Balança povo que uma noite não é nada
Esse sambinha é da madrugada
Quem tem grana pega o carro
E vai a cem pela estrada
Quem não tem vai caminhando
Sempre a pé pela picada
Que não tem o seu iate
Sobe o rio de jangada
Balança povo…
Quem tem fome come muito
Mas, há quem não come nada
Esse sambinha é da madrugada
Nordestino se diverte
Com sanfona enfeitada
Esse sambinha é da madrugada
Eu afogo as minhas mágoas
Na avenida iluminada
Esse sambinha é da madrugada
Balança povo …
compositor: Martinho da Vila
Xô, chuva miúda, miudinha xô
Xô, vento gelado, geladinho, xô
Xô, dona saudade doidinha, xô
Estou sozinho sem o meu amor
Que me magoou, nada me explicou
Me abandonou nunca mais voltou
Chuvinha, xô, xô
Ventinho, xô, xô
Saudade xô
Que eu quero cantar
Que eu quero dançar
Que eu quero beber
No sol me aquecer
Me banhar no mar
Eu quero viver
Pois eu vou morrer
Sem saber por quê
Meu amor se foi
Nunca mais voltou
Nada me explicou, xô, xô
Nunca mais voltou, xô, xô
Saudade xô, xô
compositor: Martinho da Vila
Tô cansado, trabalhei
O dia inteiro
Pra ganhar algum dinheiro
Sustentar
Minha família
Minha prole é muito grande
Tenho filhos, tenho filhas
A lida da vida me irrita
De nervos eu sou uma pilha
Mas, na outra encarnação
Eu vou voltar mulher
Dormir cedo, acordar tarde
História em quadrinhos na mão
Uma casa bem cuidada
Empregadas demais pra cuidar dela
E eu vou viver vendo novela
Em cores na televisão
compositor: Martinho da Vila
Quem lhe disse que chorei?
Quando você partiu
Nem uma lágrima correu
Esse alguém mentiu
Pra que chorar, eu não
Motivo eu não vejo
Até gostei, quando você partiu
Pois era o meu desejo
Amar você, eu não
Pedir perdão, porque?
Quem errou
Foi você
Escute meu conselho
Procure um outro alguém
Não faça caso
Seja feliz, meu bem
compositor: Antônio Grande
Não desfrutei do seu amor
Não calculou a minha dor
Não penetrei no seu eu
Não fiz chover no seu interior
Falei, falei
Não se comoveu
Argumentei
Não convenci
Me conformei
Você passou
Alguém surgiu
E o seu olhar se marejou
Marejou, oh, marejou
Marejou, oh, marejou
Quando nos viu, o seu rostinho
Se molhou
compositor: Martinho da Vila
Se a dona da casa deixar, deixar, deixar
Se a dona da casa deixar, deixar, deixar
Eu cheguei para o café
E vou ficar para almoçar
Se a dona da casa deixar, deixar, deixar
Se a dona da casa deixar, deixar, deixar
Já que filei o almoço
Vou ficar para o jantar
Se a dona da casa deixar, deixar, deixar
Se a dona da casa deixar, deixar, deixar
E se tiver cama macia
Por aqui eu vou ficar
Se a dona da casa deixar, deixar, deixar
Se a dona da casa deixar, deixar, deixar
Mas menina bonitinha da cara engraçadinha
Seu cabelo é bom
Seu cabelo é bom demais
Seu cabelo é bom
Seu cabelo é bom de lado
Seu cabelo é bom
Seu cabelo é alisado
Seu cabelo é bom
Mas que cabelo arrepiado
Seu cabelo é bom
Seu cabelo é bom
Seu cabelo é bom demais
Seu cabelo é bom
Se essa mulher fosse minha
Eu tirava do samba já, já
Dava uma surra nela
Que ela gritava, chega!
Chega!
Oh, meu amor
Eu vou-me embora da roda de samba
Eu vou
Dana Maria das couves
O que houve, o que que há
Tá faltando uma birita
Pra todo mundo tomar
Dona Maria da couve
O que que houve, o que que há
Saiu cedo do colégio
Pra poder me namorar
Chuchu beleza
Na casa da Anabela
Me deram de sobremesa
Batata com costela
Ora, nega de Bento Ribeiro
Cadê o dinheiro que me prometeu?
