Preta, que preta, que preta
Que preta, que nêga
Nêga, que nêga, que nêga
Pretinha, que preta
Quando a pretinha chega para galderiar
Os meus olhos paqueras se abrem
Coração menino se apura
E os lábios se molham pro beijo que vem
Nosso amor passarinha qual pluma no ar
E os seres maldosos não sabem
Que mesmo transando a ternura é tão pura
Que os anjos nos dizem amém minha preta,
Preta, que preta, que preta
Que preta, que nêga
Nêga, que nêga, que nêga
Pretinha, que preta
Mas eu sei menina
Que um dia irás
Curvar-se ao destino
Que o senso impuser
Então eu serei
Simplesmente amigo
E tu serás só, saudade mulher
Mais sempre que eu estiver numa onda de sonhos
Com lua espiando ou sol por um juíz
Vou olhar lá pro céu
E pedir para os astros
Guiarem teus passos
Para seres feliz
Minha preta,
Preta, que preta, que preta
Que preta, que nêga
Nêga, que nêga, que nêga
Pretinha, que preta
compositor: Martinho da Vila
Coração de malandro
Não bate, balança
Pra lá e pra cá
Se bater é bobeira e malandro dança
E malandro não pode dançar
Ê menina
A hora é essa
Ê menina
Quem mandou você fazer promessa, menina!
Ê menina
A hora é essa
Ê menina
Vamos embora deixa de conversa
Eu estava saindo do samba
Na hora que você chegou
Pedindo qu’eu não fosse embora
Pra gente brincar de amor
Fiquei até romper da aurora
E agora o samba acabou
Comigo ajoelha, tem reza
Pra que você se ajoelhou
Oi menina!
compositores: Martinho da Vila / Gracia do Salgueiro
Você
Chegou prometendo pra nós vida nova
Que havia mudado e podia dar prova
Você mentiu, você mentiu
E eu, eu fui na conversa fazendo de novo meus planos
Carente que estava depois de sofrer tantos anos
Acreditei, que injenuidade
Cheguei até a comprar, investir e pensar no futuro
Zombava de quem me olhava sorrindo seguro
Eu fui feliz, eu fui feliz
Porém
Agora que tudo acabou aprendi a lição
Você não me pega de novo na sua armação
Pois pra mim não dá mais não
Vou confessar
Sentimental
Que o nosso caso de amor, não passou
De um quiproquó nacional, que pintou
Já me cansei do seu blá, blá, blá, blá
Você precisa de ter mais vergolha na cara, ô cara
Você precisa de ter mais vergolha na cara, ô cara
compositores: Rildo Hora / Affonso Romano de Sant’anna
Só na próxima semana
Eu irei te encontrar
Se o presságio não me enganar
Contigo irei sonhar
Entre as nuvens lá no céu
Meu amor, meu bem
Entre as estrelas do mar
Estarais também
E os teus lábios de mel
Em meus devaneios
Eu irei sugar
E os teus lábios de mel
Em meus devaneios
Eu irei sugar
E na próxima semana
Quando eu te encontrar
O que era fantasia
Realidade será
Quando os nossos olhos
Forem se encontrando
Pensamento e almas
Vão se integrar
Então novamente eu estarei sonhando
De tanto prazer
Vamos delirar
Quando os nossos olhos
Forem se encontrando
Pensamento e almas
Vão se integrar
Então novamente eu estarei sonhando
De tanto prazer
Vamos delirar
Só na próxima semana…
compositor: Martinho da Vila
Eu não quero esta mulher, ai, ai
Não quero
Mais qualquer coisa
Me obriga a ir lhe procurar
Eu não sei se foram os seus beijos
Esses malditos desejos a me atormentar
Para esquecê-la me esforço
Mais não posso
Para esquecê-la me esforço
Mais não posso
Sua silhueta é uma sedução
Vivo com seu nome na imaginação
A carne é fraca
Tentação é desumana
Um mal destino me indicou essa mundana
E um anjo bom me diz
Esta mulher vai lhe jogar na lama
compositor: Ozório Lima
Você
Nem deve pensar
Nos áureos tempos
Do nosso romance
Quando a felicidade
Bem perto esteve
Do nosso alcance
Eram tantas as brigas
Que culminavam em separação
Apesar das grandes intrigas
Sempre houve uma reconciliação
Mas você encontrou quem lhe dá paz
Podendo até ser feliz
E o nosso amor
Não pode viver mais
Foi o destino que assim quis
Eu engano a quem me ama
Quando o meu coração reclama
Você
Inventa uma estória
E trai quem lhe adora
Quando aquele tempo lhe vem na memória
Mas não fica bem
Esta convivência
Temos que atender
A nossa conciência
E só pensar assim
Pra você eu não existo
E você morreu pra mim
compositor: Martinho da Vila
Menina moça vai passear
Vai passear iá, iá
Quer rapaizinho pra acompanhar
Pra acompanhar, iá, iá
Tá passeando já quer fletar
Já quer fletar iá, iá
Quem tá flertando que namorar
Quer namorar iá, iá
Tá namorando já quer noivar
Já quer noivar iá, iá
Moça esta noiva quer se casar
Quer se casar iá, iá
Se está casada só quer brigar
Só quer brigar iá, iá
