Vai meu samba
Vai meu samba vai, meu samba vai
Vai meu samba
Vai meu samba vai, meu samba vai
Sabemos sempre que há
Algo pra se festejar
Onde houver alegria
Meu samba penetra pra comemorar
Pode ser um casamento
Nascimentou ou batizado
Nas festas de fim de ano
Ou comemorado o que foi conquistado
Vai meu samba
Vai meu samba vai, meu samba vai
Vai meu samba
Vai meu samba vai, meu samba vai
Vamos pular no salão
Fazer nosso carnaval
Salve! Estácio, Pilares
União da Ilha e Padre Miguel
Imperatriz, Beija-Flor
Cabuçu e Lins Imperial
Império, Salgueiro e Mangueira
Portela e Unidos de Vila Isabel
compositores: Martinho da Vila / Analimar
Eh Brasil
Um certo dia
Conheci uma gatinha
Paquerei e me dei bem
Namorei por namorar
Mas fui me afeiçoando
E pensei em me casar
Em me casar
Em me casar, em me casar
Em me casar
Mas casar como
Se não tinha um bom emprego
Nem heranças, nem padrinhos
Comecei a me virar
Muitos bicos, horas extras
Na coragem me noivei
Eu me noivei
Eu me noivei, eu me noivei
Eu me noivei
Trabalhei duro
Descolei uma graninha
Aluguei um “apêzinho”
Todo alegre eu me casei
Eu me casei
Eu me casei
Eu me casei
Eu me casei, eu me casei
Eu me casei
Minha gatinha
Decorou o “apêzinho”
E quando o “apê” tava do jeito
Senhorio me pediu
E eu tive que me mudar
Que me mudar
Que me mudar
Que me mudar
E todo ano era a mesma agonia
Eu lá nos classificados
Minha cabeça pensando
Onde é que eu vou parar
Onde é que eu vou parar
Mas onde é que eu vou parar
Onde é que eu vou parar
Mas onde é que eu vou parar
Onde é que eu vou parar
Mas onde é que eu vou parar
Minha preta foi à luta
Fizemos economia
Vendi uns troços que eu tinha
Comprei casa pela “Caixa”
Mas sempre com a intenção
De acabar com a prestação
A prestação
A prestação
A prestação
Levei a breca
Pois cheguei a conclusão
Que para tal quitação
Só ganhando na loteca
Eh, Brasil – Eh, Brasil
Eh, Brasil – Eh, Brasil
Eh, Brasil – Eh, Brasil
E ainda hoje
Pago “Caixa, Condomínio, Financeira, Iptu”
Tá pior que aluguel
Eh, Brasil – Eh, Brasil
Eh, Brasil – Eh, Brasil
Eh, Brasil – Eh, Brasil
Eh, Brasil – Eh, Brasil
E ainda hoje
Pago “Caixa, Condomínio, Financeira, Iptu”
Tá pior que aluguel
Eh, Brasil – Eh, Brasil
Eh, Brasil – Eh, Brasil
Eh, Brasil – Eh, Brasil
– Me enganaram
– Me fizeram de otário
– Mas serei proprietário
Eh, Brasil!
Eh, Brasiiiil
Eh, Brasiiiil
Eh, Brasiiiil
Eh, Brasiiiil
compositor: Martinho da Vila
É no embalo do meu samba que eu vou
Levando a vida do jeito que Deus mandou
Foi no balanço do cavaco do Mané
Que o meu samba devagar foi dando pé
Ai que saudade da Rosinha de Valença
Seu sorriso e seu suingue
Dedilhando o violão
É no embalo do meu samba que eu vou
Levando a vida do jeito que Deus mandou
Simplicidade do Carci lá da Mangueira
Primeiro som com o Manoel de Sapucaia
Que foi o grande professor do Alceu Maia
Que não tem adversário
Com seu cavaco na mão
É no embalo do meu samba que eu vou
Levando a vida do jeito que Deus mandou
Foi no balanço do cavaco do Mané
Que o meu samba devagar foi dando pé
Ai que saudade da Rosinha de Valença
Seu sorriso e seu suingue
Dedilhando o violão
Depois chegou o Manoel da Conceição
E foi aí que o meu samba ficou bom
É no embalo do meu samba que eu vou
Levando a vida do jeito que Deus mandou
E o Rildo Hora
Que é da terra do Cordel
Realeja pros amigos
Que já estão lá no céu
E quando aflora
Lá da gaita um som de mel
Vem saudade dos Carlinhos
Que estão mesmo lá no céu
compositores: Martinho da Vila / Mané do Cavaco
Quem quiser pegar na minha viola
Pode crer que vai se dar mal
Minha viola é de madeira-de-lei
Não é qualquer qualidade de pau
Quanto mais apanha sereno
O som da viola melhora
Quando eu entro no partido
Eu vou até o romper da aurora
É maçaranduba, moço
Maçaranduba ia, iá
Madeira dura que não quebra
E nem dá pra rachar
Já cantei muito samba
Eu já fui batuqueiro
E na roda de samba
Fui diretor de terreiro
Fui chamado pra cantar
Com o Pedro da Malaquia
Cantei sexta, sábado
Domingo até meio-dia
Tem areia, o, tem areia
Tem areia, o, tem areia
Tem areia no fundo do mar, tem areia
Tem areia no fundo do mar, tem areia
Poeira, poeira
