Eu gostaria de exaltar em bom Tupi
As belezas do meu país
Falar dos rios, cachoeiras e cascatas
Do esplendor das verdes matas e remotas tradições
Também cantar em guarani os meus amores
Desejos e paixões
Bem fazem os povos das nações irmãs
Que preservam os sons e a cultura de raiz
A expressão do olhar
Traduz o sentimento
Mas é primordial
Uma linguagem comum
Importante fator
Para o entendimento
Que é semente do fruto
Da razão e do amor
É sonho ver um dia
A música e a poesia
Sobreporem-se às armas
Na luta por um ideal
E preconizar
A lusofonia
Na diplomacia universal
Martinho da Vila / Elton Medeiros
Ô morena, como é bom viajar
Ô morena, como é bom viajar
Morena, morena
Morena, morena
Queria se invejado
Por esse português folgado
Em você dependurado qual roupa no quarador
Eu aqui arremangado e lê aí todo flozô
Morena, morena
Morena, morena
Seu fosse seu namorado
Levava você pra Angola
Ou pra Guiné-Bissau
Cabo verde, ô di lá
Moçambique, ô di lê
São Tomé e Príncipe
Pra você ver
O que é viver
Martinho da Vila / Roque Ferreira
Ô mulher
Vem fazer as malas
É preciso caminhar
Pras outras bandas do mundo
Lá pras terras de além – mar
Cantar, sorrir, curtir, amar e desanuviar
Iremos em busca da paz
Nossos corações precisam demais
A caminhada
Vai ser legal
Vamos fazer amor lá em praia
E nas praias da Ilha do Sal
Depois do mar da Madeira
Vamos voar pra Guiné
Pegar um sol nos Açores, Príncipe e São Tomé
É bom dançar um marrebenta em Maputo
E em Luanda um Semba daquele país
Depois de um fado em Portugal
Vamos pra Goa e Macau
E voltar bem feliz
Martinho da Vila / Rildo Hora
Ai, ai, ai, mana Maria
Põe um pouco de açúcar
O ambiente fica doce
E você fica maluca
Ai, ai, ai, mana Teresa
Põe um pouco de melaço
O ambiente fica doce
E você lelé da cuca
Bota fora essa vergonha
Entra na roda sem mangonha
Rebola a bunda como
Manda a lei do figurino
Tauás, tauás
Rebola, bola, rebola
Remexe, mexe, remexe
Levanta a poeira
Senão tem poeira
Zukuta, menino zukuta
Não deixa fugir a menina
Ai, ué! Isso é
A vida que a gente gosta, ué!
Isso é a vida que a gente gosta
Don Kikas
Dança comigo, criola
Ai, cola em mim
Vem se divertir
Bem na coladeira
Vem aqui, criola
Pode colar em mim
Mexer no funaná
E na morna a noite inteira
É mais que bom lá
Boa terra é Cabo Verde
Lá eu me senti
No meio da tradição
Chega em mim e aperta
Bem forte, quero sentir
Calor de moreninha
Queimada, de olhos verdes
Gosta de percebes
Gracas e lapinhas
Mas se toma um grogue
Sobe pelas paredes
“Sabura é lá na nu terra Cabo Verde
Lá no tá senti na mei nus tradiçon
Dança má mi criola, ai, colá na mim
Pensa na passá sabim num coladera”
Lá na cidade velha
No meio da tradição
Cola de San Jon
No meio da tradição
Santiago e São Vicente
No meio da tradição
Toy Vieira / Versão: Martinho da Vila
Ai, cobra caninana
Quem me dera que você fosse minhoca
Minhoca mole que não faz mal a ninguém
Cobra eu tenho medo
(Tira a mão da minha Xuxa)
Minha mãe tá pra chegar
E o meu pai vem logo aí
Vamos já pra brincadeira
Deixa de pensar besteira
Que o negócio é curtir
Eu não quero brincadeira
(Tira a mão da minha Xuxa)
Deixa de teimosia
Eu não quero brincadeira
Sem chupeta eu choro
Minha Xuxa é pra dormir
Meu pai zanga
Minha mãe também se zanga
Minha vozinha zanga
E a titia também zanga
E a minha babá não gosta
Eu te disse ê
Eu não quero brincadeira
A mamãe tá pra chegar
E o papai vem logo aí
Deixa de pensar besteira
Vamos já pra brincadeira
Que o negócio é curtir
Baixa saia
Tira as calças
Vai pra cama de pijama
Xuxa, chupeta
Folclore da Guiné – Bissau DP Versão Martinho da Vila
Quero com o povo trabalhar
Quero ver meu corpo transpirar
Plantando batata, mandioca, mapira, amendoim
Quero ver o arroz também crescer
Com a minha mulher a me ajudar
Colhendo milho e feijão
Pimenta e gergelim
Quero ver crianças a sorrir
Arrancando castanha de caju
