Segure tudo que for conquistado
Segure tudo que não for de mais
Segure o braço do seu namorado
Segure a menina rapaz
Assegure um amor sem despedida
Dando amor e lealdade
Pra não terminar a vida
No tal bloco da saudade
Assegure o pão de cada dia
Trabalhando com vontade
Segura, segura, segura, não larga
Essa tal felicidade avareza é um defeito
Você nunca foi assim
Eu também tenho direito
De tocar meu tamborim
Segure
compositor: Martinho da Vila
Não tenho dinheiro
Só tenho pandeiro e viola
Mas vem depressa pro meu samba
Que ele consola
Menina, pra que desamor
Veja quanta beleza
O samba assim como a flor
Também é natureza
Camafeu
Cadê Maria de São Pedro
Foi passear e o passeio de Maria
Fez a Bahia chorar
Maria foi lá pra longe
Maria não vai voltar
Mas deixou sua família
Pra seu nome cuidar
Naná i naná
Naná i naná
Naná i naná
Jacira naná i ná
Camafeu
Cadê pastinha
Tá com oitenta pra lá
Inda joga capoeira
Com quem tem vinte pra cá
Encontrei com menininha
Perto do seu casuá
La la la i lá
La la la i lá
La la la i lá
Camafeu
Cadê você
Tô em todo lugar
Só vendendo bugiganga
No mercado popular
Seu mercado está fechado
Pego o banco e vou pescar
Samba no mar
Samba no mar
Samba no mar da Bahia
Samba no mar
compositor: Martinho da Vila
Se depender de mim
Para você viver
Pode encomendar o seu caixão
Não lhe darei
Uma colher de chá
Enquanto eu me lembrar da traição
Que você me fez, sem eu merecer
Dando muito que falar
Porém, no entanto
Nem derramo pranto
Quando tenho que me lembrar
Da ingratidão que você me fez
Dando muito o que falar
Porém, no entanto
Nem derramo pranto
Quando tenho que me lembrar
Todo mundo podia me fazer
Ingratidão
Menos você
Pois eu sempre lhe tratei legal
Dispensei-lhe grande consideração
No entanto, você fez o que me fez
Deixando grande mágoa no meu coração
compositor: Cabana
No meu dia final
Queira Deus faça noite de lua
Violões, tamborins e pandeiros
Soluçando no meio da rua
Quero ter no meu dia final
Carnaval, carnaval, carnaval
Meus amigos, não chorem por mim
Só o samba não pode acabar
Quero o povo na rua cantando
Laraiá, laraiá, laraiá
compositor: Ataulfo Alves
Menina moça vai passear
Vai passear iá, iá
Quer rapaizinho pra acompanhar
Pra acompanhar, iá, iá
Tá passeando já quer fletar
Já quer fletar iá, iá
Quem tá flertando que namorar
Quer namorar iá, iá
Tá namorando já quer noivar
Já quer noivar iá, iá
Moça esta noiva quer se casar
Quer se casar iá, iá
Se está casada só quer brigar
Só quer brigar iá, iá
Quem tá brigando quer desquitar
Quer desquitar iá, iá
Tá desquitada quer se amigar
Quer se amigar iá, iá
Tá amigada quer separar
Quer separar iá, iá
Tá separada não quer amar
Não quer amar iá, iá
Não tá amando só quer chorar
Só quer chorar iá, iá
Só quer chorar, chorar
Ai não chora menina
Para que chorar
Oi levante a cabeça
E vá se consolar
Esta vida é cumprida
E você tão querida
Eu preciso do amor
Que você tem pra dar
Vamos cantar, cantar
Lara lara lara
Vamos cantar, cantar
Lara laiá, lara laiá
compositor: Martinho da Vila
Quem quiser pegar na minha viola
Pode crer que vai se dar mal
Minha viola é de madeira-de-lei
Não é qualquer qualidade de pau
Quanto mais apanha sereno
O som da viola melhora
Quando eu entro no partido
Eu vou até o romper da aurora
É maçaranduba, moço
Maçaranduba ia, iá
Madeira dura que não quebra
E nem dá pra rachar
Já cantei muito samba
