É José
Esta vida é um barato
Agora o gato e o rato
Estão comendo no mesmo prato
O gato dá quijo pro rato
O rato dá peixe pro gato
Antigamente o gato
Com o rato não se dava
Onde estava o gato
O rato nunca ficava
Hoje os dois vivem juntos
Afanam de parceria
A dupla está formada
Um rouba e o outro vigia
É por isto
Que a nossa despensa anda vazia
Sempre tivemos ratos
Pra fazer a gente de gato e sapato
Roiam, roubavam, fugiam
Com medo do pulo do gato
Não entravam no balaio
Se escondiam num buraco
Mas agora balaio de gato
É balaio de gato e rato
compositores: Cabana / Martinho da Vila
Velho Ancieto
Fundador do grande Império
Quando entra no partido
Ele é um caso sério
PARTIDEIRO FAMOSO
(Ancieto)
Sou partideiro famoso
Inspiração me irradia
Busco temas variados
Que não causam hipocondria
O oposto da noite
O dia
A loucura do cão
Hidrofobia
Virgem mãe do senhor
Tereza
Virgem mãe do senhor
Maria
Veja bem o meu tema provoca alegria
Onde é feito o batismo
Na pia
A concordia de um grupo
Harmonia
Amor demasiado
Idolatria
O fingido possui
Hipocrisia
Ancieto é cheio
De filosofia
Agir de contra senso
Heresia
O hotel ou pensão
Hospedaria
Partideiros são muitos
Com hierarquia
A irmão da trsiteza
Melancolia
Acredito provei
Inspiração me irradia
SUA FILHA
(Aniceto)
Minha sogra
Eu vim trazer sua filha
Antes que eu perca a cabeça
E cometa uma asneira
Mandei lavar a roupa ela disse:
– Eu não sou lavadeira
lavei e mandei-a passar ela disse:
– Eu não sou passadeira
Eu não posso viver com esta mulher
Assim dessa maneira
Eu quis dar uma de macho
Com esta nega chibateira
Ela me meteu a perna
E eu bati com a cabeça na soleira
Eu quis ir ver o doutor
Ela me levou pra macumbeira
Ela pega a minha grana
E diz que vai fazer compra na feira
Pega o dinheiro, joga no bicho
Perde e ainda faz choradeira
Vamos pro Clube do Samba
E de lá ela sai com João Nogueira
Eu não posso viver com essa mulher
Assim dessa maneira
Aniceto não transe mais com essa mulher
Assim dessa maneira
Martinho da Vila não gosta mais desta mulher
Assim dessa maneira
Enfim não podemos viver com essa mulher
Assim dessa maneira
Participação especial: Aniceto do Império
Eu não sei mais o que fazer
Pra você não ir embora
O nosso amor não acabou
Mas há uma agonia
É um conflito interior
Comum na nossa geração
Dá uma vontade de sumir
Romper o laço umbilical
Mas destransar eu sei
É tão difícil amor
Se ainda existe
Uma atração carnala
E agora já nem sei
Se é bom você ficar
Se eu constatei
Vontades de voar
compositores: João de Aquino / Martinho da Vila
Vieram me contar, o lala
Que a lua ressurgiu, o lala
E com seu manto revestiu, o lala
Toda escuridão do mar
Ai, o lele, lala
Ah! Sonho bom
Vá buscar meu querer
Mas eu sei que o luar
Não é mais de São Jorge, não
Ela não vem
Mas eu sei sublinhar
E cantar pro luar
Nas noites de verão
Sonho bom…
compositores: Mateus / Dadinho / Martinho da Vila Participação especial: Os Ticoãs
Sou eu, sou eu
Sou eu o amor de mãe
Sou eu o amor de mamãe
Até morrer, sou xodó de mãe
Quero ser livre e sincero
Sem falsa crença ou prisão
Se eu amo a quem não quero
É que me dou de coração
Se eu amo a quem não me ama
É o grande sol que sorri
Se eu não amo a quem me ama
É sombra que está aqui
Qualquer caminho me leva
Qualquer estrada é caminho
Eu procuro o fim do mundo
Mas não quero andar sozinho
Eu vou seguindo sem medo
Minha alma a tudo ignora
Na sombra de um arvoredo
Quem já trabalhou não chora
PAQUETE A SOBARA
(Martinho da Vila – Tião Motorista)
A barca atirou no mar
O paquete vai largar
Tem saveiro na Sobara
Eu sou sobarense lá
Eu sou sobarense lá, eu sou sobarense lá
MICARETA
(Martinho da Vila – Tião Motorista)
Não adianta
Você me fazer falseta
Que eu vou pintar minha cara
Pra pular na micareta
Pra pular na micareta
Com uma nega bem porreta
Pra pular na micareta
Saborosa com lambreta
Pra pular na micareta
Eu tiro o dinheiro da gaveta
PEGA NA GALHA
(Tião Motorista – Martinho da Vila)
Pega na galha do boi