Eu morreria de fome
Se fosse esperar pelo dinheiro seu
compositor: João da Baiana Adaptação: Martinho da Vila
Batuque na cozinha
Sinhá não quer
Por causa do batuque
Eu queimei o pé
Então não bula na cumbuca
Não me espante o rato
Se o branco tem ciúme
Que dirá o mulato
Eu fui na cozinha
Pra ver uma cebola
E o branco com ciúme
De uma tal crioula
Deixei a cebola, peguei a batata
E o branco com ciúme de uma tal mulata
Peguei o balaio pra medir a farinha
E o branco com ciúme de uma tal branquinha
Batuque na cozinha…
Eu fui na cozinha pra tomar o café
E o malandro ta de olho na minha mulher
Mas, comigo eu apelei pra desarmonia
E fomos direto pra delegacia
Seu comissário foi dizendo com altivez
E da casa de cômodos da tal Inês
Revistem os dois, botem no xadrez
Malandro comigo não tem vez
Batuque na cozinha …
Mas seu comissário
Eu estou com razão
Eu não moro na casa de arrumação
Eu fui apanhar o meu violão
Que estava empanhado com Salomão
Eu pago a fiança com satisfação
Mas não me bota no xadrez
Com esse malandrão
Que faltou com respeito a um cidadão
Que é Paraíba do Norte, Maranhão
Batuque na cozinha …
compositor: João da Baiana
Cheguei no samba agora
Mas encontrei, sambando a Maria da hora
Cheguei, cheguei tarde no samba
Mas encontrei, Maria neguinha bamba
Eu chamei a Maria
Vêm cá! Eu quero sambar
Com o seu requebrado, em particular
A Maria mandou descansar minha moringa
Eu aí pensando nela
Enchi a cara de pinga
compositor: Martinho da Vila
Aprendeu-se a liberdade
Combatendo em Guararapes
Entre flechas e tacapes
Facas, fuzis e canhões
Brasileiros irmanados
Sem senhores, sem senzala
E a Senhora dos Prazeres
Transformando pedra em bala
Bom Nassau já foi embora
Fez-se a revolução
E a festa da Pitomba é a reconstituição
Jangadas ao mar
Pra buscar lagosta
Pra levar pra festa
Em Jaboatão
Vamos preparar
Lindos mamulengos
Pra comemorar a libertação
E lá vem maracatu, bumba-meu-boi, vaquejada
Cantorias e fandangos
Maculelê, marujada
Cirandeiro, cirandeiro
Sua hora é chegada
Vem cantar esta ciranda
Pois a roda está formada
Cirandeiro
Cirandeiro, Ó
A pedra do seu anel
Brilha mais do que o sol
compositor: Martinho da Vila
O homem tem dois olhares
Um enxerga, e o outro que vê
Um enxerga, e o outro que vê
Tem o olho da maldade
E o olho da piedade
Tem que ter
Olho bem grande
Pra poder sobreviver
Jubiabá, Ô Jubiabá
Faz o feitiço bem feito
Pra minha nega voltar
No morro do Capa Negro
Quero lhe cambonear
Se secar o olho da maldade
O homem vai sofrer
Sem entender, a ruindade do mundo
Que o seu lado bom vai ver
E sem seu olho da piedade
Vai fazer gente sofrer, magoar, ferir
Sem refletir, e bem mais cedo
Vai desencarnar, subir
É a lei de Jubiabá
Ô Jubiabá
Faz o feitiço bem feito
Pra minha nega voltar
No morro do Capa-Negro
Quero lhe cambonear
Quero meus olhos abertos
Quero bem longe enxergar
Vendo o errado e o certo
Posso diferenciar
No morro do Capa-Negro
Quero lhe cambonear
Jubiabá, Ô Jubiabá
Faz o feitiço bem feito
Pra minha nega voltar
compositor: Martinho da Vila
Numa noite colorida
De alegria iluminada
Vem a mente da passista
A lembrança de um sambista
Que partiu de madrugada
Madrugada, madrugada
De um outro carnaval
E uma lágrima sentida
De tristeza bem marcada
Vai caindo de mansinho
Inundando o rostinho
Da cabrocha mergulhada
Na lembrança de uma outra
Madrugada tão igual
Mas o surdo o toca alto no desfile
Dispersando os pesares da passista
Magistral
É o samba espantando a tristeza
É seus passos com destreza
Empolgando o pessoal
E ela canta e ela encanta
Sentindo toda a alegria
De um desfile principal
Sem afastar a lembrança
De um amor de carnaval
compositor: Martinho da Vila
Calango longo
No calango tem branquinha
Se meu pai foi calangueiro
Também vou calanguear
Seguro branco
Na cintura da pretinha
Deite a cabeça no ombro
E deixe o corpo balançar
Minha mãezinha
Que já está com sessentinha
Vou cantar essa modinha
Pra senhora se lembrar
Daquele tempo
Que vivia lá na roça
Com uma filha na barriga
E com o Martinho pra criar
Sou partideiro
Calangueiro e cirandeiro
E só não fui sanfoneiro
Por preguiça de tocar
Sou amarrado
Nesse som da minha terra
Vou lá pro alto da serra
Com você calanguear
Menininha
Bonitinha
Vem comigo que você vai gostar
Vê se mora no som desse calango
E vê logo que é bom de se dançar
Meu neguinho, vamos embora
Já e hora de se mandar
Amanhã eu vou ter que acordar cedo
E bem cedo vou ter que trabalhar
Minha gente sertaneja
Dá licença pro sambista falar
Eu botei contrabaixo no calango
Mas juro que foi pra melhorar
Meu neguinho vamos embora
Já é hora de se mandar
Ta faltando sanfona no calango
Mas mestre Chiquinho já foi buscar