Ex-amor
Gostaria que tu soubesse
O quanto que eu sofri
Ao ter que me afastar de ti
Não chorei
Como um louco eu até sorri
Mas no fundo só eu sei
Das angústias que senti
Sempre sonhamos
Com o mais eterno amor
Infelizmente
Eu lamento mas não deu
Nos desgastamos
Transformando tudo em dor
Mas mesmo assim
Eu acredito que valeu
Quando a saudade bate forte
É envolvente
Eu me possuo
E é na tua intenção
Com a minha cuca
Naqueles momentos quentes
Em que se acelerava meu coração
compositor: Martinho da Vila
Meu país
Tipicamente é tropical
Diz-se que plantando tudo aqui dá
E impera o carnaval
Futebol
É a maior diversão
O ano inteiro muito sol
Pra pegar uma cor
Violão
Viola no calango
Sanfona no xaxado
Cuíca no meu samba
Zabumba no baião
E cachaça na batida
Motel pra transação
E feitiço na macumba
Um amor…
Favelas, palafitas
Mocambos e musseques
E cabeças de porco
Curtiços e vielas
Assaltos, contrabandos
O jogo nas esquinas
E o papo tão furado
Que bom
E pra melhorar
Falta só mesmo é votar pra presidente
Sem participar
Não vou ficar sempre assim
Tão sorridente
compositores: Rildo Hora / Martinho da Vila
Olha lá menina
Olha lá, olha lá
Olha lá o céu
Olha lá, olha lá
Olha lá uma estrela
Olha lá, olha lá
Olha lá o mar
Olha lá, olha lá
Olha lá a flor brotando
Olha lá, olha lá
Olha lá o sabiá
Olha lá, olha lá
Eu só fico observando
O seu modo de olhar
Pra uma mãe amamentando
Olha lá, olha lá
Olha o pássaro voando
E o cantador cantando
Um canto do Ceará
Olho o teu rosto
Com este olho arregalado
Com essa boca tentadora
E cabelos encaracolados
Vê lá menina
Quero ser seu namorado
Mas eu tenho muito medo
Que você me traga de canto chorado
compositor: Martinho da Vila
Se a lua brilha
Lá no alto da montanha
Eu só fico apreciando
A beleza do luar
E me lembrando
Do meu tempo de criança
Quando eu só enchia a pança
Sem ter que me preocupar
Jogava bola
E pulava amarelinha
Gazetiava na escola
E rodava o meu pião
Com atiradeira
Eu caçava uma rolinha
E curtia uma fogueira
No dia de São João
Se a lua brilha
Deixa a lua brilhar
Se a sanfona tá tocando
Deixa a sanfona tocar
Deixa a sanfona tocar
Que eu vou pensando num verso
Pra poder improvisar
Pra poder calanguear
Pegue na cintura dela
E jogue o corpo devagar
Que a vida é muito curta
Temos que aproveitar
compositor: Martinho da Vila
Ah, que maravilha o dia amanhecendo
E como é suave a brisa me beijando
Que extasiante o meu corpo molhado
Quão excitante o sol me possuindo
Um peixe frito, um chope gelado
Há tanta ternura numa tarde noite
E como é romântico o som de um piano
Sim,
Estou curtindo a fina comidinha
E nas cabeças só caipirinha
Vinhos chilenos e Remy Martin
Sei,
Que a minha alma só está cantando
Os meus sentidos só estão sentindo
Porque você está aqui me amando
compositor: Martinho da Vila
Teka, rendeira
Eliane, praiera
Vamos pra Paripueura
Vamos pra Paripueira
Vai ter sururu
Vai ter sururu
E o Maré fica na beira
Da Lagoa de Mundau
Da Lagoa de Mundau
Da Lagoa de Mundau
Da Lagoa de Mundau
Vou tomar uma azuladinha
E vou convidar vocês
Pra comer uma agulinha
Lá na Praia do Francês
E um casadinho de feijão
Lá na casa do Seu João
E depois vou vadiar
Com as meninas em Mossoró
Só em Maceió
Só em Maceió
É que se pode vadiar
Com as meninas de Mossoró
Com as meninas de Mossoró
Alagoas, Alagoas
Há lagoas
Ganga Zumba pra onde foi
Foi pra lá das Alagoas
E um bom “pega de boi”
