Quando eu tô no forró
Tô na roça e da cidade
É no forró que eu afogo minhas mágoas
É no forró que eu me sinto aliviado
É no forró que eu me esqueço da vida
Foi num forró que perdi um grande amor
E num forró alegrei meu coração
Dancei calango
Em terreiros de fazenda
Cantei numa folia
E bati mineiro-pau
Pulei fogueira, rezei muita ladainha
Fiz amor de madrugada em noites de lua cheia
Quando eu tô no forró
Tô na roça e da cidade
Trabalhei muito e tenho calos nas mãos
Capinei e fiz muita colheita
Campeei boi pra curral
Saí da roça procurando melhoria
Hoje estou desiludido
Mas não quero mais voltar
Pois quando eu tô no forró
Tô na roça e na cidade
compositor: Martinho da Vila
Já melhorou, meu bem
Já tá de bom humor
Hoje tem amor, hoje tem amor
Hoje tem amor, hoje tem amor
Por coisa à-toa minha flor ficou zangada
Por outras boas ela já me perdoou
Tudo que eu faço sem seu jeito não é nada
Sem seus cuidados, seu carinho, nada sou
Afrodisia é seu jeito excitante
Estou gamado e gosto de dizer que tô
Na minha vida ela é muito importante
Sou seu escravo, sou seu filho e seu senhor
Hoje tem amor, hoje tem amor
Hoje tem amor, hoje tem amor
Se eu chego em casa, ela sorri sem dizer nada
Brincadeirinha tá querendo, isso eu aposto
A minha amada quando tá bem-humorada
Logo se esconde debaixo do cobertor
Esconde-esconde é brincadeira que eu gosto
De madrugada, de manhã, a qualquer hora
Ganhar presente é o que ela mais adora
E o meu gosto maior é fazer amor
Hoje tem amor, hoje tem amor
Hoje tem amor, hoje tem amor
Martinho da Vila / Toninho Geraes / Dunga
Paixão, amor
Muito amor paixão demais
Mal a gente começou
Percebeu-se a integração
Sangue bom correu nas veias
Provocando ebulição
Os teus ais são de sereia
Ao sabor dos sais
Da sedução
Sou cada vez mais teu
Só teu, só teu
Eu gosto assim
É bom assim
Assim, assim
Só tu e eu
Sempre que me beija, molha
Onde tá molhado eu beijo
Quando me provoca inflama
A chama do meu desejo
Nunca amei ninguém tão sexy
Nunca fui tão sensual
Jamais fiquei tão relax
Depois de um sexo total
Martinho da Vila / Roque Ferreira
Foi maldade
O que aquela mulher fez comigo
Crueldade
Que o pior inimigo não ousa fazer
E o castigo
É o perdão que ainda vai receber
Com fogo na venta, com ferro na brasa
Marcou meu destino
Virou toda a casa
Botou pelo avesso o meu coração
E se diverte atrevida
Vai futucando a ferida
Pra acabar de uma vez com as sobras de minha ilusão
Perverso destino
Me fez mergulhar na desfaçatez
De alguém que na vida
Moldou tão somente a estupidez
Que essa endemoniada
Encontre na encruzilhada
Quem exorcize a maldade que existe no seu coração
Martinho da Vila / Hermínio Belo de Carvalho
Um dia cruzei com você, menina
Suspirei fundo ao te ver passar
É minha sina
A danada da paixão
Fiquei desorganizado
Quase sem respiração
Voltei e fui seguindo
Com a intenção de conquistar
Mas de repente
Também pra mim se voltou
E magicamente me fitou
Bambeei, disfarcei
A perdi
E nunca mais me encontrei
Se um dia este samba lhe chegar
Saiba que ele
Nasceu desse seu penetrante olhar
Martinho da Vila / Zé Katimba / Zé Inácio
Mexe, remexe em cima em baixo
Santa, me encanta que em ti eu me acho
Diga que sim e faça de mim seu capacho
És tudo que almejo, me dá o teu beijo
Tanta formosura me leva a loucura
És a minha cura e essência mais pura
Do desejo
Além do mais, te amo
Sou tão feliz nos braços teus
És o presente que pedi a Deus
Nosso amor é gostoso do início ao fim
É felicidade que mora em mim
É tudo na vida
Na exata medida pra minha paixão
Teu corpo em meu corpo na hora de amar
É feito o encontro do rio com o mar
E nessa viagem
Eu faço a abordagem no teu coração
Além do mais, te amo
Sou tão feliz nos braços teus
És o presente que pedi a Deus
Noca da Portela / Luizinho To Blow
O samba é o que eu posso oferecer
Pra ti que és meu grande fã
Quem é fã se dá com amor
E também tem de ser muito querido
A fã, sei quão importante é
Em tudo que faço
Nos palcos cantando
Eu vou dizendo a ela o quanto amo
Quem dera pudesse levar-te onde vou
Ou então ficar contigo onde estás
Só pra tocar teus ouvidos
Pulsar com o teu coração
Fazer teu espírito levitar
Eu canto o meu laiaraiá
Me encanto e encanto
Imploro, suplico
Que tu venhas cantarolar comigo
Laiá lá laiá…
Quem dera pudesse levar-te onde eu vou
Ou então ficar contigo onde estás
Só pra curtir teus aplausos
Vibrar com a tua emoção
Fazer-te comigo cantarolar
Eu canto o meu laiaraiá
Me encanto e encanto
Imploro, suplico
Que tu venhas cantarolar comigo
Laia la laia…
Martinho da Vila / Ivan Lins
Vamos renascer
Nessa explosão tão colorida
Gritando – Viva ao ano novo!
