Quando essa onda passar
Vou te levar nas favelas
Para que vejas do alto
Como a Cidade é bela
Vamos à Boca do Mato
Meu saudoso Pretos Forros
Quanto essa onda passar
Vou te levar bem nos morros
Não sei onde vamos primeiro
Quando essa onda passar
Formiga, Borel ou Salgueiro
Quando essa onda passar
Sei que vou lá na Mangueira
Pegar o Mane do Cavaco
E levar pra uma roda de samba
No meu Morro dos Macacos
Quando essa onda …..
É bom zuelar nas umbandas lá do Vidigal
Candomblés, no Turano
Um fanque, um forró, um calango
No Andaraí, Tuiuti ou Rocinha
Ver os fogos de fim de ano
Da porta de uma tendinha
E depois vamos dançar um jongo
Num terreiro da Serrinha
compositor: Martinho da Vila
Eu vou-me embora
Mas vou muito invocado
Sinto , tenhor que deixar
Um pagode incrementado
Fala pra eles viola
Diga também meu pandeiro
Mostra pra eles cavaco
Que também somos partideiros
O pagode começou
Sob a luz do candeeiro
O partido começou
Sob a luz do candeeiro
Já andou por todo o mundo
Mas é do Rio de Janeiro
Nosso pagode é gostoso e o nosso boteco é bem cativante
Cachaça da boa, chopinho gelado
Aipim, carne seca, gente interessante
Mas o que há de melhor quando eu vejo por lá eu não posso negar
É um povo bonito e muito sensual
Cantando e sambando no maior astral
Eu vou-me embora
compositores: Martinho da Vila / Nelson Cebola
Tempera neguinha, tempera
Tempera pra eu me fartar
Ta ficando bom, ta ficando bom
Tempero gostoso pro meu paladar
Já falei pra você, mulher
Nós temos que temperar
Ardências da emoção
Delícias do coração
O fogo é pra esquentar
Não se pode deixar queimar
Se começa a esfriar
Vou meter minha colher
Um cheiro pra lá
Um molho pra cá
Lé com lé e cré com cré
Agora que eu to pronto
E você bem no ponto
Mexe bem mexidinho pra render
Todo dia se tem que temperar
O bem querer
Pra manter o sabor e degustar
Como deve ser
Quem faz com amor faz mais gostoso
Diz a receita do prazer
Tempera neguinha…..
compositores: Martinho da Vila / Roque Ferreira
Oh! Oh! Oh! Oh!
Ah! Ah! Ah! Ah!
Ai, ai, ai! Ai, ai, ai!
Ui, ui, ui! Ui, ui, ui!
Marcantes dobrinhas atrás dos joelhos
Lindas batatinhas moldando as canelas
Meu Deus! Que magia têm os calcanhares
No alto dos saltos das sandálias dela
Ela veio andando com tanta altivez
Ao passar me fitou com feitiço no olhar
Eu senti um tremor de desejo e de medo
Me dando motivo pra fantasiar
Na bolsa que ela carrega
Deve ter algemas, chicote ou chinela
E a tatuagem completa o fetiche
Que a correntinha de ouro revela
Oh! Oh! Oh! Oh!
Ah! Ah! Ah! Ah!
Ai, ai, ai! Ai, ai, ai!
Ui, ui, ui! Ui, ui, ui!
compositores: Claudio Jorge / Martinho da Vila
Com o meu canto
Eu quero lhe encantar
Lhe embalar com o meu som
Embriagar
Fazer você ficar feliz cantarolar
Lá, lá, lá…
Capitando a energia
Desse seu lalalá
Sigo a filosofia
Que é do receber e dar
Eu quero dar
Eu quero dar
Eu quero dar
E receber
E receber
E receber
Fazer, fazer
Me refazer fazendo amor
Sem machucar seu coração
Sem me envolver
Mas se você se apaixonar
Me quiser numa total
Vai ter que ficar comigo
Coladinho em meu umbigo
De maneira visceral
Vou expor minhas entranhas
Lhe darei muito prazer
E bem prazerosamente
Vou abrir mão dos meus sonhos pra viver só por você
Martinho da Vila / Part Especial: Kátia Guerreiro
Eu tenho um amigo que é do Rio de Janeiro
É muito forte e sempre foi bom companheiro
Surpreendentemente me disse em segredo:
Tenho medo, tenho medo, tenho medo
Tenho medo, tenho medo, tenho medo
To com medo, to com medo to com medo
To com…
To com medo…
To com medo…
To com medo de ir a praia nadar
To com medo de ver meu time jogar
Tenho medo de qualquer um reboliço
Tenho medo de quebranto e de feitiço
To com medo de comer e passar mal
To com medo até de ler o jornal
Medo, to com medo …
Medo, to com medo …
Medo, to com medo …
Medo, to com medo.. .
