- Seleção de Sambas-Enredo
- Sol e Chuva, Casamento de Viúva
- Jaguatirica
- Quem Me Guia
- Mistura da Raça
- Kizomba, Festa da Raça
- Liberdade, pelo Amor de Deus
- Cafundó de Minas
- Bom Dia, Minha Flor
- Tom Maior
- Axé pra Todo Mundo
Valeu Zumbi
O grito forte dos Palmares
Que correu terras céus e mares
Influenciando a Abolição
Zumbi valeu
Hoje a Vila é Kizomba
É batuque, canto e dança
Jogo e Maracatu
Vem menininha pra dançar o Caxambu
Vem menininha pra dançar o Caxambu
Ô ô nega mina
Anastácia não se deixou escravizar
Ô ô Clementina
O pagode é o partido popular
Sarcedote ergue a taça
Convocando toda a massa
Nesse evento que com graça
Gente de todas as raças
Numa mesma emoção
Esta Kizomba é nossa constituição
Esta Kizomba é nossa constituição
Que magia
Reza ageum e Orixá
Tem a força da Cultura
Tem a arte e a bravura
E um bom jogo de cintura
Faz valer seus ideais
E a beleza pura dos seus rituais
Vem a Lua de Luanda
Para iluminar a rua
Nossa sede é nossa sede
De que o Apartheid se destrua
Vem a Lua de Luanda
Para iluminar a rua
Nossa sede é nossa sede
De que o Apartheid se destrua
Valeu
Valeu Zumbi
compositores: Rodolpho / Jonas / Luís Carlos da Vila
Liberdade, liberdade, liberdade, liberdade (Pelo amor de Deus)
Liberdade, liberdade, liberdade, liberdade
Só em liberdade
Você é o homem
Que Deus escolher
Pra sua imagem
Só em liberdade
O homem se encontra
Com sua verdade
Com a própria mensagem (Me valha meu Deus)
Liberdade… (Pelo amor de Deus)
Só em liberdade
Se dorme tranqüilo
Adversidade
Fortalece o homem
Que guia outros homens
Pra além das estrelas
Moldando seus sonhos
De felicidade
(O som é de Deus)
Liberdade, liberdade, liberdade, liberdade
Pelo amor de Deus
Pra todos os seus
Para os filhos meus
Liberdade pra reis e pebleus
compositor: Martinho da Vila
Eu vou me mandar
É lá pro cafundó de Minas
Lá pro cafundó de Minas
Lá pro cafundó de Minas
Pra seguir os conselhos da vovó
Não vou só, não vou só
Pra seguir os conselhos da vovó
Não vou só pro Cafundó
Pra seguir os conselhos da vovó
Não vou só, não vou só
Pra seguir os conselhos da vovó
Segura a pemba pra gente calanguear
Lá no Cafundó de minas
Não há tempo pra chorar
Tem água benta na fonte dos Ananás
Menina bonita faceira
Comigo quer aventurar
Pra ser a rainha mineira
Menina das Minas do novo sonhar
Deixarei pra trás as dores
Das desilusões da cidade
Sonhos só nos sonhos
Nunca mais
Não levo rancor de ninguém
Na sacola nada de saudades
Só minha viola pra cantar em paz
compositores: Agrião / Gaúcho da Vila
Galo já cantou no meu terreiro
Pássaros já vão se alvoroçar
Aurora raiou
Astro-rei já vem
Bom dia minha flor, meu bem
Bom dia, bom dia, bom dia, meu amor
Mundo girando e há pés que são donos da bola
Mais as esmolas minguando e aumentando as mãos
Gente solta o corpo pra correr
Povo sai correndo é pro trabalho
Padeiros no trigo
Enxada nos campos
Foice nos canaviais
Você comigo
Bom dia, bom dia, bom dia, meu amor
A criançada já foi sonolenta pra escola
Prenda doméstica, mestra, vassoura e sabão
Galo já cantou no meu terreiro
Pássaros já vão se alvoroçar
Aurora raiou
Astro-rei já vem
Bom dia, bom dia, bom dia, meu amor
Luta é labuta
Trabalho é fonte de vida
Vida é amor
E o amor nosso mel nosso pão
compositores: Martinho da Vila / Rido Hora
Esta em você
O que o amor gerou
Ele vai nascer, e há de ser sem dor
Ah! Eu hei de ver
Você ninar e ele dormir
Hei de vê-lo andar
Falar, sorrir
Ah! Eu hei de ver
Você ninar e ele dormir
Hei de vê-lo andar
Falar, cantar, sorrir
E então quando ele crescer
Vai ter que ser homem de bem
Vou ensina-lo a viver
Onde ninguém é de ninguém
Vai ter que amar a liberdade
Só vai cantar em Tom Maior
Vai ter a felicidade de
Ver um Brasil melhor
compositor: Martinho da Vila
Axé, axé, axé pra todo mundo, axé
Muito axé, muito axé
Muito axé pra todo mundo, axé
– Eu negro brasileiro
Desejo pra esse Brasil
De todas as raças
De todos os credos
Axé
Axé, axé, axé pra todo mundo, axé
Muito axé, muito axé
Muito axé pra todo mundo, axé
Axé: paz
Axé: felicidade
Axé: energia positiva, força
Muito axé pra todo mundo, axé
compositor: Martinho da Vila
Apesar… de não possuir grande beleza
Chica da Silva surgiu no seio da mais alta nobreza
O contratador, João Fernandes de Oliveira
A comprou para ser sua companheira
E a mulata, que era escrava
Sentiu forte transformação