Segura na galha do boi, ô mulher
Pega na galha do boi
Segura na galha do boi, ô mulher
Pega na galha do boi
Se pendura na galha do boi, ô mulher
Pega na galha do boi
Segura na galha do boi, ô mulher
Pega na galha do boi
Se você fica sem galho, ô mulher
Pega na galha do boi
Segura na galha do boi, ô mulher
Pega na galha do boi
Porque você é sua vaca de fé
Pega na galha do boi
Segura na galha do boi, ô mulher
compositores: Tião Motorista / Martinho da Vila participação especial: Tião Motorista
Madalena era uma cabrocha bonita
Do samba, do samba
Companheira inseparável de dois mulatos
Dois bambas, dois bambas
Andavam dizendo que a Madalena
Do Chico Pacato gostava um bocado
Que tinha um xamego
Com o cabra de fato
Mas ela era toda
Do Zé do Amarrado
Porém certo dia
Linda Madalena
Foi a uma macumba
Fazer uma prece
Pra que um dos mulatos
Com ela ficasse
E os dois inimigos
As pazes fizessem
Não sei que muamba
Mandou fazer ela
Que o Zé do Amarrado
Ganhou uma vela
Linda Madalena
Pivó de um conflito
Foi com o Chico Pacato
Por vias de fato
Morar no distrito
compositores: Martinho da Vila
Oitenta e dois, dezembro, dezessete
Pela terceira vez a história se repete
Desta vez com a Juca
A Juju, Juquinha
Minha Juliana ficando mocinha
É um corre corre
É um pula pula
É o Salgueiro que pintou na avenida
Mas que bonito
Ela já ovula…
Daqui pra frente
Marcas no papel
Todo o mês Salgueiro
Todo o mês São Carlos
Todo o mês Unidos de Padre Miguel
Até que um dia não haja desfile
Um sinal de vida
Netinha ou netinho
Pro papai Martinho
Pra mamãe Rucinha
Pela vez terceira a história se repete
Oitenta e dois, dezembro, dezessete
compositor: Martinho da Vila
Os meninos à volta da fogueira
Vão aprender coisas de sonho e de verdade
Vão perceber como se ganha uma bandeira
E vão saber o que custou a liberdade
Palavras são palavras não são trovas
Palavras deste tempo sempre novo
Lá os meninos aprenderam coisas novas
E até já dizem que as estrelas são do povo
Aqui os homens permanecem lá no alto
Com suas contas engraçadas de somar
Não se aproximam das favelas nem dos campos
E tem medo de tudo que é popular
Mas os meninos deste continente novo
Hão de saber fazer história e ensinar
compositores: Rui Mingas / Manoel Rui / Martinho da Vila
Um canto novo
Soa aos ouvidos
Faz a cabeça
Já está nas bocas
E não se deve
Prender um canto
Se esse canto é de fé
O forte canto
Vi em Angola
Em Moçambique
Em Cabo Verde
Na Tanzânia
Na Etiópia
Mesmas cores das Guinés
Lá no Zimbabwe
Congo
Em São Tomé e Benin
Negros odores e carmin
Vibro, me encanto
Canto
E até já nem me espanto
Com os tambores e clarins
compositores: Rildo Hora / Martinho da Vila
Foi ela
Quem convenceu o primeiro
Pra junto do missangueiro
Que havia ao meio da rua
E disse
Daquele jeito
Em que ninguém a imita
Metade da esteira é sua
Logo depois da rebita
Foi ela
Quem agarrou o segundo
No quintalão lá do fundo
Que havia ao fundo da rua
E disse
Daquele jeito
Em que ninguém a imita
Metade da esteira é sua
Logo depois da rebita
Foi ela
Quem arrastou o terceiro
Pra junto do embundeiro
Que havia no fim da rua
E disse
Daquele jeito
Em que ninguém a imita
Metade da esteira é sua
Logo depois da rebita
Foi ela
Quem provocou
Toda a maca no musseque
Foi ela
E esses moleques que estavam fora
Da combinação desta barona
Agora
Chamam-lhe Maria Provocação
Chamam-lhe Maria Provocação
compositores: Adelino Tavares / Ana Maria Mascarenhas
O sol se escondeu
O céu se enuveceu
Se fez um véu de tristeza singular
E o Rio que foi festa em fevereiro
Parou todo um dia inteiro
Tão somente pra chorar
Chorar tristemente por aquela
Que cantou pela Portela
Também a Portela chorou
Vai fazer falta na avenida
Quem viveu cantando a vida
Não morreu, desencantou
Será que Oxalá com seus ciúmes
Quis sentir os seus perfumes
E ouvir o seu cantar
Clara guerreira
Mineira faceira
A que fez Madureira de novo chorar
A morte pra mim não é despedida
Porque a morte é a vida
Que se faz continuar