor e dor
Eu não sou água
Pra me tratares assim
Só na hora da sede
É que procuras por mim
A fonte secou
Quero dizer
Que entre nós
Tudo acabou
Sabão, pedacinho assim
A água um pinguinho assim
O tanque, um tanquinho assim
E a roupa, um tantão assim
Para lavar a roupa
Da minha sinhá
Trabalho um tantão assim
Cansaço é bastante sim
A roupa um tantão assim
Pra lavar a roupa
Da minha sinhá
Pra secar a roupa
Da minha sinhá
compositores: Monsueto e parceiros
O samba é a felicidade
Arranca do peito a canção
A canção leva a saudade
E faz da saudade, paixão
Na vida surge a tristeza
Que o triste resiste a cantar
É fortuna que a pobreza
Passa na vida a esbanjar
Por isso eu canto agora
Comigo cantam vocês
Meu samba chegou a hora
Meu samba chegou sua vez
Levanta e vence a batalha
É um novo herói que se fez
Se fez ao chegar a sua hora
Se fez ao chegar a sua vez
O samba embala a criança
Que adormece a cantar
Sonhando com paz e, esperança
Desperta feliz pra lutar
Lutar nas trincheiras do mundo
Armado da voz e coragem
Se tomba cansado ou ferido
Seu povo lhe vem em miragem
Por isso eu canto agora
Comigo cantam vocês
Meu samba chegou a hora
Meu samba chegou sua vez
Por isso eu canto agora …
compositores: Gemeu / Paulinho / Aílton
Não chora meu amor, não chora
Não chora porque seu amor não vai embora
Português lhe diz não chore
Porém, eu digo não chora
Sua mãe diz não namore
Mas, eu digo me namore
Você diz pra voltar cedo
Eu só chego ao romper da aurora
Não chora meu amor …
Já é hora vou me embora
Quero ficar, mas eu vou
Vou levar o meu pandeiro
Vou levar meu agogô
Vou levar a minha cuíca
Vou levar meu afoxé
Se sobrar uma graninha
Eu trago um presente pra você
Não chora meu amor …
Aqui já não tem mais bonde
Vou em outra condução
A batalha é bem longe
Eu vou pegar meu avião
Tome conta do que eu deixo
Feche a janela e a porta
A saudade me maltrata
A saudade me conforta
compositor: Martinho da Vila
À meia hora de Santo Antônio
A um quarto da lua cheia surgiu
O Antonico
Tão bonito o Antonico
Um cigarro apagou
Uma luz acendeu azul
É homem
É o Antonico, é tão bonito
É tão bonito o Antonico
É tão bonito
É o Pedro, Pedrinho
João, Joãozinho
O Tonho, Toinho
É o Antoninho
Tão bonito o Antonico
Anda Antonico
Mama Antonico
Não chora Antonico
Dorme Antonico
Acorda Antonico
Desperta
Que é tão bonito o dia nascendo
É tão bonito, é tão bonito
O vermelho da tarde lá no céu
É tão bonito
Jangada chegando, lá do mar
É tão bonito
Fogueira queimando
É tão bonito, é tão bonito
O vermelho da tarde lá no céu
É tão bonito
Jangada chegando, lá do mar
É tão bonito
Fogueira queimando
É tão bonito, é tão bonito
E a Katia sambando
E tão bonito o Antonico
É tão bonito
É tão bonito
É tão bonito
compositor: Martinho da Vila
Tudo que quiseres
Te darei ó flor
Menos o meu amor
Darei carinho
Se tiveres necessidade
E peço a Deus para lhe dar
Muita felicidade
Infelizmente
Só não posso ter-te
Para mim
Coisas da vida
É mesmo assim
Embora saiba
Que me tens tão grande adoração
Eu sigo a ordem
E essa é dada por meu coração
Neste romance
Existem lances sensacionais
Mas te dar meu amor, jamais
A gente ama verdadeiramente
Uma vez
Outras são puras fantasias
Digo com nitidez
Mas, uma história de linguagens
Sensíveis e reais
O que quiseres
Mas, o meu amor, jamais
Tudo que quiseres
compositor: Monarco / Walter Rosa
Re, re, re, re, re, quem
Re re quengue
Re, requengue, requenguela
Essa mina era jóia
Essa mina era bela
Mas, agora está
Requenguela
Requenguela, agora ela está
Requenguela
Ela era gordinha
Bem rechonchudinha
Mas, agora está
Que é só costela
Requenguela, agora está
Requenguela
Re, re, re …
Esnobava todo mundo
Quando deixou a favela