Trocando o gemido da senzala
Pela fidalguia do salão
Com a influencia e poder do seu amor
Que superou a barreira da cor
Francisca da Silva do cativeiro zombou
No arraial do Tijuco
Lá no estado de Minas
Hoje lendária cidade
Seu lindo nome é Diamantina
Onde viveu a Chica, que manda
Deslumbrando a sociedade
Com orgulho e capricho da mulata
Importante majestosa invejada
Para que a vida lhe tornasse mais bela
João Fernandes de Oliveira
Mandou construir um vasto lago
E uma belíssima galera
E uma riquíssima liteira
Para conduzi-la
Quando ia assistir à missa na capela
compositores: Anescar / Noel Rosa de Oliveira
O negro na senzala cruciante
Olhando o céu pedia a todo instante
Em seu canto e lamento de saudade
Apenas uma coisa, liberdade
Na região denominada preto forro
Lá na serra do Mateus
Na Boca do Mato
Todo negro dono de sua liberdade
Na maior felicidade
Se dirigia para lá
Reunidos davam início à festança
Com pandeiros tamborins, xexeréus e ganzás
Oeo, oea, saravá meu povo
E salve todos os Orixás
Sob o clarão da Lua
E o foco do lampião
A capoeira era jogada
Sempre ao som de um refrão
Você me chamou de moleque
Moleque é tu
compositores: Nilo Mendes / Dário Marciano
Ilu Ayê, ilu ayê, odara
Negro cantava na nação Nagô
Depois chorou lamento de Senzala
Tão longe estava de sua Ilu Ayê
Tempo passou, ô ô
E no terreirão da casa grande
Negro diz tudo que pode dizer
É samba, é batuque, é reza
É dança, é ladainha
Negro joga capoeira
E faz louvação à rainha
Hoje, negro é terra
Negro é vida
Na mutação do tempo
Desfilando na avenida
Negro é sensacional
É toda festa do povo
É dono do Carnaval
compositores: Cabana / Norival Reis
Vejam o que esta chuva faz
Que saudade dá
Doce lembrança traz
Amarelou
Vermelhou lilás
Violetou
Esverdeou anil
Sol e chuva, casamento de viúva
O arco de Deus tá colorindo o céu
E os contos da vovó me faz pensar
Na moça que embaixo do mesmo passar
Bem cedo vai se casar
Nem ganhará a louça de porcelana que a vovó
Guardava para presentear
Sol e chuva, casamento de viúva
Ventou, tempestade rolou
Fruta pelo chão caiu
Do cajueiro voou um Tiziu
E a molecada se espantou fugiu
Da moça bela que bravamente se zanga
Derrubaram seu balaio
De Cajá e Manga
Moça, deixa isso pra lá
Olha a ciranda, eu quero ver
Você cirandar
Pega na mão do menino
Entra na roda pra rodopiar
O peão, saiu da feira e bambeou
No chão, buscando o seu destino
Pulou na unha do bambino
E ziguezagueou
No eme da mão do menino
compositores: Martinho da Vila / Beto Sem Braço
Chegou
Desvirginando a minha mente
E em mim se faz presente
Com seu jeito sedutor
Plantou em mim
Plantou em si floresceu
Um grande amor
Igual já mais aconteceu
Fêmea felina que lambe meu suor
Minha caça perseguida
Meu sentimento maior
Minha canção preferida
Meu acorde em tom menor
Eu sei que é
Esse tal de amor que fica
É pequenina e gostosa
Como banana nanica
Uma mistura cheirosa
Carvalho, rosa e arnica
Me bebe como cachaça
Me come como canjica
Quem ela é?
É minha Jaguatirica
Parece gata selvagem
Me arranha e me complica
Quem ela é?
É minha Jaguatirica
compositores: Martinho da Vila / Zé Catimba
Quem me guia, quem te guia
Alumia a razão de todos nós
O Zé, deixa estar no candeeiro
Que o terreiro está
Iluminado pela Lua
Pela Lua Zé, pela Lua
Pela Lua, Seu José, pela Lua
A estrela que borda no céu
É que nos guia
A alumia a razão de todos nós
Me da o meu chapéu de palha
Meu borná, meu samburá
Que eu quero caminhar
Nessa longa estrada
Prateada, Zé, perfumada
Prateada, Seu José, perfumada
O cheiro de alecrim
Me deixou apaixonado
Dos pirilampos sou eterno enamorado
Enamorado, enamorado
Dos pirilampos sou eterno enamorado
Quem me guia…
O cantar da passarada
Ela guia
A escuridão da madrugada
Alumia
Lá no campo a vaquejada
Ela guia
E toda relva verdejada
Alumia
E o cantar da criançada
Ela guia e alumia
E alumia a razão de todos nós
Quem me guia
compositores: Beto Sem Braço / Serginho Meriti
E aí levantei, sacudindo a poeira
Na terra do samba
Finquei bandeira
Cantei pro meu santo
Senhor da pedreira
Mostrando a mistura da raça brasileira
A você que me deu a mão
Agradeço de coração
A você que me fez sorrir
Eis aqui minha gratidão
Pra você que me faz feliz
Vai um samba de raiz
Que coloriu meu chão
A você que me fez sofrer
Ofereço meu perdão
compositores: Noca da Portela / Roberto Serrão