Tenho muito medo de ser assaltado
Tenho medo também de ser sequestrado
Tenho medo de polícia e de ladrão
Tenho medo de estar na multidão
Tenho medo quando vou pra minha lida
Tenho medo de uma bala perdida
Tenho medo de por o carro na estrada
Tenho medo de sair com a minha amada
To com medo …
To com medo…
To com medo
To com medo…
To com medo de ir a praia nadar
To com medo de ver meu time jogar
Medo to com medo com …..
Tenho medo de qualquer um reboliço
Tenho medo de quebranto e de feitiço
Medo to com medo…
Tenho medo de comer e passar mal
Tenho medo ver e ler o jornal
To com medo…
To com medo …
“- Aí amigo! Não vai adiantar abandonar a Cidade ou fugir do seu bairro, porque em outro lugar dificilmente serás mais feliz.
Coragem amigos!
Vamos juntar as forças sair para as ruas, para os bares, restaurantes… Povoar os cinemas, teatros, espetáculos, praias… Vamos viver! Sem medo!
O pior inimigo ainda pode se tornar seu melhor amigo.”
Não tenho medo, já não estou mais com medo.
Não tenho medo, quem ta com deus não tem medo.
compositor: Martinho da Vila
Esta noite eu sonhei com uma roda de samba no céu
Com Pixinguinha, Donga, Almirante, Sinhô, Ismael…
Noel Rosa versava
Wilson Batista respondia
Batucando num prato
João da Baiana sorria
Geraldo Pereira sambava
Marília Batista cantava
Araci de Almeida gingava
E Tia Ciata gostava
Era um samba de roda meio maxixado
Muito ritmado
Que Ataulfo Alves dizia ser samba rasgado
Se achegaram Vinícius, Heitor dos Prazeres, Padeirinho
E Cartola tocando a viola do Nelson Cavaquinho
compositor: Martinho da Vila
Sonho fazer uma casa nos ares
Será somente para tu viveres
Do ar verás montanhas e mares
Nas nuvens brancas, sem os afazeres
Os teus dias serão mais bonitos
Vivendo acima deste mundo
Com os arcanjos e os angelitos
Velando sempre teu sono profundo
Num lugar onde ninguém vá lá
Para ver la luz de las nubes
Nenhum ser conseguirá chegar
Para ver la luz de la inmensidad.
Eu vou fazer uma casa nos ares
Pa´que no te moleste nadie
Eu vou fazer uma casa nos ares
Pa´que no te moleste nadie
Como esta casa no tiene cimientos
que es un invento que he inventado yo
me la mantienen en el firmamento
los angelitos que le pido a Dios (bis)
Se te preguntan cual es el motivo
de hacer esta casa en el aire
la única forma de vivir tranquilo
ese camino ninguno no lo sabe
la única forma de vivir contigo
ese camino ninguno no lo sabe
Por que el que no vuela no sube
Pra te ver lá na imensidade
porque el que no vuela no llega allá
Penetrar na casa anuviada
Te voy a hacer una casa en el aire
Pra que não te incomode nada
Te voy a hacer una casa en el aire
Pra que não te incomode nada
Si te preguntan como se sube, decirles
que algunos se han perdido
para ir al cielo sé que no hay camino
nosotros dos iremos en una nube
Se perseguirem nossos caminhos
Lá pelas prumas ficarão perdidos
Só tu eu vamos viver nas nuvens
Muito felizes e bem protegidos
Num lugar onde ninguém vá lá
para ver la luz de las nubes
Eu vou fazer uma casa nos ares
para ver la luz de la inmensidad
Eu vou fazer uma casa nos ares
Pa´que no te moleste nadie
É uma casa Brasileira
Brasileira e espanhola
Rafael Calixto Escalona (Versão de Martinho da Vila)
Part. Especial: Rosário Flores
Pra me casar com você
Eu vou ter que me cuidar
Contratar um personal
Treiner pra me acelerar
Também vou ter de fazer
Uma dieta alimentar
Catuaba no almoço e ostras antes do jantar
Quando a gente for deitar
Um bom pó de guaraná
Se a quentura tiver morna
Come um ovo de codorna
E se a noite for infinda
Aí só Pau de Cabinda
Se ela quiser bis no fim
Pimenta no amendoim
E depois pra me acalmar
Suco de maracujá
João Donato / Martinho da Vila
Um dia tu verás
Vamos nos encontrar
Seja em qualquer lugar
Não importa onde for
E os caminhos do amor
Que o acaso mostrar
Juntos nós trilharemos
De mãos dadas, serenos
O tempo vai ligeiro
A noite nos faz bem
E os nossos corações
Ladrões de emoção
Veremos estrelinhas
Num infinito azul
Trocando beijos doces
E sinos tocarão
Então vamos dançar
Cantar com alegria
Sob um céu de claras brumas
E sem melancolia
Um cego tocará
Uma ária pra nós
O povo entenderá