Subindo em todos os coqueiros
Descendo sem cair
Plantar pra colher
Moçambique
Feijão, arroz, trigo, mandioca, piripíri
Bassopa / Versão: Martinho da Vila
Foi na sexta-feira na feira de Santa Luzia
Que encontrei a mulata Manuela e me meti com ela
Ela me mostrou que sabia que eu era casado
Conhecia a senhora e não teria problemas
Ela me falou que sabia que eu era casado
E com a minha senhora não tinha problemas
Eu então repliquei
Por aí não fiquei
E então expliquei
Que a minha senhora nessa onda nunca entrou
E o bacu que está na moda
Entra na onda que esta é pra valer
O bacu é que está na moda
Muitas querem um homem casado pra curtir
Bacu, ê, bacu
O bacu está na moda, vem comigo, garota
Pra curtir esta onda
Lá pros lados da Zona
O bacu está na moda, vem comigo, garota
Aproveita a carona
Pra curtir esta onda
Bacu ô, ô
Amizade colorida
Bacu ô, ô
Transa descomprometida
Luís Cabral / Jânio Barbosa / Carlos Barbosa / Juvenal Cabral
A nutridinha do sal
De barriguinha não está mal
Apesar da pouca idade
Já vai pra maternidade
Oh! Que bela menina
Mas como está nutridinha
Não esconde a barriguinha
E vai à toda morna dançar
Atendeu ao sentimento
E com muito merecimento
Aproveitou o momento
E não teve medo de amar
As meninas de hoje em dia
Não usam de covardia
Vão dançar a coladeira
Com bebê na algibeira
Olha só, é tão mocinha
Mas como está bonitinha
Dançando até de manhã
E já é futura mamã
Goi / Versão: Martinho da Vila
Carambolas, nova moça
Delícias de São Tomé
Para pegar carambola
É só sacudir o pé
E lá na ilha de Príncipe
São bonitas de ver
Madurinhas, saborosas
Pra chupar ou pra comer
São Tomé e Príncipe
Príncipe e São Tomé
Eu espremo carambola
Pra fazer meu coquetel
Na batida ela esquenta
Com cachaça, gelo e mel
Só que dá fogo na venta
E arrepia até careca
Eu chamo de carambola
Moça bonita e sapeca
São Tomé e Príncipe
Príncipe e São Tomé
No Ilhéus das Rolas
Na Ilha das Cabras
No ilhéus Bom Bom
João Seria / versão: Martinho da Vila
No castelo
Ponho o cotovelo
Em Alfama
Descansa o olha
E assim desfaz-se o novelo
De azul e mar
À ribeira encosto a cabeça
Almofada
Na cama do Tejo
Com lençóis bordados à pressa
Na cambraia de um beijo
Lisboa menina moça, menina
Da luz que meus olhos vêem tão pura
Teus seios são colinas, varina
Pregão que me traz a porta, ternura
Cidade a ponto-luz bordada
Toalha a beira-mar estendida
Lisboa menina e moça, amada
Cidade mulher da minha vida
No terreiro eu passo por ti
Mas da graça eu vejo-te nua
Quando um pombo te olha, sorri
És mulher da rua
E no bairro mais alto do sonho
Ponho fado que soube inventar
Aguardente de vida e medronho
Que me faz cantar
Lisboa menina e moça, menina
Da luz que meus olhos vêem tão pura
Teus seios são colinas, varina
Pregão que me traz a porta, ternura
Lisboa do meu amor deitada
Cidade por minhas mãos despida
Lisboa menina e moça, amada
Cidade mulher da minha vida
Na praça da Figueira
Ou no jardim da estrela
Num fogareiro aceso é que ela arde
Ao canto do outono
À esquina do inverno
O homem das castanhas é eterno
Não tem eira nem beira nem guarida
E apregoa como um desafio
É um cartucho pardo a sua vida
E se não mata a fome mata o frio
Um carro que se empurra
Um chapéu esburacado
No peito uma castanha que não arde
Cai a chuva nos olhos
E te um ar cansado
O homem que apregoa ao fim da tarde
Ao pé de um candeeiro acaba o dia
Voz rouca como o trapo da pobreza
Apregoa pedaços de alegria
E à noite vai dormir com a tristeza
Quem quer quentes e boas quentinhas
A estalarem cinzentas, na brasa?
Quem quer quentes e boas quentinhas ?
Quem compra leva mais amor pra casa
A mágoa que transporta
É miséria ambulante
Passeia pela cidade o dia inteiro
É como se empurrasse o outono adiante
É como se empurrasse o nevoeiro
Quem sabe a desventura do seu fado?
Quem olha para o homem das castanhas ?