Eu já fui batuqueiro
E na roda de samba
Fui diretor de terreiro
Fui chamado pra cantar
Com o Pedro da Malaquia
Cantei sexta, sábado
Domingo até meio-dia
Tem areia, o, tem areia
Tem areia, o, tem areia
Tem areia no fundo do mar, tem areia
Tem areia no fundo do mar, tem areia
Poeira, poeira
O samba vai levantar poeira
Poeira, poeira
O samba vai levantar poeira
Miquilina, moça bela
Miquilina, moça fina
Desfilava na Portela
E também no Tupi de Brás de Pina
Quero ver quebrar
Quero ver quebrar
Quero ver quebrar
Eu quero ver
Todo mundo sambando
Eu quero ver
Todo mundo sambar
compositores: Recordações de um Batuqueiro: Xangô da Mangueira / J.Gomes Misticismo da África ao Brasil: Mário Pereira / João Galvão / Wilmar Costa Lapa em Três Tempos: Ary do Cavaco / Rubens Poeira: Zuzuca Cadê Miguelina: Tião Fuleiro / Wilson Diabo Quero Ver Quebrar: Martinho da Vila
Se levo a vida
Como ela é
Não vou querer
Quem não me quer
Já não existe
Tranqüilidade
Para você, felicidade
Recordações, não quero ter
Não vou lhe dar esse prazer
Nem vou viver na solidão
Sei que vou ter paz
No coração
compositor: Darci da Mangueira
Aqui na terra
Cada um faz o que pode
Quem podem pode
Quem não pode se sacode
Se eu vivo mal
Se eu vivo bem
Ninguém com isso
Nada tem
Pois minha vida
Não é da conta de ninguém
O melhor jeito é a lei de murici
Cada um trata de si
Pra sair tudo perfeito
O seu bacana não engana
E gasta grana como o que
Mas quem é pobre já descobre
Um outro modo de viver
Se o Maneco do boteco faz chaveco
Eu não vou dizer
Mas telecoteco
No meu samba tem que ter
compositor: Martinho da Vila
Viu
Quanta coisa linda
Você e eu sentimos
Sobre este luar
Dentro do silêncio
Que a noite fazia
Pelo nosso amor
Viu
Como os nossos olhos
Foram se entregando
E se integraram
Na linguagem pura
Que os olhos ditam
Pelo coração
Viu
Como o mundo inteiro
Ficou pequeno
E em nossas mãos
Virou veneno
Que a noite bebeu
Pelo nosso amor, nosso amor
Viu
Como basta pouco
Para amar-se muito
Um luar bonito
Uma noite quieta
E o olhar tão puro
Deste nosso olhar
compositor: Sérgio Ricardo
Era o tempo do rei
Quando aqui, chegou
Um modesto casal feliz pelo recente amor
Leonardo, tornando-se meirinho
Deu a Maria Hortaliça um novo lar
Um pouco de conforto e de carinho
Dessa união, nasceu
Um lindo varão
Que recebeu o mesmo nome do seu pai
Personagem central da história que contamos neste carnaval
Mas um dia Maria
Fez a Leonardo uma ingratidão
Mostrando que não era uma boa companheira
Provocou a separação
Foi assim que o padrinho passou
A ser do menino tutor
A quem lhe deu toda dedicação
Sofrendo uma grande desilusão
Outra figura importante em sua vida
Foi a comadre parteira popular
Diziam que benziam de quebranto
A beata mais famosa do lugar
Havia nesse tempo aqui no Rio
Tipos que devemos mencionar
Chico Juca, era mestre em valentia
E por todos se fazia, respeitar
O reverendo amante da cigana
Preso pelo Vidigal
O justiceiro
Homem de grande autoridade
Que à frente dos seus granadeiros
Era temido pelo povo da cidade
Luisinha primeiro amor
Que Leonardo conheceu
E que Dona Maria, a outro como esposa concedeu
Somente foi feliz
Quando José Manuel
Morreu
Nosso herói
Novamente se apaixonou
Quando com sua viola
A mulata Vidinha, esta singela modinha cantou:
Se os meus suspiros pudessem
Aos seus ouvidos chegar
Verias que uma paixão
Tem o poder de assassinar