Na esperança de um povo feliz
E sair por aí, pra conferir o que se fala
Do Rio de Janeiro e seu interior
Jóia rara
Tão maravilhoso e cheio de encantos mil
Centro cultural do meu Brasil
Amor, me leva
Nessa barca eu também vou
Vou que vou
Sou turista neste dia
E no meio da folia
Sou um menestrel do amor
E a viagem continua
Sobe serras, vê-se terras
Um grande manancial
Que litoral!
Nosso solo tem riqueza
Generosa natureza
Aí tem o dedo de Deus
Em Duas Barras
Vi festa de reis, mineiro-pau
Dessa viagem sem igual
Volto ao Rio em fevereiro
Pra brincar meu carnaval
Laia, laia…Que maravilha
A magia está no ar
Nessa fonte de energia
Minha vila é minha vida
A emoção me faz cantar
Minha Vila tá legal, tá legal
Sempre brigando pra ganhar o carnaval
Mas que saudade
Do tempo de Noel Rosa
Cadeiras pelas calçadas
Que hoje são musicais
Boemia a noite inteira
Violões no boulevard
Ponto-cem-réis, Praça Sete
E muita batalha de confete
Na Dona Zulmira,
Na Dona Zulmira
Na Dona Zulmira,
Na Dona Zulmira
E nas orgias da lapa
Marujos do Tio San
Lá o rei era um Madame
E o Deus era o Satã
Abra a roda, meninada,
Que o samba virou batucada
Oh! Meu Rio antigo
Meu Rio tão musical
Cadê a orquestra maestro?
E o cassino, doutor?
E o carnaval de rua?
Pergunto e ninguém me responde
Ranchos, cordões, calhambeques
E o quebra-quebra no bonde;
Quebra-quebra, gabiroba
Quero ver quebrar
Quebra lá que eu quebro cá
Quero ver quebrar
Claudinho / Miguel Bedêm / Jejê do Caminho / Haroldo Filho – Martinho da Vila
Ó meu Deus, chama Noel
Pra provar também dessa comida
Cozida em Vila Isabel
Ô Filomena
Eu trouxe a família pra almoçar
Estou na colina e não tenho hora pra voltar
Posso arrumar a mesa e ajeitar o quintal pro pagode
Chegou o banjo
Hoje vai ter sacode
Rolou boato que a comida é mineira
Vai ter bife de panela com polenta e aipim
Quero provar o jiló e a berinjela
Tô sem pressa, sou assim
Ô Filomena…
Reserva o gás pro novo fogão
Que o pagode vai rolar a noite inteira
A feijoada já está no caldeirão
Não adianta, eu não vou fazer dieta
Na sobremesa traço o que tiver na mesa
A comida da Filó é a minha predileta
A comida da Filó é a minha predileta
A graça divina, Filó
Abençoou seu paladar
O cheiro subiu pro céu, ô Filó
Quem já foi vai retornar
Ó meu Deus, chama Noel
Pra provar também dessa comida
Cozida em Vila Isabel
Martinho da Vila / Jonas / Ivan da Wanda
Ivone Lara, Ivone Lara
Ivone Lara é fruta rara
É fruta rara, é fruta rara
É fruta rara Ivone Lara
Tem sentimento profundo esta compositora
Pessoa tão bela
Vou conclamar todo mundo
A dizer o nome dela
Ivone Lara, Ivone Lara…
É uma dama do samba e o seu coração
É o Império Serrano
Tem elegância nos passos
O Seu samba é soberano
Ivone Lara, Ivone Lara…
Tocando o seu cavaquinho
Emana um astral maravilhoso
E até sem acompanhamento
Ela canta bonito e samba gostoso
Ivone Lara, Ivone Lara…
Dona Ivone Lara é uma estrela
Que brilha no meu firmamento
Ivone Lara, Ivone Lara…
Viajando pelo mundo
É sempre aplaudida com merecimento
É fruta rara, é fruta rara
Essa Dona Ivone Lara
Martinho da Vila
Tô cantando nesta linha
Que é a linha do ão
Já dancei samba-de-roda
Já briguei muito na mão
Eu nasci numa fazenda
E fui criado na favela
Namorei mulher casada
E fui homem de moça donzela
Treze anos de caserna
Me deram boa lição
Sou formado lá na Vila
Fiz do samba profissão
O meu pai era colono
E meeiro muito bom
Calangueava a noite inteira