Nunca ninguém pensou que ali ao lado
Ardem no fogareiro dores tamanhas
Paulo de Carvalho / Fernando Tordo / Joaquim Pessoa / Ary dos Santos
O caso é que o navegante filho de deuses marinhos
Traçou no mar um caminho pra chegar no Oriente
Zarpou e foi em frente naqueles mares bravios
Topou o desafio: outras terras, outras gentes
Lá, laia, laia, outras terras, outras gentes
Cruzou com feras tamanhas e heróis da mitologia
Provou sua valentia em grandiosas façanhas
Comprou e fez barganhas na busca de especiarias
Com ondas e maresia o mar é um perde e ganha
Mas a viagem valeu. Eis o Oriente afinal!
O seu feito monumental muitos outros feitos rendeu
Pra sua glórias e de seu lindo Portugal, tão legal
E a saga que escreveu inspirou Cabral
Lá, lá, laia, Vasco!
Lá, lá, laia, Vasco!
Diz que foi por acaso que aportou na Bahia
Ventos ou calmaria, hoje isso não vê ao caso
Dois mil, mil e quinhentos, quinhentos anos de história
Brasil chegou sua hora!
Vamos soprar puros ventos
Lá, laia, laia, vamos soprar outros ventos
Graças aos navegantes, o Vasco depois o Pedro
E até aos réus de degredo, mandados pra tão distante
Depois naus e galeras nos pés de alto almirante
E a cruz emocionante. . . virou esfera das feras
Como o Gama que o batizou, se afirmou nas regatas
Pôs negros na Cruz de Malta, e fez uma revolução
Salve Nossa Senhora das Vitórias e os milagres de São Januário!
Nossa bandeira é o Santo sudário
E o Vasco é religião
Martinho da Vila / Nei Lopes
Ô Vanina
Vanina bonita, bonita Vanina
Gente boa, gente fina
Vanina, queres saber
Vou te dizer
Minha bisavó era purinha bem limpinha
De Angola
O meu bisavô também purinho, bem limpinho
De Moçambique
Eu não sou branquinho, nem pretinho
A minha dona é moreninha
Eu tenho muitos mulatinhos
Salve! Salve!
Salve a mulatada brasileira!
Salve a mulatada brasileira, salve! salve!
Salve a mulatada brasileira!
José do Patrocínio
Aleijadinho
Machado de Assis que também era mulatinho
Salve a mulatada brasileira!
Salve a mulatada brasileira, salve! salve!
Salve a mulatada brasileira!
Je ne sais pás parle français
I don`t speak english even
Se é portunhol, se é criole ou Tupi
Aí ninguém entende nada
Eu só não entendo gente brigando
Se odiando depois do amor
É tão estranho, Vanina
Esse pavor que a vida traz
Gente com medo de Jesus e adorando o Satanás
Se o amor é lindo
A flor é bela
E a natureza sempre sorrindo
Vivo no mundo pra aprender
E nada sei pra ensinar
Só o que eu sei
Que eu sei fazer
É te querer, te sublimar
E te deixar em paz
Vanina linda, vanina linda
Lisboa linda
E a Porto infinda
Luanda é linda, ô Vanina, ô Vanina
Também Cabinda
E lá Dili, timor Leste
Serás bem – vinda ou bem – ida
Maputo é fina, ô Vanina, ô Vanina
E Petrolina, ô Vanina
E a nossa Rio de Janeiro, tão bonita
Maravilhinda
Serei menino só pra ti, menina
Nina, nina, nina, nina
Às vezes eu te vejo tão felina
Linda Vanina, ô divina, ô divina
Olinda é linda, ô Vanina, ô Vanina
Diamantina, ô Vanina
E a minha limpa Duas Barras pequenina
É mais que linda
Luanda é linda, ô Vanina, ô Vanina
Também Cabinda, ô Vanina
E lá Dili, Timor Leste
Serás bem – vinda ou bem – ida
Maputo é fina, ô Vanina
E Petrolina
E a nossa Rio de Janeiro, tão bonita
Maravilhinda
Salve a mulatada brasileira. . .
Martinho da Vila
Floriram cravos vermelhos
Estrelas brilharam
E em Loro Sae
Tudo cheirava a liberdade
Mas de repente escureceu
Então Xanana acendeu a chama
Levando sua gente a guerrilhar
Muitos morreram
Todos sofreram
Mas a vitória chegou
Valeu lutar
O mundo aplaudiu Xanana
Também os heróis sem nome
E belo Dom Ximenes
Festejou com as Falintil
Era o sol a brilhar
Era a luz que surgiu
É a paz, é o amor, Gusmão
Eu gritei do Brasil
Viva o Timor Leste!
Nasceu mais um país irmão
Martinho da Vila / Rildo Hora