Só tem lá em Alagoas
Rifle de papo amarelo
Se encontra em Alagoas
Pra encontrar Fernando Mello
Tem que ir em Alagoas
E manga rosa da boa
É coisa lá de Alagoas
compositor: Martinho da Vila
Me faz um dengo, me faz um xamego
Me tire o sossego
Me faz cafuné
Me faz um dengo, me faz um xamego
Me faz bem homem
Que eu te faço bem mulher
Se quiser me arranhe
Me agarre, me morda
Que eu me arrepio
Chego quase a desmaiar
Te dou um beijo te ouriço toda
Te deixo bem doida a se desvairar
Amorzinho
Como é bom
Repousar nesse teu colo
Descansar da relação
E um carinho
Ao despertar
E depois novos afagos
Pra poder recomeçar
compositores: Zé Catimba / Martinho da Vila
Ele
Tirou do azul o mais azul
Ele
Pegou do branco a paz maior
E o canto mais negro que passarinhou no céu
E daí, criou Vila Isabel
E daí, criou Vila Isabel
E vieram poetas pra perturbar a criação
E esta beleza toda é uma das razões do meu viver
Eu agradeço a Ele do fundo do coração
Pela graça divina de a Vila eu pertencer
E repetirei com toda minha emoção
Serei Vila Isabel até morrer
compositores: Martinho da Vila / Luiz Carlos da Vila
Surgi nadando
Na bolsa d’água
E dei um choro
Quando nasci
Mamei no peito
Fui bem criança
Já trabalhando
Adolesci
Tive direito a
Felicidade
E como todos
Também sorri
Fiquei adulto
Já estou maduro
Fui muito amado
E muito amei
Se Deus quiser
Vou ficar velho
A morte é certa
Depois não sei
compositor: Martinho da Vila
Podemos falar de futebol
Divagar sobre a temperatura
Comentar os problemas do Irã
Ou o tiro que levou o Reagan
Posso até discutir religião
Ou falar num domingo de sol
Criticar a terrível inflação
O machismo, o racismo a tortura
Mas daquele amor,
Nem me fale
Não me fale que eu me irrito
Perco a linha
Dou um grito
Depois fico depressivo
Todo cheio de saudade
Pois de uma coisa bonita
Não restou nem amizade
Daquele amor, não me fale
compositores: João Donato / Martinho da Vila
Noite alta, céu risonho
A quietude é quase um sonho
O luar cai sobre a mata
Qual uma chuva de prata
De raríssimo esplendor
Só tu dormes não escutas
O teu cantor
Revelando à lua airosa
A história dolorosa deste amor
Lua…
Manda a tua luz prateada
Despertar a minha amada
Quero matar meus desejos
Sufocá-la com os meus beijos
Canto
E a mulher que eu amo tanto
Não me escuta, está dormindo
Canto e por fim
Nem a luz tem pena de mim
Pois ao ver quem te chama sou eu
Entre a neblina se escondeu
Lá no alto a lua esquiva
Está no céu tão pensativa
As estrelas tão serenas
Qual dilúvio de falenas
Andam tontas ao luar
Todo o astral ficou silente
Pra escutar
O teu nome entre as endechas
E as dolorosas queixas
Ao luar
compositor: Cândido das Neves
Antigamente a velha Chica
Vendia cola e gengibre
E lá pela tarde
Ela lavava a roupa do patrão importante
E nós os miúdos
Lá da escola, perguntávamos
A vovó Chica
Qual era a razão daquela pobreza
Daquele nosso sofrimento
Xê, menino, não fala política
Não fala política, não fala política
Mas a velha Chica, embrulhada nos pensamentos
Ela sabia, mas não dizia
A razão daquele sofrimento
Xê menino…
E o tempo passou
E a velha Chica só mais velha ficou
Ela somente fez uma cubata
Com teto de zinco
Com teto de zinco
Xê menino…
Mas quem vê agora
O rosto daquela senhora
Daquela senhora
Já não vê as rugas do sofrimento
Do sofrimento
Ela agora só diz
Xê menino, posso morrer
Posso morrer
Xê menino posso morrer
Já vi Angola
Independente