Menina moça vai passear
Vai passear Iaiá
Quer rapazinho pra acompanhar
Pra acompanhar, Iaiá
Tá passeando já quer flertar
Já quer flertar, Iaiá
Quem tá flertando quer namorar
Quer namorar, Iaiá
Tá namorando já quer noivar
Já quer noivar, Iaiá
Moça esta noiva quer se casar
Quer se casar, Iaiá
Se está casada só quer brigar
Só quer brigar, Iaiá
Quem tá brigando quer desquitar
Quer desquitar, Iaiá
Tá desquitada quer se amigar
Quer se amigar, Iaiá
Tá amigada quer separar
Quer separar, Iaiá
Tá separada não quer amar
Não quer amar, Iaiá
Não tá amando só quer chorar
Só quer chorar, chorar
Mas não chora menina
Para que chorar
Oi levante a cabeça
E vá se consolar
Esta vida é cumprida
E você tão querida
Eu preciso do amor
Que você tem pra dar
Vamos cantar, cantar
compositor: Martinho da Vila
Boa noite Vila Isabel
Quero brincar o carnaval
Na terra de Noel
Boa noite diretor de bateria
Quero contar com sua marcação
Boa noite
Sambistas e compositores
Presidente, diretores
Pra Vila eu trago
Toda minha inspiração
Quero acertar com o diretor de harmonia
E as pastoras
O tom da minha melodia
Ciranda cirandinha
Vamos todos cirandar
Vamos dar a meia volta
Volta e meia vamos dar
Fantasia
Deusa dos sonhos esteja presente
Nos devaneios de um inocente
Ó soberana das fascinações
Põe os seres do teu reino encantado
Desfilando para o povo deslumbrado
Num carnaval de ilusões
Na doce pausa
Dos folguedos infantis
Repousam a bola
E a bonequinha querida
No turbilhão do carrossel
Da alegre vida
Morfeu embala a criança tão feliz
E num sonho encantador
Viaja ao mundo da fabulação
Terra da riqueza
E do fulgor
De tanta beleza
E do esplendor
Guiadas pela fada ilusão
Se juntam lendárias figuras
Personagens de leituras
Revividos na memória
Que ajusta ao imperfeito
A perfeição dos conceitos
De deleitosas histórias
Neste clima extasiante
O cortejo deslumbrante
Tudo envolve ao despertar
E ao mundo de verdade
Sem saber a realidade
Retorna o petiz a cantar
Fala, fala, fala falador
Não lhe dou bola porque eu sou bamba
Malha, malha malhador
Que não aceita a evolução do samba
A minha Vila deslumbrou
Naquela manhã de carnaval
Todo povo incentivou
A ciranda cirandinha
No desfile principal
Só a comissão
Não viu cadência numa grande bateria
Nem se comoveu
Com a beleza do desfile-fantasia
Caramba, caramba
Nem o Chico entendeu
O enredo do meu samba
compositores: Martinho da Vila – Gemeu / Martinho da Vila – Martinho da Vila
Na minha casa todo mundo é bamba
Todo mundo bebe todo mundo samba
Na minha casa não tem bola pra vizinha
Não se fala do alheio, nem se liga pra Candinha
Na minha casa ninguém liga pra intriga
Todo mundo xinga, todo mundo briga
Macumba lá minha casa
Tem galinha preta, azeite de dendê
Mas ladainha lá minha casa
Tem reza bonitinha e canjiquinha pra comer
Se tem alguém aflito
Todo mundo chora, todo mundo sofre
Mas logo reza pra São Benedito
Pra Nossa Senhora e pra Santo Onofre
Mas se tem cantando
Todo mundo canta, todo mundo dança
Todo mundo samba e ninguém se cansa
Pois minha casa é casa de bamba
compositor: Martinho da Vila
Felicidade, passei no vestibular
Mas a faculdade é particular
Particular, ela é particular
Particular, ela é particular
Livros tão caros tantas taxas pra pagar
Meu dinheiro muito raro,
Alguém teve que emprestar
O meu dinheiro, alguém teve que emprestar
O meu dinheiro, alguém teve que emprestar
Morei no subúrbio, andei de trem atrasado
Do trabalho ia pra aula, sem
jantar e bem cansado
Mas lá em casa à meia-noite tinha
sempre a me esperar
Um punhado de problemas e criança pra criar
Para criar, só criança pra criar
Para criar, só criança pra criar
Mas felizmente eu consegui me formar
Mas da minha formatura, nem cheguei participar
Faltou dinheiro pra beca e também pro meu anel
Nem o diretor careca entregou o meu papel
O meu papel, meu canudo de papel
O meu papel, meu canudo de papel
E depois de tantos anos,
Só decepções, desenganos
Dizem que sou um burguês muito privilegiado
Mas burgueses são vocês
Eu não passo de um pobre-coitado
E quem quiser ser como eu,
Vai ter é que penar um bocado
Um bom bocado, vai penar um bom bocado
compositor: Martinho da Vila