Nos deixará a sós
Toi , tu m´inviterai
Ma taille tu prendras
NU DANCERONS TRANQUILLE
LOIN DES JENS DE LA VILLE
Nous dancerons l´amour
LES YEUX AU FOND DES YEUX
Ver une nuit profonde
VER UNE FIN DU MONDE
Um jour tu verras, on se rencontrera
Quelque part n´importe oú guidé par lê hasard
E os caminhos do amor
Que o acaso mostrar
Juntos nós trilharemos
De mãos dadas, serenos
(Van Paris – Monlondji) Versão de Martinho da
Part. Especial: VilaNana Moskouri
Eu lhe dei as porções de alfazema
Que havia guardado pra Deus
E a mirra, o ouro, o incenso
Eu também entreguei pra você
Por aí eu fui me despojando
Dos meus bens e de todos legados
Não valeram meus tantos cuidados
Se perdi o melhor que sonhei
Construí um presépio de areia
E dourei seus caminhos de luz
Povoei o seu chão com as estrelas
Que Orestes um dia pintou
Mas percebo agora de longe
Que você nelas jamais pisou
Martinho da Vila / Hermínio Bello de Carvalho
Eu não me canso de dizer
O quanto gosto de você
E que o meu maior prazer
É lhe ver bem feliz
Como uma bela princesinha
Ou uma fogosa rainha
Com seu tear brilhante
Ornada com flores de lis
Meu sonho é um pomar
Com árvores frondosas
Que dêem frutas boas
Pra você degustar
E cultivar um jardim
Mantê-lo bem florido
Onde se colham flores
Só pra lhe lhe ofertar
Mas pra ganhar muitas flores
Tem de ser a flor mais pura
Do meu sonhado quintal
E pra chupar minha fruta
Tem de ter boa conduta
Ou então vai se dar mal
E pra ser minha rainha
Tem de ser todinha minha
Eu só teu e ninguém mais
Pois sou muito possessivo
E posso até ser agressivo
Quando me passam pra traz
Mas não me canso de dizer
O quanto gosto de você
compositor: Martinho da Vila
Em tarde ensolarada, boca tua como flor nos lábios meus
Em hora madrugada, ir pra casa, ó que dor
Pedi a Deus
Pra ficar comigo
Eu era o nada
Tu a fada
E a vida
Uma grande confusão
Sempre choravas
De olhos baixos
E me pedias
Casa comigo
Tu jurastes, jurei também
Só lampejos
De querer bem
Deus, quantas vindas e partidas
Deus, tanta coisa assim perdida
Também me perdi
Quanta vida que passava
Na noite que sonhava
Quando acordava
Não via tu
A vida é só um sonho, uma ida, um retorno, eu não sei
São anos, são segundos, risos, prantos, descaminhos, onde irei?
De trem ou avião
Girando pelo mundo
Dando voltas, tão perdido, vagabundo
Tu querias que eu fosse só teu
E agora és o sonho meu
Mas não crês mais em mim um beijo,
Adeus
Dios
Dios
Lucio Dalla – Versão: Martinho da Vila / Part. Especial: Mafalda Minnozzi
Saúde!
Energia!
Boa sorte, felicidade
Alegria!
Dentre centenas de mastros
Que vão aos pontos nevoentos
Quantos não serão tragados
Pelas vagas, pelos ventos
Dentre os pássaros que migram
E atravessam tantas plagas
Quantos não serão tolidos
Pelos ventos, pelas vagas
Larara….
Ventos, vagas, ventos
Larara…
Vagas, ventos, vagas
Podes desprezar a sorte
Largar idéias que tragas
Mas te seguem , sul a norte
Tanto os ventos quanto as vagas
Desatina a mente, errando
Por teus cantos e lamentos
Em vôo eterno enganando
Tanto as vagas quanto os ventos
Larara….
Ventos, vagas, ventos
Larara…
Vagas, ventos, vagas
Podes desprezar a sorte
Largar idéias que tragas
Mas te seguem , sul a norte
Tanto os ventos quanto as vagas
Desatina a mente errando
Por teus cantos e lamentos
Em vôo eterno enganando
Tanto as vagas quanto os ventos
Ventos sudoeste
Vem de Bucareste
Peço data-vênia
Pra ir pra Romênia
compositores: Luciano Maia / Martinho da Vila
Quem nasce lá na Vila
Nem sequer vacila
Ao abraçar o samba
Que faz dançar os galhos,
Do arvoredo e faz a lua,
Nascer mais cedo.
Lá, em Vila Isabel,
Quem é bacharel
Não tem medo de bamba.
São Paulo da café,
Minas da leite,
E a Vila Isabel da samba.
A vila tem um feitiço sem farofa
Sem vela e sem vintém
Que nos faz bem
Tendo nome de princesa
Transformou o samba
Em um feitiço descente
Que prende a gente
O Sol da Vila é triste
Samba não assiste
Porque a gente implora:
“Sol, pelo amor de Deus,
não vem agora
que as morenas
vão logo embora”
Eu sei tudo o que faço
sei por onde passo
paixão não me aniquila
Mas, tenho que dizer,
modéstia a parte
meu senhores… Eu sou da Vila!
Noel Rosa / Vadico