Não perdia verso não
Mãe Teresa é rezadeira
E faz por mim muita oração
A Zezé é a macumbeira
Pó em mim não pega não
Martinho da Vila
Ó mineiro-pau, ó mineiro-pau
O mineiro-pau vem batendo
O mineiro-pau
Que nem mulher traiçoeira
Olha o pau mineiro
Se achegou bem devagar
Olha o pau mineiro
Se armou pra dar o bote
Olha o pau mineiro
De repente ma atacar
Olha o pau mineiro
Ó mineiro-pau, ó mineiro-pau…
Olha a rodilha dela
Olha o ao pau mineiro
Debaixo do pé de Ingá
Olha o pau mineiro
Ó mineiro-pau, ó mineiro-pau
O mineiro-pau vem batendo seu porrete
O mineiro-pau
Meu cacete é de braúna
Olha o pau mineiro
Guardado lá no quintal
Olha o pau mineiro
Pra pegar o meu porrete
Olha o pau mineiro
Atravessei o matagal
Olha o pau mineiro
No meio do matagal
Foi que a gente se enroscou
E depois foi lá no fórum
Que a gente se amarrou
Eu não tava preparado
Pro bote que ela armou
Carregou tudo que eu tinha
Quando a gente separou
Martinho da Vila
Pula pra lá, pra acolá e pra cá
Pula pra lá, pra acolá e pra cá
Sou palhaço de folia, porque eu gosto de ser
Espantar a criançada é o meu maior prazer
Faço verso na Mazurca, mas a chula vem primeiro
Eu sou bom no pula-pula, mas só se jogar dinheiro
Pois é muito ruim ser pobre , nesse Rio de Janeiro
Senta o pau sanfoneiro
Pula pra lá, pra acolá e pra cá
Pula pra lá, pra acolá e pra cá
A folia é o que eu mais gosto no meu Rio de Janeiro
Que tem samba, carnaval e mulher à revelia
Mas não encontro nenhuma pra ser minha companhia
Porque eu dou logo a dica pra no meu puleiro
Tem que ser viúva rica ou filha de fazendeiro
Corre os dedos, sanfoneiro
Pula pra lá, pra acolá e pra cá
Pula pra lá, pra acolá e pra cá
Diz um dito popular que é muito verdadeiro
Rico se casa com rica pra juntar o capital
Pobre se casa com pobre, pra viver pra sempre mal
É por isso que eu digo, quero o meu filão primeiro
Se não acho um bom abrigo, prefiro viver solteiro
Pula fora, sanfoneiro
Pula pra lá, pra acolá e pra cá
Pula pra lá, pra acolá e pra cá
Nesta roda só tem rico, pois estão de mãos fechadas
Quando um rico fecha a mão, não adianta fazer nada
Vou saindo de fininho, junto com meus companheiros
Eu vou lá pro outro lado, que tem pobre com dinheiro
Vamos nessa, sanfoneiro
Vamos embora, companheiros
Vêm comigo meus parceiros
Vou dar um pulo certeiro
Quem trabalha quer dinheiro
Martinho da Vila
Tá na hora ê, tá na hora
Tá na hora ê, quem vem de fora
Tá na hora ê, tá na hora
Tá na hora ê, chegando agora
Na minha aldeia tem Junceira
A minha aldeia é o Tombenci
Ma minha aldeia tem Caboclo guerreiro
Tem Seu rei das Ervas e Andaraí
Itaboranga matou um bicho de pena
Itaboranga matou um bicho de pena
Ele não mora longe, mora dentro da Jurema
Ele não mora longe, mora dentro da Jurema
Cheguei no clarão do dia, só vou no romper da aurora
Vim trazer alegria, meu pai consolar quem chora
Quando eu vim de lá de cima
Da aldeia do Cariri
Eu peguei água da mina
Na folha do Licurí
Me chamo Tupinambá
Eu sou lá do Tombenci
Ai, ai, ai
Entra na roda quem quer entrar
É samba de caboclo quem quiser pode dançar
Eu vou me embora pra minha aldeia de ouro
Eu vou me embora pra minha terra natal
Eu vou pedir que Zâmbi Apongo me dê
Uma estrela para eu andar no mar
É a hora é, é agora
É a hora é, chegou a hora
É a hora é, da marola
É a hora é, de ir pra Angola
Recolhida na casa de João Deloiá por Tunico Ferreira e adaptada por Martinho da Vila