A Vila desce colorida
Para mostrar no carnaval
Quatro séculos de modas e costumes
O moderno e o tradicional
Negros, brancos, índios
Eis a miscigenação
Ditando moda
Fixando os costumes
Os rituais e a tradição
E surgem tipos brasileiros
Saveiros e bateador
O carioca e o gaúcho
Jangadeiro e cantador
Lá vem o negro
Vejam as mucamas
Também vem com o branco
Elegantes damas
Desfilam modas no Rio
Costumes do norte
E a dança do sul
Capoeiras, desafios
Frevos e maracatu
Laiaraiá, ô
Laiaraiá
Festa da menina-moça
Na tribo dos carajás
Candomblés lá da Bahia
Onde baixam os orixás
Laiaraiá, ô
Laiaraiá
Festa da menina-moça
Na tribo dos carajás
Candomblés lá da Bahia
Onde baixam os orixás
compositor: Martinho da Vila
No cais dourado da velha Bahia
Onde estava o capoeira
A iaiá também se via
Juntos na feira ou na romaria
No banho de cachoeira
E também na pescaria
Dançavam juntos
Em todo fandango e festinha
E no reisado
Contra mestre e pastorinha
Cantavam, iaiaralaiá, iaiá
Nas festas do alto do cantuá
Mas loucamente
A iaiá do cais dourado trocou seu amor
Ardente por um moço requintado
E foi-se embora
Passear de barco à vela
Desfilando em carruagem
Já não era mais aquela
E o capoeira
Que era valente chorou
Até que um dia a mulata
Iá no cais apareceu
Ao ver o seu capoeira
Pra ele logo correu
Pediu guarida
Mas o capoeira não deu
Desesperada
E o capoeira
Caiu no mundo a vagar
Ficou com o seu povo a cantar…
laiá, iaiá, iaiá iaiá
laiá, iaiá, iaiá iaiá
compositor: Martinho da Vila
Quem é do mar não enjoa, não enjoa
Chuva fininha é garoa, é garoa
Homem que é homem não chora, não chora
Quando a mulher vai embora, vai embora
Quem quiser saber meu nome
Não precisa perguntar
Sou Martinho lá da Vila
Partideiro devagar
Quem quiser falar comigo
Não precisa procurar
Vá aonde tiver samba
Que eu devo estar por lá
Eu cheguei no samba agora
Mas aqui eu vou ficar
Pois quem é mesmo do samba
Vai até o sol raiar
O sereno tá caindo
Ta caindo devagar
Vai cair chuva miúda
E o samba não vai parar
Serenou lá na Mangueira
Serenou lá na Portela
Serenou em Madureira
Serenou lá na favela
Serenou lá no Salgueiro
Serenou lá no Capela
Serenou na minha casa
Serenou na casa dela
Quem tiver mulher bonita
Traga presa na corrente
Eu também já tive a minha
Mas perdi num samba quente
A menina foi embora
Mas um samba vou cantar
Pois está mesmo na hora
De ter outra em seu lugar
compositor: Martinho da Vila
Ai amor
Pra que nasceu
Com a missão de ser amor sem fim
E pra que nos convenceu
Que eu era seu
E que você nasceu pra mim
Pra que nos multipliquei
E a mim somei você sem calcular
Que o sentimentos que provem
De um doce olhar
E sofrimento é só tormento e faz chorar
Uma flor nasceu
Outra floresceu
Você não pensou
Nas flores que o amor nos deu
Nem soube lutar
Pelo nosso amor
E ficou a dor
Neste nosso olhar
compositor: Martinho da Vila
Pretinha, procure um branco
Porque é hora de completa integração
Branquinha, namore um preto
Faça com ele a sua miscigenação
Neguinho, vá pra escola
Ame esta terra
Esqueça a guerra
E abrace o samba
Que será lindo o meu Brasil de amanhã
Mulato forte, pulso firme e mente sã
Quero ver madame na escola de samba sambando
Quero ver fraternidade
Todo mundo se ajudando
Não quero ninguém parado
Todo mundo trabalhando
Que ninguém vá a macumba fazer feitiçaria
Vá rezando minha gente a oração de todo dia
Mentalidade vai mudar de fato
O meu Brasil então será mulato
compositor: Martinho da Vila
Esta em você
O que o amor gerou
Ele vai nascer, e há de ser sem dor
Ah! Eu hei de ver
Você ninar e ele dormir
Hei de vê-lo andar
Falar, sorrir
Ah! Eu hei de ver
Você ninar e ele dormir
Hei de vê-lo andar
Falar, cantar, sorrir
E então quando ele crescer
Vai ter que ser homem de bem
Vou ensina-lo a viver
Onde ninguém é de ninguém
Vai ter que amar a liberdade
Só vai cantar em Tom Maior
Vai ter a felicidade de
Ver um Brasil melhor
compositor: Martinho da Vila
Dinheiro pra que dinheiro
Se ela não me dá bola
Em casa de batuqueiro
Só quem fala alto é viola
Venha depressa, correndo pro samba
Porque a lua já vai se mandar
Afina logo a sua viola
E canta samba até o sol raiar
Aquela minha não quis me dar bola