Quem tá brigando quer desquitar
Quer desquitar iá, iá
Tá desquitada quer se amigar
Quer se amigar iá, iá
Tá amigada quer separar
Quer separar iá, iá
Tá separada não quer amar
Não quer amar iá, iá
Não tá amando só quer chorar
Só quer chorar iá, iá
Só quer chorar, chorar
Ai não chora menina
Para que chorar
Oi levante a cabeça
E vá se consolar
Esta vida é cumprida
E você tão querida
Eu preciso do amor
Que você tem pra dar
Vamos cantar, cantar
Lara lara lara
Vamos cantar, cantar
Lara laiá, lara laiá
compositor: Martinho da Vila
Estamos juntos, porém, muito separados
Eu nas favelas e você em outros lados
Você dormindo e eu de olho arregalado
Você trabalha mas eu pégo é no pesado
Me ame, me ame, me ame, te amo
Te amo, te amo, te amo, me ame
A paciencia sempre Luterkingueando
Mas Malcol X é um demonio incorporando
Meu coração malandramente te avisando
Mas você pensa que eu estou só implorando
Por favor,
Me ame, me ame, me ame, te amo
Te amo, te amo, te amo, me ame
Se eu for pra Havana e você lá pra Seul
Vão fazer amor primeiro
Lá na África do Sul
E se isso acontecer
Eu vou me embora pra Lubango
Merengar lá no Cunene
Ou me banhar no Rio Cuango
Me ame, me ame, me ame
Ai, ai, ai Muxima Aiame
compositor: Martinho da Vila
No Harlem o som do godspel
Astral do Apolo Theathe
Espirituais espíritos
Na igreja Baptista
Como no Rio, Umbanda
Candomblé, Bahia
Na Forty-Six os patrícios
Na St Patrick uma oração
Tão diferente da Bonfim
A catedral do povo
Lembro a igreja do Bonfim
A catedral do povo
Na Brodway strip-tease
No Village um som do jazz
Provando que acima dos erros humanos
Em torno de um velho piano
O blues aproxima os fiéis
Tem madison Square, Radio City
Senzala e Carnegee Hall
A Washington Square é uma praça maluca
Youngs com todo na cuca
Silêncio no Parque Central
No SOB’s rola um som brasileiro
Parece que é carnaval
compositor: Rildo Hora / Martinho da Vila
Olho verde e negro
Pêlo liso e crespo sensual
Negras mãos num corpo ariano de Amsterdam
Moças na vitrine, som no clube gay é normal
Gente deslizando em gêlo numa fria manhã
Já bem cedo alguém se aquece com um vinho alemão
Cachicol, boné, casaco
Luva, bota e meião
Scheveningen sem sol
Mesmo assim é tão bonito
Inverno, neve, primavera, flores
Um lugarzinho privê
Dos contrastes do meu belo Rio aflito
Ao invés de um samba eu mando
Um blues pra você
compositores: Rosinha de Valença / Martinho da Vila
A Serra do Rola Moça
Não tinha esse nome não
A Serra do Rola Moça
Não tinha esse nome não
Eles eram do outro lado
Vieram na vila casar
E atravessaram a serra
O noivo com a noiva dele
Cada qual no seu cavalo
Antes que chegasse a noite
Se lembraram de voltar
Disseram adeus pra todos
E puseram-se de novo
Pelos atalhos da serra
Cada qual no seu cavalo
E a Serra do Rola Moça
Não tinha esse nome não
Os dois estavam felizes
Na altura tudo era paz
Pelos caminhos estreitos
Ela na frente, ele atrás
E riam, como eles riam
Riam até sem razão
A Serra do Rola Moça
Não tinha esse nome não
As tribos rubras da tarde
Rapidamente fugiam
E apressadas se escondiam
Lá embaixo nos socavões
Temendo a noite que vinha
Porém os dois continuavam
Cada qual no seu cavalo
E riam, como eles riam
E os risos também casavam
Com as pisadas dos cascalhos
Que pulando levianinhos
Da vereda se soltavam
Buscando despenhadeiro
A Serra do Rola Moça
Não tinha esse nome não
Há! fortuna inviolável
O casco pisara em falso
Dão noiva e cavalo um salto
Precipitados no abismo
Nem um baque se escutou
Fez-se um silêncio de morte
Na altura tudo era paz
Chicoteando o seu cavalo
No vão do despenhadeiro
O noivo se despenhou
E a Serra do Rola Moça
Rola Moça se chamou
compositor: Martinho da Vila
Poema: Mário de Andrade
Ai que saudade da beleza democrática
Ai que saudade do sorriso progressista
Ai que saudade de ouvir certas verdades
Que a burguesia sempre pensa mais não diz
Ela era crooner de uma orquestra sistemática
Feita de loucos de poetas e porristas
Era a estátua nacional da liberdade
Ditando a lei do ventre livre no país
Aquelas noites eram feias, eram trágicas
Mais sua luz anunciava o diretriz
Comportamentos mais abertos transparentes
Pra nossa gente ser mais gente e mais feliz
Hoje a saudade escreve os versos neste samba
Que é um dos sambas mais sentidos que eu já fiz
Esta saudade tem um nome
E um sobrenome
Esta saudade é uma mulher
Leila Diniz
compositores: Martinho da Vila / Nei Lopes