A Vila desce colorida
Para mostrar no carnaval
Quatro séculos de modas e costumes
O moderno e o tradicional
Negros, brancos, índios
Eis a miscigenação
Ditando a moda
Fixando os costumes
Os rituais e a tradição
E surgem tipos brasileiros
Saveiros e batedor
O carioca e o gaúcho
Jangadeiro e cantador
Lá vem o negro
Vejam as mucamas
Também vem com o branco
Elegantes damas
Desfilas modas no Rio
Costumes do norte
E a dança do sul
Capoeira, desafios
Frevos e maracatu
Laiaraiá, ô
Laiaraiá
Festa da menina-moça
Na tribo dos carajás
Candomblés lá da Bahia
Onde baixam os orixás
É a Vila que desce!
Compositor: Martinho da Vila
Larara…
Brasil,
Meu Brasil retumbante
Um passado brilhante resplandece em teus anais
Tomé de Souza foi o fundador
Da cidade de São Salvador
A primeira das três capitais
Duzentos e quatorze anos então se passaram
Que pouco favoreceram ao sistema econômico nacional
Sabiamente D. José I ordenou ao Marquês de Pombal
Que transferisse para o Rio de Janeiro a capital
Continuando o ciclo do vice-reinado
O nobre Conde da Cunha foi nomeado
Verdadeira epopéia de fatos a História registrou
Até que o Presidente Juscelino Kubtschek inaugurou
Brasília no planalto de Goiás
Suprema capital das capitais
Monumento sublime da arquitetura universal Iará, Iará
Colossal, Iará, Iará…
compositor: Bidi
Quando o navio negreiro
Transportava negros africanos
Para o rincão brasileiro
Iludidos
Com quinquilharias
Os negros não sabiam
Que era apenas sedução
Pra serem armazenados
E vendidos como escravos
Na mais cruel traição
Formavam irmandades
Em grande união
Daí nasceram festejos
Que alimentavam o desejo
De libertação
Era grande o suplício
Pagavam com sacrifício
A insubordinação
E de repente
Uma lei surgiu
E os filhos dos escravos
Não seriam mais escravos
No Brasil
Mais tarde raiou a liberdade
Pra aqueles que completassem
Sessenta anos de idade
Ó sublime pergaminho
Libertação geral
A princesa chorou ao receber
A rosa de ouro papal
Uma chuva de flores cobriu o salão
E o negro jornalista
De joelhos beijou a sua mão
Uma voz na varanda do paço ecoou:
“Meu Deus, meu Deus
Estpa extinta a escravidão”
Acordem
Benfeitores do universo
Que vou render tributo aos meus heróis
E nesta apoteose à grandeza
Eu peço a presença de todos vós
De todos vós
Antonio Francisco Lisboa
O maior vulto da arte colonial
Pedro Américo, emérito pintor
João Caetano, o nosso maior ator
Salve José do Patrocínio
O denodado baluarte nacional
Exaltemos Carlos Gomes
Orgulho da nossa terra
No cenário musical
Ruy Barbosa, símbolo da inteligência
Oswaldo Cruz, mártir da ciência
Santos Dumont, o pai da aviação
E Castro Alves, poeta da abolição
Acordem heróis
compositor: Helio Cabral
No ano de mil oitocentos e oitenta e três
No dia dezenove de Abril
Nascia Getúlio Dorneles Vargas
Que mais tarde seria o governo do nosso Brasil
Ele foi eleito deputado
Para defender as causas do nosso país
E na revolução de trinta ele aqui chegava
Como substituto de Washington Luis
E do ano de mil novecentos e trinta pra cá
Foi ele o presidente mais popular
Sempre em contacto com o povo
Construiu um Brasil novo
Trabalhando sem cessar
Como prova em Volta Redonda, cidade do aço
Existe a grande siderúrgica nacional
Tendo o seu nome elevado
Em grande espaço
Na sua evolução industrial
Candeias, a cidade petroleira
Trabalha para o progresso fabril
Orgulho da indústria brasileira
Na história do petróleo no Brasil
Salve o estadista
Idealista
E realizador
Getúlio Vargas
O grande presidente de valor
compositor: Padeirinho
Um grande escritor do meu país
Está sendo homenageado
Joaquim Maria Machado de Assis
Romancista consagrado
Nascido em 1839
Lá no morro do Livramento
A sua lembrança nos comove
Seu nome jamais cairá no esquecimento
Lara…
Já faz tantos anos faleceu
O filho de uma humilde lavadeira
Que no cenário das letras escreveu
O nome da literatura brasileira
De Dom Casmurro foi autor
Da Academia de Letras
Foi sócio fundador
Depois ocupou a presidência
Tendo demonstrado
Grande competência