Eu tinha tanta grana pra lhe dar
Chegou um cara com uma viola
E ela logo começou bolar
Eu era um cara muito solitário
Não tinha mina pra me namorar
Depois que eu comprei uma viola
Arranjo nega de qualquer lugar
Eu tinha grana
Me levaram a grana
Fiquei quietinho
Nem quis reclamar
Mas se levarem A minha viola
Não me segura
Porque eu vou brigar
Pára depressa com essa viola
Porque o samba já vai terminar
Eu vou depressa correndo pra casa
Pegar a marmita para ir trabalhar
compositor: Martinho da Vila
Menina eu parei na sua
Parei e vou me declarar
Eu fico no mundo da lua
Quando vejo você chegar
No samba é um atropelo
Malandro querendo lhe conversar
Eu fico com uma dor de cotovelo
Morando no seu modo de sambar
Mas se você quer se dar bem
Meninazinha, para na minha
Que vai ter colher de chá
Dou um barraco
Pra você ser a rainha
E faço samba somente pra você cantar
Porém se for pra bagunçar o seu parceiro
A sua barba vai crescer até o fim
Vai ser sapato nos pés de um batuqueiro
Da sua pele vou fazer um tamborim
Mas se você for uma boa companheira
Pra todo canto onde eu for vou lhe levar
Só vai dançar comigo lá na gafieira
Tudo malandro vai lhe respeitar, meninazinha
Nhem, nhem, nhem
Nhem, nhem, nhem
Dessa maneira
Não se pode viver bem
Toda vez que eu chego
Em casa você vem com nhem, nhem, nhem
Se eu vou pro quarto, você vai
Volto pra sala, você vem
Nos meus ouvidos, perturbando nhem, nhem, nhem
Nhem, nhem, nhem
Nhem, nhem, nhem
Mulher pior do que a minha ninguém tem
A sua língua é maior do que um trem
E a minha sogra também não vale um vintém
compositores: Martinho da Vila / Cabana
Num grande amor
Sempre tem melancolia
Tem tristeza e alegria
Num mundo de ilusão
Num grande amor,
Tem de tudo um bocadinho
Tem ternura, tem carinho
Tem castigo e tem perdão
Se o amor se esvai
Saudade vem
Um novo amor
Virá também
Se alguém brincou
Sorriu, cantou
Feliz ficou, feliz ficou
Se amou demais,
Perdeu a paz
Chorou, chorou
compositor: Martinho da Vila
Um passarinho me disse
Que vamos viver pra sempre um grande amor
Canário livre cantou
Cantou, cantou, cantou feliz
Um bem-te-vi que ouviu
Bemtevitou com seu amigo tiziu
Um pintassilgo se alçou
E foi piar bem juntinho da perdiz
Logo que entardeceu
Galinha cocorocou
Canto de um galo ecoou
De longe outro respondeu
Canto de um galo ecoou
De longe outro respondeu
Um corpo ardente riscou o céu
E o pedido que fiz
Foi para ser sempre seu, só seu, só seu, só seu
Vamos sonhar bem juntinhos
Levando a vida a cantar
E como dois passarinhos
Voar, voar, voar, voar
compositores: Moacyr Luz – Martinho da Vila
Ah!
Sou gamado por você
Não devia, mas não posso
Dominar meu coração
Oh!
Meu pãozinho de açúcar
Quero ser seu Corcovado
Sua Barra da Tijuca
Cheguei de mansinho
Em busca do amor
Então mergulhei
Na sua lagoa
Tal um peixinho
Nadei no seu rio
Deitei no seu leito
Fiquei numa boa
Vou fazer nenem
Na sua barriga
Porque você é a maravilhosa
Bela, gostosa
Sem fantasia
Manda no rei
Cai na folia
compositor: Martinho da Vila
É partido alto, é samba
É da batucada, é bamba
É meu camarada, é camba
Tem mandinga tem muamba
É meu camarada é camba
Tem mandinga tem muamba
Cabrochas gingando devagarinho
É partido alto
Passista nos passos do miudinho
É partido alto
Baiana aplaudida com muito carinho
É samba de roda
Mulata em requebros pro seu neguinho
É samba de roda
É samba de roda, é partido alto
É partido alto, é samba de roda
Bom batucar na Mangueira
Lá em Madureira e na Piedade
Na Boca do Mato, em Vila Isabel
Em Bangu e no bairro da Mocidade
Sambar em Pituaçu e lá no Curuzu
Em plena Liberdade
Na Boca do Rio, Bonfim, Pelourinho
Garcia, Lapinha, que felicidade
É partido alto, é samba de roda
É samba de roda, é partido alto
Viva Zeca Pagodinho, Paulinho, Nei Lopes, Wilson Moreira
Tinália, Leci, Dona Ivone Lara, Arlindo, Sombrinha e Jorge Aragão
Salve o Nelson Rufino, o Edil Pacheco e o Roque Ferreira
Neguinho do samba, Valmir, Chocolate, o Carlinho Brown e o rei Riachão
É partido alto, é samba de roda …
É partido alto é samba, é da batucada é bamba
É meu camarada é camba, tem mandinga, tem muamba
compositor: Martinho da Vila