Você é meu povo, você é meu samba
Você é a bossa e a minha voz
Pra você, eu trago, um sambinha novo
Que fiz na fossa pra cantar a sós
E também vieram beijos nunca dados
Abraços guardados pra você sentir
Mas eu quero mesmo é me enroscar num leito
Apertar seu peito e depois dormir
Dormir sonhando com você enamorada
Minha noiva muito amada, meu pedaço de mulher
Minha história, meu segredo, minha estrela, minha fé
Minha escola, meu enredo, meu cigarro e meu café
Lalaiá-raiá, lalá laiá
Você é o meu laiá raiá, raiá
compositor: Martinho da Vila
Volta pro morro
Seu lugar ainda esta vazio
Venho pedir um socorro
Pra nossa escola
Que agora só tem samba frio
Pois o neguinho
Que você deixou
Nunca mais compôs, nunca mais cantou
Com a sua tristeza
A alegria do morro acabou
Mas se você voltar
Vamos ter samba bonito
Todo mundo vai cantar
Vou marcar um novo grito
Pra lhe entregar a bandeira
E a nossa escola vai ser novamente a primeira
compositor: Martinho da Vila
Plim esclapim esquipim
É o agogô fazendo o seu plim-plim
Teco teleco teco
É o repicado do meu tamborim
Tans catins esquindim
O meu chocalho está botando pra quebrar
Tum estum escundum
É a marcação do meu do meu ziriguidum
Muita mulata batucando no terreiro
E lá canto uma cuíca a soluçar
Isto é o samba, o meu samba tem pandeiro
E um cavaquinho machucando de vagar
compositor: Martinho da Vila
E veio a brisa leve do Amor
Depois um vendaval de paixão
E o sol brilhava
No teu sorriso encantador
Tudo era como o amanhecer
De um lindo dia de verão
Alegrias do entardecer, tristezas não
E agora é só melancolia
Pois nunca mais amanheceu
Pra nossa vida tão vazia
Escureceu, escureceu
Pois explodiu um raio de ciúmes
E o tempo mudou
Veio uma chuva de queixumes
E o rosto molhou
compositor: Martinho da Vila
Carnaval, madrugada
Madrugada de carnaval
Cai a chuva no asfalto da avenida
E a escola, já começa a desfilar
Molha o surdo, molha o enredo, molha a vida
Do sambista cujo o sonho é triunfar
Cai o brilho do sapato do passista
Mas o samba tem é que continuar
Os destaques se desmancham na avenida
E o esforço já é sobrenatural
Mas a turma permanece reunida
Um apito incentiva o pessoal
E a escola já avança destemida
É o samba enfrentando o temporal
Madrugada,vai embora, vem o dia
E o sambista pensa em outro carnaval
E a todos novamente desafia
A vitória do seu samba é o ideal
Chama o surdo e o pandeiro pra folia
Alegria, alegria pessoal
Carnaval, carnaval, carnaval
Volta o surdo pra folia
Alegria pessoal
compositor: Martinho da Vila
Tô cantando e é bom, cantarolar
Tô na paquera meu bem, vou paquerar
Broto do castelinho
Seu corpo certinho, delgado
Só tem um defeito é por demais paquerado
Deita na areia menina, esnoba vem
Deixa o paquera morar nas curvinhas que seu corpo tem
Mina escondida na calça cumprida, vem cá
Quero lhe de bermudinha, bem reboladinha lá no meu sofá
Ouvindo as notas do violão
E o sambinha que é feito na base da paqueração
Paquera homem que quer mulher
Da zona norte ou de um canto qualquer
Paquera malandro, paquera doutor
Quem não paquera não arranja um grande amor
compositor: Martinho da Vila
Samba da cabrocha bamba
Que sambando sonha com o lar na rua
Morro do malandro triste
A canção existe em noite de lua
Eu fui num samba de terreiro iluminado
Vi um caboclo inspirado
Levando um samba de amor
E eu sambei, sambei, sambei
Cantei, cantei, cantei, afugentei a minha dor
compositor: Martinho da Vila
A vinte e cinco de dezembro
Se reunem os foliões
E vão prá rua
Bater caixa nos portões
Lá vão pandeiro, sanfoneiro, violões
(Santos Reis aqui chegou ai, ai
Pra visitar sua morada ai, ai, ai, ai)
Eles só voltam prá casa dias seis
Dia de Reis
Por sete anos se repete o ritual
Pra todo canto levam o bem, espantam o mal
Ô de casa, ô de fora
Ô de casa, ô de fora
Quem de dentro deve estar
Os de fora Santos Reis
Que lhes vieram visitar
Que vieram visitar, ai, ai
Na folia tem palhaço
Que faz verso e diabrura
Representa o tinhoso
Tentador das criaturas
Mas também tem a bandeira
A Bandeira do Divino
Mais atrás os três Reis Magos
Procurando o Deus Menino
Ô de casa, ô de fora…
Batem lá na sua porta
Pra pagar uma promessa
Levam mestre e contra-mestre
Pra poder cantar a bessa
Dia vinte de janeiro
Eles dão uma festinha
Com viola, violeiro
Desafio e ladainha
Ô de casa, ô de fora…
compositor: Martinho da Vila
Irmão, irmão, irmão, irmão
É madrugada, mas virá nosso amanhã
Que bom, que bom
Cantar é bom, sambar é bom
Dançar é bom, amar é bom
Tristeza não
Por maior que seja a escuridão
A noite tem acabar, no duro
No duro, ô, ô, no duro
Homem não é Lobisomem
Que fica nas trevas sempre a caminhar no escuro
Sambem, sabem
Sambem com harmonia
Todos cantando, com todos, pra todos, por todos
Pra trazer o dia
compositores: Martinho da Vila / Pádua Correia
Tô cantando nesta linha
Que é a linha do ão
Já dancei samba-de-roda
Já briguei muito na mão
Eu nasci numa fazenda
E fui criado na favela
Namorei mulher casada
E fui homem de moça donzela
Treze anos de caserna
Me deram boa lição
Sou formado lá na Vila
Fiz do samba profissão
O meu pai era colono
E meeiro muito bom
Calangueava a noite inteira
Não perdia verso não
Mãe Teresa é rezadeira
E faz por mim muita oração
A Zezé é a macumbeira
Pó em mim não pega não
compositor: Martinho da Vila
Ninguém conhece ninguém
Pois dentro de alguém, ninguém mora
Há quem acorda sorrindo e na mesma manhã, também chora
Não há alguém tão ruim
Que não tenha uma boa qualidade
Ninguém atravessa idade somente em passo certo
Não há deserto sem água e nem coração sempre aberto
Há mariposa noturna de angelical semblante
E corpo deselegante, que é tão perfeito na dança
Braço que enlaçe o amado é o mesmo que embala a criança
Nunca se pode afirmar se alguém é assim ou assado
Quem hoje está em um canto, amanhã pode estar do outro lado
E quem nunca foi de samba, ainda vai ser do samba rasgado
compositor: Martinho da Vila
Viver
Fazendo o bem
Sorrir
E sem sofrer amar alguém
Ter amizade como criança
Felicidade
Encontrar na esperança
Vamos viver
Sentindo a vida
Amar amar
E não pensar em despedida
E o tudo ou nada
Que eu sei da vida
Vou cantarolando
Na canção