Ele foi o literato-mor
Suas obras lhe deram
Reputação
Quincas Borba, Esaú e Jacó
A Mão e a Luva
A Ressurreição
Ele tinha
Inspiração absoluta
Escrevia com singelesa e graça
Foi sempre uma figura impoluta
De caráter sem jaça
compositor: Martinho da Vila
Quando veio para a nação
Que mais tarde o consagraria
D. João VI, o nobre magistrado
Ao passar pelo estado da Bahia
Instituiu novo texto
Abrindo os portos do Brasil
Para o mercado universal
Logo após seguiu o seu roteiro
Com destino ao Rio de Janeiro
Quando aqui chegou, desembarcou com toda família real
Incomensurável séquito
Vulto de notável mérito
O eminente príncipe-regente
Um ano depois Sua Alteza
D. João ordenou
A invasão da Guiana Francesa
E depois criou com sabedoria
Academia da Marinha, Museu Nacional
Escola de Belas Artes
Também o primeiro jornal
Mais tarde o povo aclamou
Esta figura de grande marca
Unidos em coros mil
Viva o grande monarca
Regente dos destinos do Brasil
compositores: Candeia – Waldir 59 – Picolino
“Como é para o bem de todos
E felicidade geral da nação
Diga ao povo que fico”
Isto aconteceu
No dia nove de janeiro de mil oitocentos e vinte dois
Data que o brasileiro
Jamais esqueceu
Data bonita e palavras bem ditas
Que todo povo aplaudiu
Preconizando D. Pedro I
O grande defensor
Perpétuo do Brasil
Foi uma data de glória
Exuberante em nossa História
Esta marcante vitória deste povo
Varonil
Também
Exaltamos agora
Homens que lutaram pelo Fico no Brasil
José Clemente Pereira e José Bonifácio
Que entregaram no palácio a petição
Rogando a D. Pedro I
Que permanecesse em nossa nação
compositor: Cabana
Lara…
Carnaval
Doce ilusão
Dê-me um pouco de magia
De perfume e fantasia
E também de sedução
Quero sentir nas asas do infinito
Minha imaginação
Eu e meu amigo Orfeu
Sedentos de orgia e desvario
Cantaremos em sonho
Cinco bailes na história do Rio
Quando a cidade completava vinte anos de existência
Nosso povo dançou
Em seguida era promovida a capital
A corte festejou
Iluminado estava o salão
Na noite da coroação
Ali
No esplendor da alegria
A burguesia
Fez sua aclamação
Vibrando de emoção
Que luxo, a riqueza
Imperou com imponência
A beleza fez presença
Condecorando a independência
Ao erguer a minha taça
Com euforia
Brindei aquela linda valsa
Já no amanhecer do dia
A suntuosidade me acenava
E alegremente sorria
Algo acontecia
Era o fim da monarquia
compositores: Silas de Oliveira – Yvonne Lara – Bacalhau
Amazonas
Misteriosas
Das selvas verdes, tão formosas
Aonde brota um grandioso seringal
Causando inveja ao mundo inteiro
Fazendo o Brasil ser o primeiro
Na produção da borracha universal
Amazônia
Dos índios fortes
Do Alto Xingu, Roncador
Da cilada do Rio das Mortes
Desafio ao desbravador
Mais além, muito distante
Em pleno seio da floresta
A valente tribo Xavante
Realizou grande festa
Em homenagem ao Marechal Rondon
Figura impar, sem igual
Homem audaz, sem igual
Homem audaz, de coração tão bom
Nos rincões do Brasil central
Amazônia forte e viril
Sua fauna envaidece o Brasil
Com seus espécimes de rara beleza
Orgulhando a própria natureza
Tem razão quando fala o turista estrangeiro
Que na sua concepção
Deus é brasileiro
compositores: Zinco – Darcy Caxambu
Quilombo pesquisou duas raízes
E os momentos mais felizes
De uma raça singular
E veio pra mostrar essa pesquisa
Na ocasião precisa
Em forma de arte popular
Há mais de quarenta mil anos atrás
A arte negra já resplandecia
Mais tarde a Etiópia milenar
Sua cultura até o Egito estendia
Daí o legendário mundo grego
A todo negro de “etiope” chamou
Depois vieram reinos suntuosos
De nível cultural superior
Que hoje são lembranças de um passado
Que a força da ambição exterminou
Em toda a cultura nacional
Na arte e até mesmo na ciência
O modo africano de viver
Exerceu grande influência
E o negro brasileiro
Apesar de tempos infelizes
Lutou, viveu, morreu e se integrou
Sem abandonar suas raízes
Por isso o Quilombo desfila
Devolvendo em seu estandarte
A história de suas origens
Ao povo em forma de arte