Requenguela, agora ela está
Requenguela
Já não tem dente na boca
Porque já ficou banguela
Requenguela, agora ela está
Requenguela
Sua voz já ficou rouca
Já não tem mais som
Na goela
Requenguela agora ela está
Requenguela
Re, re, re …
compositor: Martinho da Vila
O chefe da polícia
Pelo telefone
Mandou me avisar
Que na Carioca
Tem uma roleta
Para se jogar
Ai, ai, ai,
Deixa as mágoas para trás, ô rapaz
Ai, ai, ai
Fica triste se és capaz e verás
compositores: Donga / Mauro de Almeida
Ai, nêga, nêga, nêga
Tão cansado, irritado
Ao sair do meu trabalho
Encontrei com o caveira
O caveira nêga, o caveira
Empunhando a promissória
Que venceu na quarta-feira
O caveira nêga, o caveira nêga
O caveira nêga, ô ô ô
Ai nêga, nêga, nêga, chega
Não me venha com chamego
Que ao sair do emprego
Dei de cara com o caveira
Qual caveira nêgo, qual caveira
Todo cara que eu devo
Na minha frente é um caveira
O caveira nêga, o caveira nêga
O caveira nêga, ô ô ô
Nesse meu raciocínio
Quando vence o condomínio
O porteiro é uma caveira
Um caveira nêga, um caveira
Aluguel tão atrasado
Fico muito assustado
Senhorio é uma caveira
Um caveira nêga, um caveira
Juro por São Benedito
Creio em Nossa Senhora
Que ainda vai chegar o dia
Que ainda vai chegar a hora
Que eu vou ficar tranqüilo
Você vai ficar contente
Espantando essas caveiras
Que estão na nossa frente
O caveira nêga, o caveira nêga
O caveira nêga, ô ô ô
compositor: Martinho da Vila
Beto Navalha, sujeito malvado
Muito respeitado
Aonde morava
Lá na Matriz a vida por um triz
Vida que eu falo
É força de expressão
Pois não se vive direito
Com ódio no peito e armas na mão
E entra ano e sai ano
E o Beto tirando
De todos tirava
Até que um dia, um tal Tião
Que a opressão já não mais suportava
Chegou pra Beto e desafiou
Vamos brigar que hoje é tudo ou nada
Partiu sem medo e pagou pra ver
Gritou bem forte quero é mais
Certo é que Beto morreu
E a gente do morro
Não tem medo mais não
Não tem medo mais
compositor: João Nogueira
Sou um laranjeiro
Com meu tabuleiro
Vou vendendo
Laranja pêra
Laranja lima
Laranja seleta
E tangerina
Quem quiser
Comprar em mim
Eu vou vendendo
A madame chegou lá na feira
Com bolsa pesada e levando criança
Entregou a bolsa pro João Carreteiro
Que era menino de confiança
Quem quiser
Comprar de mim
Eu vou vendendo
A madame chegou lá na feira
Comprando caqui
Pechinchou lá e acolá
Mas acabou
Comprando aqui
Quem quiser
Comprar de mim
Eu vou vendendo
A madame chegou lá na feira
Com bolsa pesada e levando criança
Madame é bonita, a filha é bacana
Mas a empregada mais enxuta
compositores: Murilão / Martinho da Vila
Dialeto Quimbundo
Tradução
Munami Zeca: “Meu Filho José, não saia de casa, há muito perigo nas ruas. Se você ficar, sei que vamos amanhecer juntos. Mas como sei que quando eu adormecer você vai sair, peço a Nazambe, Deus, para trazê-lo de volta inteiro”.
Marimbondo: “O menino foi ao museque (favela de lá). Os marimbondos incharam-lhe a cara. Ai, ai, ai, messunguê, polonguê: minha cara empolou. Ele volta correndo pra casa, certo de que vai levar uma surra da mãe, e mais tarde, talvez, outra do pai”.
Mama Lala: “Rainha dos Invejados”, é um bloco de rua, inimigo do grupo Cidrália (espécie de Cacique de Ramos versus Bafo da Onça, no Rio)
Adaptação: Martinho da Vila
Estais bonita
Nesse alto de colina
Tão feminina
Como a brisa da manhã
Por toda a noite
Dominaste o firmamento
E um punhado de estrelas
Ajudou-te a governar
Mas, eu lamento
Teu reinado já termina
E essa colina
Tá aí pra te abrigar
Vá pra outras terras
Minha formosa Jaci
Ou te escondes atrás da serra
Porque o rei é o Guaraci
Pra trás da serra
Guaraci já vem aí