O samba vai levantar poeira
Poeira, poeira
O samba vai levantar poeira
Miquilina, moça bela
Miquilina, moça fina
Desfilava na Portela
E também no Tupi de Brás de Pina
Quero ver quebrar
Quero ver quebrar
Quero ver quebrar
Eu quero ver
Todo mundo sambando
Eu quero ver
Todo mundo sambar
compositor: Martinho da Vila
Eu sou alegria
Sou popular, intelectual
E a quatrocentos anos
No país do futuro
Sou a grande paixão
Eu nasci na catequese
Participei na Abolição
A Independência eu assisti
Em tudo que acontece
Eu tô aí
Eu sou da guerra pela paz
A minha luta é pela vida
Meu grande palco
Minha gente é a avenida
Eu sou atriz
Eu sou ator
Sou o sambista verdadeiro
Eu sou, o teatro brasileiro
Eu sou ator
Eu sou atriz
Sou o artista brasileiro
Eu sou o teatro brasileiro
Eu sou, o artista brasileiro
Eu sou, o teatro brasileiro
compositor: Martinho da Vila
Se um dia
A boemia me chamasse
Com saudade e perguntasse
Por onde anda Noel
Com o meu sorriso responderia
O autor de “Filosofia”
Anda na terra e no céu
Eu não sambei com Noel
Com ele eu não cantei
Porém um dia sonhei
Que eu era o seu menestrel
Eu não bebi com Noel
Eu não vivi com Noel
Mas sei que ele está presente
Com a gente em Vila Isabel
E na avenida
Se me vêem como espelho
Eu sou o seu aparelho
Num transe de carnaval
E a fantasia que se usa
Já tem os tons de lá do céu
Que são as cores
Da nossa Vila Isabel
compositores: Martinho da Vila / Gracia do Salgueiro
Eu sou balanço
E telecoteco
Tô sempre no eco
Das variantes do samba
Bossa nova
Uma ramificação
Teve uma lira do “Lira” S
E o dedo do João
Lá do seu apartamento
Foi Jobim quem deu o tom
E se aproximou do morro
A grande Nara Leão
Dando um jeitinho na voz
Outro no violão
E aí a nossa Elza
Logo aderiu a questão
Terminando o samba
Na base da rouquidão
compositor: Martinho da Vila
Eu vou contar
A emoção que eu senti
Ao ouvir
Aquela voz chamar
Vem cá meu bem
Vem cá, vem, vem
Já não posso mais
Não vivo em paz
Sem você não sou ninguém
Vem cá meu bem
Quando aquela voz silenciou
Uma forte emoção
Do meu peito se apossou
Não resisti
A voz do coração
Que forte palpitou
E eu voltei
Para o primeiro amor
compositor: Martinho da Vila
Queria tanto lhe ver
Fazer amor com você
Um amor afim, tão bonito
Pode crer
Pra minha desilusão
Você pra mim veio não
Deixando tão aflito
Meu coração
Os meus olhos no relógio
Uma esperança, uma agonia
E na gira dos ponteiros
O meu desespero sonhando ter
O seu amor
Ó meu bem querer
Mas é fantasia
Por amor sofrer
Espera sonhada
Sonhando, sofria
Sofrendo, falava
Não quero
Queria
compositores: Martinho da Vila / Nelson Rufino
Ó minha amada
Estamos juntos
E acredito
Seremos muitos
Da minha vida
Já sabes tudo
Então me fale
Dos teus temores
Paixões e sonhos
Ansiedades, banalidades
Desilusões
Ó minha amada
Estamos juntos
E acredito
Seremos muitos
Estou sabendo
Que o teu desejo
É o meu sonho
A paz do amor
Então me fale
De peito aberto
Sem falsidades
Sem omissões
Ó minha amada
Estamos juntos
E acredito
Seremos muitos
Daqui pra frente
Na minha frente
Serás tão pura
Como nascestes
E sem defesas
Me entregarei
Tuas promessas
Serão verdades
Mais que as crenças
Nos ideais
E na verdade
Um só pro outro
Seremos dois
Três muito mais
compositores: Martinho da Vila / Claudio Jorge
Ai, ai, ai/Oi, oi, oi
Oi, oi, oi/Ai, ai, ai
Eh Rio de muitas portas
Bahia que tem janela
Eh mundo que não tem canto
Eh pensamento que voa
O vento me levando lá pro Pantanal
Pra ver Tuiuiú voando
Mas me sinto mal
Porque a poluição está se alastrando
E a toda a humanidade está ameaçando
Me lembro de um amor
Que eu guardo meu retrato
Me dizia que este mundo
Ainda tem salvação
Negritude mantém vivo
Meu sangue africano
É por isto que meu canto
Vem do coração
Eh Rio de muitas portas
Bahia que tem janela
Eh mundo que não tem canto
Eh pensamento que voa
Eh pensando que voa
Pra banda das Alagoas
Me leva pra Guarabira
Nas terras da Paraíba
São Paulo
Tatal juíza
Porque não quis me prender
Mineira de Paraobeba
Que saudade de você
Ai, ai, ai/Oi, oi, oi
Oi, oi, oi/Ai, ai, ai
Eh Rio de muitas portas
Bahia que tem janela
Eh mundo que não tem canto
Eh pensamento que voa